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Filomena Nascimento serena: “Sinto uma força como nunca senti em toda a minha vida”

Após ter escrito o seu primeiro livro, em que fala da sua luta contra o peso, a ex-manequim tornou-se ‘coach’.

Andreia Cardinali
16 de setembro de 2017, 18:00

A serenidade, a energia e a boa disposição de Filomena Nascimento, de 36 anos, são percetíveis assim que a encontramos, na Praia da Cresmina, no Guincho. Mas nem sempre foi assim. Houve alturas em que a ex-manequim não se sentia bem na sua pele. Alturas essas que a levaram a ganhar peso e a perder a identidade, mas também ao caminho que percorre atualmente e que a fez escrever o livro Mindful Eating.
– Foi a sua luta contra o peso na adolescência que a levou a escrever este livro...
Filomena Nascimento –
É verdade. Nasci e vivi até aos 13 anos em Vidago e tinha uma alimentação muito equilibrada. Nessa altura viemos viver para Lisboa e tudo mudou, porque passei a comer muitas vezes fora e a fazer a escolha da minha alimentação. Isso refletiu-se no meu peso e, posteriormente, na minha baixa autoestima. Mais tarde, fui encontrada na rua por um olheiro de modelos que me convidou a fazer parte de uma agência, a Elite. Eu, dadas as minhas formas, nunca pensei que isso pudesse acontecer... Comecei logo a trabalhar, mas só fazia fotos de rosto. Depois, com a ideia de progressão na carreira, decidi que tinha de perder peso. Não tinha realmente corpo de manequim. Acabei por interiorizar a ideia e comecei a ter cuidados com a alimentação, a fazer exercício físico, a ter uma nutricionista que me acompanha até hoje, desde os 19 anos, e confesso que foi muito difícil. Não provenho de uma família magra e tenho um metabolismo de caracol, mas como sou muito focada e determinada consegui atingir o meu equilíbrio. Este livro não é um livro de dietas, mas sim um livro que pretende ajudar cada um a procurar a simbiose entre o seu exterior e o seu interior.
– E porque é que foram necessários 20 anos para o escrever?
Há 20 anos que mantenho este equilíbrio, e nem sempre é fácil. Em 2014 tive uma recaída e colmatei todas as minhas carências afetivas com a comida, o que me levou a engordar 20 quilos. Passado um tempo, voltei a focar-me, a recorrer a tudo o que tinha feito no passado, como conto no livro, e foi aí que voltei a ser eu própria. O livro é o meu testemunho e mostra que não é fácil, mas que vale a pena. E, mesmo com uma recaída, no dia seguinte pode-se encarrilar de novo.
– Como é que alguém que controlou a própria vida durante tantos anos lida com uma recaída?
Nos últimos tempos passei por uma busca interior sem me aperceber. À medida que o tempo foi passando, fui sentindo que estava a acontecer uma mutação dentro de mim que não conseguia controlar. Passei a fazer meditação, ioga, a ter um conhecimento mais profundo de mim, a aceitar-me e a manter-me o mais equilibrada possível. Hoje não me trocava por nenhuma outra pessoa.
– Não deve ser fácil ter de viver de forma tão regrada...
Primeiro, há que perceber o que é que se quer na vida e depois seguir esse caminho custe o que custar. A mim deixa-me mais leve interior e exteriormente. É esse o meu objetivo, e não propriamente entrar nuns jeans número 34. Cheguei a demorar nove meses para ver resultados e por isso acho que o meu testemunho é importante.
– O seu testemunho traz uma responsabilidade...
É verdade, e isso é um pouco assustador, mas também gratificante. Não estava à espera que este livro fosse tão do agrado das pessoas. Passei a ser muito contactada por pessoas e hoje em dia faço coaching, aliado à dietética e ao lado psicológico. Nada foi fácil para mim, mas a minha história mostra que com empenho tudo é possível. Passei de uma menina gordinha, que até sofria de bullying, para uma manequim da Elite durante dez anos.
– Não tem receio de uma nova recaída?
Acho que a alimentação é uma adição. Para mim, é uma droga legal e acho difícil voltar a usar a alimentação como um preenchimento emocional. Sei que pode voltar a acontecer, mas lutarei sempre contra isso.
– Isso não faz com que deixe de viver algumas emoções para evitar magoar-se?
Hoje em dia sinto uma força como nunca senti em toda a minha vida. Consegui ser emocionalmente mais equilibrada e, consequentemente, mais racional, e acho que era isso que me faltava. Já consigo fazer uma distinção entre o que quero e o que é melhor para mim, o que nem sempre se coaduna. Modéstia à parte, hoje sou uma pessoa que eu gostava de conhecer, e isso deixa-me muito orgulhosa do meu percurso.

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