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Isabel Saldanha

Marta D'Orey: "A noção de que tinha um prazo de validade acordou-me para a vida"

A estudante, que sofre de insuficiência respiratória grave, já recuperou alguma qualidade de vida e refez prioridades.

Marta Mesquita
30 de dezembro de 2017, 12:07

Chega sorridente à Quinta da Arriaga, no Pé da Serra, em Colares, Sintra. Não traz a habitual botija de oxigénio. Marta d’Orey, 20 anos, que tem uma bronquiolite obliterante pós-infecciosa, uma doença rara, crónica e incapacitante que afeta os pulmões e que lhe aconteceu como sequela da gripe A contraída em março de 2016, voltou a ter às costas a mochila com os livros da faculdade [estuda Publicidade e Marketing] e a máquina fotográfica, o seu objeto de culto. Isto porque o tratamento a que se submeteu ao longo deste ano ajudou a recuperar alguma qualidade de vida. Ainda não pode escalar montanhas, surfar ou viajar, algumas das suas paixões, mas decidiu agarrar a vida com sofreguidão e vivê-la ao segundo. Depois de um ano duro, em que trocou o que era um dado adquirido pelo incerto, pedimos a Marta para dar seguimento à sua história de coragem.


– Quando falámos no início deste ano, estava otimista, mas não sabia o que o futuro lhe reservava...

– Quando falámos, estava a começar um tratamento que não estava definido no protocolo para tratar esta doença rara. Fiz sem saber bem quais seriam as repercussões e os efeitos. Consistiu numa série de injeções mensais, aliadas a outros tratamentos. Aos poucos, comecei a reagir, não no sentido de uma cura ou de voltar à normalidade, mas de uma melhoria significativa do meu estilo de vida.

– E como é que se sente?

– Agora já não estou a fazer o tratamento, estabilizei. Mas ninguém sabe qual irá ser a evolução. É como apalpar terreno às cegas, mas enquanto estiver bem, houver ar para respirar e pernas para andar, oriento-me.

– Deixou de andar com a botija de oxigénio atrás e voltou a ‘carregar’ os livros da faculdade e a máquina fotográfica...

– Deixou de haver esse adereço, agora só para o estilo. [Risos]Há uma liberdade muito maior e ao mesmo tempo uma dependência muito menor dessa ajuda artificial. É claro que não me vou pôr a correr as sete colinas, mas posso viver assim para sempre.

E continua a precisar de maiores cuidados em relação à saúde?

– Claro! Uma simples gripe ou uma constipação podem ter em mim consequências muito negativas, tal como qualquer estímulo que afete as minhas vias respiratórias pode ser muito mais perigoso para mim do que para uma pessoa normal. Mas no dia a dia não penso muito nisso.

Fotos: Luís Coelho

Produção: Rita Vilhena

Maquilhagem: Filipa Pereira

Agradecimentos: Horto do Campo Grande

Leia esta entrevista na íntegra na edição 1167 da revista CARAS.
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