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Maria Elisa garante: “Dedico cada vez mais tempo à minha família”

A antiga jornalista continua a ser uma mulher assertiva e preocupada com o mundo que a rodeia.

Marta Mesquita
18 de novembro de 2017, 14:00

"Tenho 67 anos. Assumo-o sem qualquer problema.” É desta forma descomplexada que Maria Elisa fala da sua idade, mostrando que encara com serenidade o que o passar dos anos traz de bom e de mau.
Reformada e afastada da televisão, a antiga jornalista preenche os seus dias com afetos. Hoje pode dar ao marido, o advogado norte-americano Sanford Hartman, ao filho, Gil, e à neta, Amélia, de nove anos, o que durante anos não teve: tempo. Contudo, esta dedicação à família não atenuou o seu interesse pelo mundo que a rodeia. Mal chega ao pé de nós, a antiga jornalista começa a falar dos assuntos mais quentes da atualidade, mostrando que continua a ser atenta e a ter opinião. A família, os anos em que se dedicou de corpo inteiro ao jornalismo e a forma como encara o futuro foram outros temas que também couberam nesta entrevista. Tivéssemos tempo, esse bem que Maria Elisa tanto estima, e a conversa não ficaria por aí.
– Mantém um olhar muito crítico sobre a atualidade e a forma como se transmitem as notícias. Tem saudades do jornalismo?
Maria Elisa – Vivemos um tempo que interpela particularmente os jornalistas. As recentes tragédias dos fogos obrigam-nos a refletir sobre o que fizemos ao nosso território e o que têm feito os nossos governantes ao longo das últimas décadas para o defender e para proteger as populações que vivem longe dos centros urbanos. Essas pessoas modestas, que vivem de uma economia de subsistência, são esquecidas por todos, até pelos jornalistas, exceto quando se tornam protagonistas da desgraça. Depois, todas as revelações ligadas à Operação Marquês são de tal modo avassaladoras que ainda não houve tempo para aprofundar a informação disponível. Há um gigantesco trabalho de investigação jornalística a desenvolver para esclarecer toda a verdade e, naturalmente, gostaria de participar nele. Estes acontecimentos levam-me a sentir saudades de ser jornalista.
– Trabalhou numa altura em que se defendia que os jornalistas tinham de ser completamente imparciais, não se podendo envolver emocionalmente no que estavam a relatar. Sente que hoje a escola é outra?
– Quando estamos perante acontecimentos desta natureza não há, nem nunca houve, essa dicotomia. Não vivi enquanto jornalista nenhuma situação com esta gravidade, mas não há que ter vergonha das nossas emoções perante tragédias desta magnitude. Por aquilo que assisti, os jornalistas estiveram à altura da tarefa. Vi excelentes reportagens com repórteres comovidos e prefiro isso à indiferença. Tem de haver essa partilha de sentimentos.
Leia esta entrevista na íntegra na edição 1162 da revista CARAS, nas bancas.
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Vídeo de 'making of' da sessão fotográfica que acompanha a entrevista:

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