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Clima de Guerra Fria na Casa Branca: ‘Primeira-filha’ ofusca primeira-dama

Com o destaque que o pai lhe dá, Ivanka soma pontos sobre Melania, que se tem deixado ficar à sombra.

Ana Paula Homem
13 de maio de 2017, 20:00

Não contente em dividir a “aldeia global”, o truculento Donald Trump precisa, também, de dividir para reinar na sua própria família. Para tal, tem instigado o ciúme e a inveja no 1600 da Av. Pensilvânia, Washington D.C, ou seja, na Casa Branca. Onde o clima de guerra-fria se sente no gelo de alguns olhares. Sobretudo, nos que trocam Melania e Ivanka Trump. Tudo porque, de dia para dia, o pai Trump dá mais protagonismo e poder à mais velha das suas duas filhas, que os americanos tratam ironicamente por ‘primeira-filha’, enquanto relega a mulher para um papel meramente decorativo, só a “exibindo” em ocasiões em que sente que a beleza dela pode ser um trunfo a seu favor.
Aos 35 anos, e dez anos depois de ter recebido do pai o cargo de vice-presidente executiva para a área da expansão mundial da Trump Organization, Ivanka está hoje presente na maior parte das reuniões da administração Trump e assiste, em lugar de destaque, a encontros do presidente dos EUA com líderes internacionais. Foi o que aconteceu a 13 de fevereiro passado, quando posou sentada à secretária presidencial da Sala Oval com o pai de pé, de um lado, e o primeiro-ministro canadiano, Justin Trudeau, do outro. Publicando depois a fotografia com a legenda: “Um ótimo debate com dois líderes mundiais sobre a importância de as mulheres terem um lugar à mesa.” E até já tem uma agenda internacional própria: a convite de Angela Merkel, Ivanka esteve na cimeira Women 20, que decorreu de 24 a 26 de abril, à margem da cimeira do G20 em Berlim, e reuniu figuras como a diretora do FMI, Christine Lagarde, ou a rainha Máxima da Holanda.
Apesar de oficialmente não ter nenhum cargo na equipa paterna, Ivanka – que se mudou com o marido, Jared Kushner, conselheiro principal do sogro, e os três filhos para Washington ao mesmo tempo que o pai – recebeu, inclusive, um gabinete de trabalho na Ala Oeste da Casa Branca. Esta semioficialização do papel da ‘primeira-filha’ junto do presidente aumentou o desconforto que a sua omnipresença vinha a provocar e instalou tal polémica nos meios políticos que o advogado de Ivanka, Jamie Gorelick, rapidamente veio esclarecer que ela não teria “um salário associado, funções formais atribuídas e [não fez] um juramento formal”, como seria necessário se se tratasse de um cargo oficial. Explicação que não mudou uma vírgula ao facto da rapariga Trump ser hoje considerada a segunda mulher mais poderosa do mundo, logo a seguir a Merkel. E a chanceler alemã nem sequer deve estar segura de não ser destronada em breve.
Enquanto isso, Melania, a bombástica ex-modelo eslovena de 47 anos com quem Donald, de 70, está casado em terceiras núpcias desde 2005 (mas com a qual, segundo pessoal doméstico da Casa Branca, já não partilha quarto), vai ficando na sombra, em Nova Iorque, só se deixando ver ao lado do marido em raras ocasiões, como por exemplo quando há receções na Casa Branca ou quando viajam para a sua residência californiana de Mar-a-Lago aos fins de semana. E, mesmo assim, Melania só vai a Mar-a-Lago quando os Trump-Kushner não vão.
É verdade que no passado dia 27, data do 47.º aniversário de Melania, Ivanka partilhou nas redes sociais uma foto das duas com a seguinte mensagem: “Parabéns à nossa primeira-dama (e a minha incrível madrasta!) Melania Trump. Um grande exemplo de bondade para todos nós. Desejamos-te um ano fabuloso.” E também é verdade que o próprio Donald Trump já se deu ao trabalho de defender a mulher em algumas ocasiões, nomeadamente numa conferência de Imprensa em garantiu que ela será “extraordinária” no seu papel de primeira-dama, pois tem “convicções muito fortes em relação às questões e às dificuldades das mulheres”, das quais, assegurou, “será uma grande defensora”. Na prática, no entanto, não se esforça minimamente por mostrar que a respeita ou que valoriza as suas opiniões.
Exatamente na mesma linha do pai, Ivanka também já lembrou várias vezes que “há uma primeira-dama”, mas não parece nem um pouco interessada em ceder à madrasta o lugar da ribalta. E, quando estão juntas, o sorriso que lhe dirige é, no mínimo, vitorioso.
Resta agora saber se em junho, quando Barron terminar o ano letivo – os estudos do filho têm sido a justificação para a permanência da primeira-dama americana em Nova Iorque –, Melania decidirá ocupar finalmente o lugar que é seu por direito ou se continuará a deixar-se ofuscar pela enteada. Seja qual for o caminho que escolher, um e outro parecem estar minados, pois vão comprar-lhe uma guerra menos fria que poderá ditar o fim do seu casamento. O que talvez não a incomode por aí além.

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