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Francisco, o Papa que quer uma Igreja nova, mais humana e solidária

“Prefiro uma Igreja acidentada, ferida e enlameada por ter saído pelas estradas, a uma Igreja enferma pelo fechamento e a comodidade de se agarrar às próprias seguranças.”

Ana Paula Homem
13 de maio de 2017, 13:00

UMA LUTA CONTRA “AS MANCHAS DA IGREJA”
A 13 de março de 2013, dia em que foi eleito pelo Colégio Cardinalício o 266.º Sumo Pontífice da Igreja de Roma, o cardeal argentino Jorge Bergoglio apareceu pela primeira vez à janela do Palácio do Vaticano já como Francisco. A escolha do nome, em homenagem a S. Francisco de Assis, o santo dos pobres e humildes, era apenas a imediata demonstração de que o novo Papa pretendia inaugurar um estilo bem diferente de liderança do grande rebanho católico.
Francisco quer, acima de tudo, que o seu pontificado seja o do regresso da comunidade cristã aos grandes valores proclamados por Jesus – entre eles a humildade, a misericórdia e a solidariedade –, e apesar de não poder renegar em definitivo os luxos do Vaticano, não se deixa inebriar por eles. A renovação da Cúria Romana em que está firmemente empenhado – e que, como disse, não passa por lhe fazer um lifting, mas sim por lhe “limpar as manchas” – implica, também, a sua moralização a esse nível, nomeadamente através da transparência das finanças da Santa Sé e da atividade do Banco do Vaticano.
Como Papa, este jesuíta nascido na Argentina há 80 anos tem dado continuidade ao espírito que marcou o seu trabalho como padre desde o primeiro momento: a luta por uma sociedade mais justa, a defesa dos mais fracos, a indignação com todas as formas de corrupção, a atividade religiosa como serviço público. Para Francisco, o outro, seja ele quem for, tem sempre direito à esperança e, se verdadeiramente arrependido, ao perdão. E, por isso mesmo, tem promovido a aceitação da diferença, a compreensão da fragilidade humana, a abertura da Igreja ao tempo e à realidade do mundo atual.
FRANCISCO NÃO SE DEMITE DO SEU PAPEL DE ESTADISTA
Além de líder máximo da Igreja Católica, o Papa é, também, uma figura política, pois é chefe de um Estado independente, o Vaticano, no qual detém o poder legislativo, executivo e judicial. E, enquanto tal, é também o chefe máximo da diplomacia daquele Estado. Nesse papel, Francisco tem, a exemplo dos seus antecessores, apelado constantemente à consciência dos outros líderes mundiais, para que se unam por um mundo mais justo, mais igual, um mundo de paz, de pontes e não de muros, como referiu a propósito da intenção de Donald Trump de construir um muro na fronteira com o México. O seu contributo decisivo para o retomar das relações diplomáticas entre Cuba – que visitou em setembro de 2015, mantendo um encontro histórico e amigável com Fidel Castro – e os Estados, por exemplo, foi reconhecido pelos dois países.
Ainda a nível da política internacional, este Papa tem feito da premente e trágica questão dos refugiados um dos seus cavalos de batalha, com declarações como a que fez em fevereiro de 2016 num encontro com alunos de escolas jesuítas da Europa: “Encorajo-vos a acolher os refugiados nas vossas terras e nas vossas comunidades, para que a sua primeira experiência na Europa não seja a experiência traumática de dormir nas ruas frias, mas de acolhimento caloroso.”
Tem, também, trabalhado ativamente no sentido do diálogo ecuménico, promovendo encontros com os líderes de outras igrejas. Em outubro de 2016, a sua deslocação à Suécia para participar nas comemorações dos 500 anos da reforma de Lutero foi apenas uma das várias tentativas que já fez no sentido de aproximar os católicos dos professantes de outros credos.

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