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João Manzarra: “Prefiro que não me cortem o cabelo, ou terão um apresentador amuado”

Este ano, a apresentação dos Globos de Ouro fica, pela primeira vez, a cargo de João Manzarra.

CARAS
20 de maio de 2017, 16:00

A passadeira vermelha dos Globos de Ouro não é uma novidade para João Manzarra, mas este ano cabe-lhe a tarefa de conduzir a gala onde se premeia o talento nacional. Sob este pretexto, João Manzarra aceitou passar uma manhã com a equipa da CARAS e, entre poses e brincadeiras, mostrou-nos o seu lado mais cómico, proporcio­nando horas de muita diversão. Estará dado o mote para a noite mais aguardada do ano?
– Há muita curiosidade para saber o que vai acontecer ao seu cabelo na Gala dos Globos de Ouro...
João Manzarra – Sinto que há duas entidades a apresentar os Globos de Ouro: eu e o meu cabelo. De facto, ganhou um protagonismo que eu próprio não consigo controlar. Todas as minhas decisões capilares no dia-a-dia sou eu que as tomo. Na noite da gala, vou chegar com a matéria-prima e as pessoas podem fazer o que bem entenderem com a minha imagem.
– E se lhe disserem que é para cortar?
– Prefiro que não o façam, porque tenho o cabelo assim e não queria que houvesse um grande contraste para esse dia. Mas acho que não vão cortar, senão ficam com um apresentador amuado.
– Entusiasmado com esta estreia?
– Sim, muito, porque profissionalmente é algo diferente do que já fiz até hoje e é extremamente desafiante.
– Podemos esperar um espetáculo mais irreverente?
– Acho que a Gala tem um formato muito próprio que não se pode desvirtuar. Mas claro que haverá uma conduta de apresentação diferente, porque sou diferente de todos os apresentadores que já o fizeram.
– Essa diferença vai passar também por aquilo que vai vestir? Podemos esperar umas jardineiras chiques de veludo?
– Honestamente, neste momento já sei o que vou vestir. Se calhar vou surpreender com este arrojo... Não sei se estão preparados para isto, mas vou apresentar de smoking e laço verde.
– Foi fácil encontrar uma marca que conjugasse os valores que defende?
– Sim, o fato é de linho. Cu­riosamente, eu não sabia, mas todos os fatos que vesti até hoje tinham lã. E normalmente não uso lã. Mas desta vez fizeram-me um fato de linho e estou satisfeito com ele. Sinto-me bem, não me aperta em demasia.
– Há cerca de três anos mudou, efetivamente, a sua postura perante a exploração animal, tanto a nível da alimentação como do consumo de roupa e acessórios. O que é que isso fez por si e trouxe à sua vida?
– Trouxe-me várias coisas. A principal foi um libertar de consciência, que é o mais importante. Não conheço nenhum ser humano que defenda que os animais devem ser explorados como são atualmente. Portanto, a maioria dos seres humanos vive um bocadinho com esse peso na consciência. Além dessa libertação, há melhorias evidentes a nível de saúde. É bom vivermos de acordo com os nossos valores.
– Sente que hoje é uma melhor versão de si mesmo?
– Sim, tento viver com essa conduta. E penso que todo o meu processo de vida até agora tem sido assim. Revejo-me muito menos no João de há sete anos do que no de hoje em dia. Gosto muito mais de mim agora.
– Este é o caminho?
– Este é o único caminho, para já, que me preenche e que pode cumprir os meus propósitos de vida. Foi o caminho que escolhi e que acho que faz mais sentido. E parece-me que a tendência é que cada vez seja mais assim e aconteça a mais pessoas.
– Disse numa entrevista que há muita gente que acha que “fritou”...
– [Interrompe] Às vezes as pessoas olham para mim com um bocadinho mais de estranheza. Mas a verdade é que vivo uma fase em que estou muito feliz e o mais preenchido possível. Sempre liguei muito pouco ao que os outros pensam e, de facto, estou muito alinhado comigo e isso vale mais do que tudo.
– Que ideia é que as pessoas têm de si?
– Tenho noção de que há pessoas que não conheço que gostam mesmo muito de mim, o que pode ser confrangedor. Como é que conseguimos criar isso sem conhecer pessoalmente determinadas pessoas? Há outras que não vão mesmo com a minha cara, outras há que me acham simplesmente uma figura televisiva simpática. Há de tudo. Mas, acima de tudo, as pessoas respeitam-me. As minhas decisões são pessoais, não imponho nada a ninguém, mas não deixo de gostar de ser o exemplo daquilo em que acredito.
– Sempre assumiu que não se alimenta da fama, nem gosta particularmente do seu lado mais intrusivo. Mas hoje consegue usar essa fama para veicular precisamente estas mensagens.
– Sim. Já que esta é uma condição inerente ao meu trabalho, parece-me que deverei – e atenção que eu não sou um príncipe dos bons valores, toda a gente tem um lado mais cinzento – passar as mensagens que me fazem sentido.
– E no meio disto tudo, a sua vida privada continuará sempre o mais privada possível?
– Sim, gosto de controlar aquilo que se sabe sobre a minha vida. Quem é que não precisa de vida privada? Faz parte da essência do que é ser humano. Ser famoso e ser reconhecido na rua é uma coisa muito recente na história do mundo. Para mim, a fama não é, de todo, a parte mais apelativa do meu trabalho.
– Se o seu futuro não passasse pela televisão, teria alguma mágoa?
– Não. Gosto muito de fazer televisão e de trabalhar com a SIC, mas sinto-me muito capaz noutras áreas. Não tenho essa dependência, o que me dá, de certa maneira, algum conforto. Não preciso disto nem de ninguém para me sentir bem comigo próprio. Estar vivo já é uma experiência tão interessante e tão rica, que não preciso de muito mais.
– Casar-se e ter filhos não enriqueceria essa experiência?
– Sim. Não escondo que gostava de ser pai. É uma oportunidade que a vida nos dá de estender vida, mas não tenho um prazo para isso. Quanto ao casamento, não tenho essa necessidade. Mas se estiver muito apaixonado e a pessoa quiser casar-se, talvez me convença com muita facilidade.
– É um romântico, na verdade.
– Tenho vindo a aperceber-me disso. Quer no amor, quer na amizade.

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