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Lilia Cabral na Ilha da CARAS: “A vida tem sido generosa comigo”

Atriz brasileira confessa-se numa entrevista sincera. Trabalho e família são alguns dos aspectos abordados.

CARAS
27 de setembro de 2017, 17:07

O Brasil já foi às lágrimas, riu, sofreu, dividiu alegrias e tristezas com Lilia Cabral, atualmente com 59 anos e uma carreira sólida que começou há 39. Mas longe de cena, esta atriz natural de São Paulo, que adotou o Rio de Janeiro como seu, revela-se uma mulher do povo, de hábitos simples, apaixonada pela filha, Giulia, de 20 anos, e pelo marido, o economista Iwan Figueiredo, de 67.
Na Ilha da CARAS, a estrela da novela A Força do Querer divaga sobre a sua trajetória de forma alegre e constata que os grandes momentos da sua vida, como a maternidade e os melhores papéis chegaram quando já era uma mulher madura.
– Este ano completa 60 anos. Como lida com a passagem do tempo?
O tempo tem sido generoso comigo. Digo sempre que até os 70 anos estarei bem. Quero trabalhar muito porque gosto. É lógico que preciso, mas também tenho prazer em atuar. Imagino-me velha e a produzir.
– Ter uma jovem em casa ajuda a manter essa energia?
Bastante. Nem penso na minha idade. Falamos de igual para igual. Isso rejuvenesce-me. A minha mãe teve-me velha. Mas o comportamento de antigamente não é o de agora. Porém, sei que sou mais severa do que as mães mais novas. Há horas para tudo, limites e disciplina. E espero também que, quando a Giulia tiver os seus filhos, seja assim.
– Porquê só uma filha?
Sou apaixonada pela maternidade, mas sempre soube que iria ter uma só. Porque quando engravidei, tinha 38 anos. E o Iwan já tinha filhas. A Giulia não é única porque tem as irmãs. Depois chegaram os sobrinhos. É o meu, os teus, os nossos.
– Como é que duas pessoas com trabalhos tão diferentes levam a bom porto um casamento de 23 anos?
A nossa união faz-se de amor, respeito e confiança. Eu acho que isso não tem a ver com as nossas profissões, mas sim com o que sentimos.
– Tem fama de ‘workaholic’. Alguma relação com a infância?
Sim e não. Há tanta gente que é tão severa com os filhos e eles não ligam nenhuma. Acho que tem a ver com o nosso temperamento. Os meus pais, Gino e Almedina, exigiam muito de mim. Se tirasse boa nota numa prova, ouvia sempre que podia ter feito melhor. Era outra época. Com a minha filha, entro no quarto e mando-a parar de estudar. (risos) Ela vê o quanto me dedico às coisas que faço, assim como eu via minha mãe. Isso é uma coisa que acaba por ficar na memória.
– Onde é mais exigente?
Em cena, sobretudo comigo própria. Não há nada mais gratificante do que acabar um dia de trabalho e ter 70% feito. Em casa, já fui mais exigente. Não sei se é porque a minha filha cresceu. Agora cada um tem as suas responsabilidades.
– Foi a vida que a ensinou a manter os pés sempre assentes no chão?
Nunca tive medo de fazer as coisas. Os holofotes não estão sempre apontados para nós. É preciso perceber isso. Não me posso esquecer que a qualquer momento é outra pessoa a estar no centro das atenções. A sorte roda e eu encaro isso com naturalidade.
– Tem uma vida simples...
Gosto de andar na rua. Vou ao supermercado, ao banco. E, quando entro nos sítios, não me apercebo que as pessoas estão a olhar para mim. Houve uma vez em que eu estava em Nova Iorque e dei de caras com a Diane Keaton na Bloomingdale’s, subindo as escadas rolantes. Eu estava a descer e não tive dúvidas em subir também e ir atrás. Fiquei a olhar para ela de longe, a escolher as coisas, colocando no cesto das compras. Depois fui almoçar e vi Sidney Poitier a beber um copo de vinho. É a vida. A última vez que estive lá fiquei num hotel a três quarteirões do apartamento de Meryl Streep. Passava todos dias em frente. É um prédio normal. É nisso que acredito e me inspiro.
– Por isso, aos 39 anos de carreira pediu para entrar numa novela de Gloria Perez?
Sempre tive vontade de trabalhar com ela. Escreve sem pudores. É lógico que há novelas de que gostamos mais, outras menos, mas isso não tem a ver com o talento de um autor ou de uma autora. Então, quando acabei a novela Império, encontrei-me com a Gloria e disse que gostaria de fazer uma novela dela. Espontaneamente, humildemente. Passados dois meses, ela mandou-me um e-mail e disse que já tinha o meu papel, na novela A Força do Querer. Foi um grande acontecimento na minha vida. Senti-me respeitada e valorizada.
– Hoje, os capítulos da sua história seriam escritos da mesma forma?
Acho que faria tudo igualzinho. A forma como fiz as coisas trouxe-me até aqui. Tenho tantos motivos para sorrir... E tristezas, claro que tive e tenho também. Defino a minha trajetória de vida como honesta. Nunca pensei no tempo, só em ser determinada. Mas a minha realização só pode existir se tiver cumplicidade com o público e com a profissão que escolhi.

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