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João Lima

Jani Zhao: "Não quero ter rótulos nem preciso de pertencer a um só lado"

A atriz, que cresceu entre duas culturas, é uma mulher que se sente bem na sua pele.

Marta Mesquita
25 de fevereiro de 2018, 10:30

Jani Zhao, de 25 anos, nasceu em Portugal, filha de pais chineses. Viveu em Xangai e nos EUA e, aos seis anos, regressou. Vem de uma família de tradição budista, mas estudou num colégio católico. Os pais deram-lhe ferramentas para se emancipar, mas estiveram sempre muito atentos às suas opções profissionais. Foi com esta educação “fora da caixa”, como a descreve, que a atriz cresceu e ganhou asas para voar.

Por se sentir diferente de muitos, mas igual a tantos outros, cedo percebeu que acabar com estereótipos seria o seu grande propósito. Nesta guerra pela igualdade e respeito pela diversidade, Jani acredita que tem a arma certa: a representação. No papel da calculista Susana Wang, personagem que interpreta na novela da TVI Jogo Duplo, a atriz está a ter uma projeção que não esperava, mas que tem aproveitado para mudar mentalidades e criar espaço para que o que é diferente seja encarado como normal. Nada melhor do que pôr a protagonista a contar a sua própria história.

Foi bom crescer entre duas culturas tão distintas?
Os meus pais deram-nos, a mim e ao meu irmão, uma educação excecional. Muito corajosa e ousada, comparando à que se dá na cultura ocidental. Cresci com uma liberdade controlada, com regras, disciplina e rigor. Eles nunca me disseram que não, mas estiveram sempre alerta. O meu irmão tinha 13 anos e eu 11 quando ficámos pela primeira vez sozinhos em casa.
Os meus pais foram para a China durante duas semanas e não nos ensinaram sequer a lavar a roupa. Isto pode ser duro aos olhos dos pais ocidentais, mas eu sou o que sou graças a esse tipo de educação. Eles são budistas mas colocaram-nos num colégio católico porque queriam que estivéssemos o mais próximo possível da cultura em que vivíamos. Foram decisões “fora da caixa” e eu sou um bolo em que os vários ingredientes se misturam. Aprendi que somos várias coisas. Não quero ter rótulos nem tenho de pertencer a um só lado. O mais importante é saber quem és, de onde vens, onde estás e para onde vais. Considero-me muito portuguesa, mas também sou muito chinesa.

E aos 25 anos já sabe isso tudo?
Tento saber. Sou muito determinada, focada, trabalhadora e dedicada. Sou um espírito livre e gosto das coisas simples da vida. Não complico, e isso tem muito a ver com o budismo. Sou resiliente e para mim não há problemas, há soluções. Todos temos objetivos por cumprir e, se ainda não sabemos quais são, deveríamos pensar sobre isso. A minha missão é quebrar estereótipos. Neste momento, é isso que me move. É por aí que quero ir. Sei que tenho algo a fazer.

Fotos: João Lima

Produção: Vanessa Marques

Maquilhagem: Madalena Martins

Cabelos: Daniel Pereira

Leia esta entrevista na íntegra na edição 1175 da revista CARAS.
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