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Susana Barata, a mulher que conquistou o treinador do Benfica

No dia em que Rui Vitória festeja a vitória que deu o tetracampeonato ao clube da Luz, recordamos a entrevista à sua mulher, Susana Barata, em dezembro último. A professora de educação física conta como a vida familiar mudou desde que o treinador assumiu o comando técnico do Benfica.

Cláudia Alegria
13 de maio de 2017, 21:24

Já defendeu as cores do Vilafranquense, gritou pelo C.D. de Fátima, decorou o hino do F.C. de Paços de Ferreira e chorou pelo Vitória de Guimarães. Fez parte das claques dos vários clubes em que Rui Vitória, de 46 anos, trabalhou como treinador, mas só quando o técnico assumiu o comando da equipa do Benfica é que Susana Barata, de 39, percebeu que o campeonato era definitivamente outro. A assinatura do contrato com a equipa da Luz, em junho do ano passado, transformou a vida de toda a família. Começaram por ter de procurar uma nova casa, mais próxima do local dos treinos, e mudar de escola as filhas, Joana, de dez anos, e Matilde, de oito. Pouco depois, Susana descobriu que estava grávida do terceiro filho, Santiago, que nasceu no passado dia 23 de julho. Ainda a gozar a licença de maternidade, Susana, que sempre se dedicou à área do desporto, não esconde o desejo de regressar ao trabalho, embora admita que nesta fase seja importante acompanhar o homem por quem se apaixonou há 13 anos e por quem nutre uma enorme admiração.
– Quando é que o Rui Vitória surgiu no seu percurso? Em que circunstâncias é que se conheceram?
Susana Barata –
Através de um amigo comum, também professor, quando ambos dávamos aulas em Alverca.
– E como é que o desporto entrou na sua vida?
– Não tenho desportistas na família, mas aos 15 anos já sabia que era essa a área que queria seguir. Fiz ginástica acrobática durante muitos anos e quando fui para a faculdade, o objetivo era ser treinadora de ginástica. No final do primeiro ano percebi que ia ser difícil viver só da ginástica e descobri que adorava dar aulas de educação física. No final do curso, fui para uma escola de Portalegre. Entretanto, recebi o convite para trabalhar para o Instituto de Desporto com o desporto federado, um desafio que não tinha nada a ver com crianças: era trabalhar com dirigentes desportivos, secretários de Estado e ministros.
– O que é que a movia nessa altura?
– Sempre tive a aspiração de passar por tudo quanto eram cargos de desporto. Já fui professora, treinadora, dei aulas de fitness, trabalhei no desporto federado e no desporto escolar, só me falta o desporto autárquico.
– É o próximo objetivo?
– Agora não. Quando se passa pelo desporto escolar, não se quer outra coisa. É um trabalho de equipa e de interajuda, que são valores também do desporto, para fazer os eventos acontecer.
– Voltando à família: já tinham duas filhas e agora nasceu um menino. Foi planeado?
– O Santiago não foi, de todo, planeado. Ficámos os dois em choque, mas a verdade é que agora estamos deliciados, porque o Santiago é um doce.
– Agora com a vantagem de ter duas ajudantes em casa...
– É verdade. Às vezes tenho que lhes dizer para o largarem, porque dão-lhe tantos beijos que o irritam [risos]. Lá está, as mulheres quando gostam, sugam. Mas estão as três [contando com a filha mais velha do treinador, Mariana, de 17 anos] apaixonadas.
– Com tantas mulheres, como é o Rui quando chega a casa? Treinador de bancada?
– Em casa o Rui é treinador de bancada, sim, mas ninguém imagina como ele é quando consegue ‘desligar’ do futebol. É um paizão. Elas preferem desabafar com ele do que comigo, porque ele entende-as. É o herói delas.
– Ele consegue, então, desligar?
– Às vezes é difícil. Não temos televisão na cozinha, por isso, à refeição conversamos sobre a família. Depois de jantar há só uma televisão na sala. Eu já saí da equação, mas temos sempre disputa entre os canais desportivos e os dedicados a crianças e, por norma, elas ganham [risos].
– Chegaram a morar alguns anos separados, enquanto o Rui treinou clubes fora de Lisboa.
– Quando estava no Fátima, acumulava ainda a função de professor e treinador. Portanto, dava aulas de manhã, à tarde ia para Fátima treinar, e regressava todos os dias a casa. Não foi fácil. Quando recebeu o convite do Passos de Ferreira, como não sabíamos se ia correr bem, a família ficou cá. No ano seguinte, passou para o Vitória de Guimarães, que estava em fase de mudança, e eu fui ficando à espera de estabilidade. Quando se reuniram as condições para ir viver lá para cima, veio ele para Lisboa. Mas, enquanto ele lá esteve, eu ia lá todos os fins de semana e ele vinha cá todas as semanas.
– E a adaptação ao regresso foi fácil?
– Seria mais difícil se tivéssemos ficado na mesma casa, pois o Rui teria que se adaptar à nossa rotina, mas como ele gosta de viver perto do sítio onde treina, a opção foi mudar de casa e de escola. Portanto, toda a gente teve que se adaptar. Ficar em nossa casa também não teria sido uma boa opção, porque chegámos a ter vizinhos a bater à porta de nossa casa às nove da noite a pedir para tirar fotografias com o Rui...
– Aí percebeu que o campeonato era outro?
– O campeonato era definitivamente outro. Fazer uma refeição em família num restaurante passou a ser complicado. Mas faz parte, e nós adaptamo-nos.
– A vossa relação melhorou com a mudança e uma nova base familiar?
– A nossa relação sempre esteve muito bem assente, definida e estável. Estamos é a usufruir mais uns dos outros, enquanto família, nem que seja por estar a ouvi-los discutir por causa da televisão, o que é giro.
– Já falaram sobre a hipótese de um dia o Santiago querer praticar futebol?
– Pois... Não vou esconder que eu não gostaria. Já me basta um a sofrer. Apesar daquilo que as pessoas possam pensar, a vida de um jogador de futebol não tem graça nenhuma, não é fácil. Só uma percentagem mínima é que chega lá acima, e até lá…

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