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António Reis, rosto do desporto a Norte: “O eu adepto não existe quando estou a trabalhar, sou isento”

Há 15 anos na SIC Porto, é hoje o ‘pivot’ do “Jornal de Desporto”, na SIC Notícias.

Joana Brandão
30 de abril de 2017, 12:00

Quando não está a trabalhar, está a ler ou no ginásio, a treinar. Em conversa com a CARAS, na marginal de Gaia, mesmo junto à Ponte D. Luís e com a Ribeira do Porto a servir de cenário, António Reis contou: “Não consigo passar um dia sem ler ou treinar. Tenho de ter tempo para fazer as duas coisas todos os dias.” Um equilíbrio que tem conseguido manter e que o ajuda a superar os desafios constantes da profissão.
Jornalista há mais de 20 anos, António está na SIC Porto há 15 e o futebol é a sua paixão. Recentemente, foi convidado para apresentar o Jornal de Desporto, às 16h30, na SIC Notícias, e tem-se revelado à altura do desafio.
Amigo do seu amigo, é conciliador e tem sempre um sorriso no rosto. O filho, de três anos, é a sua perdição. Um amor que não consegue descrever, mas que se sente quando fala de João, nascido da sua relação de nove anos com Raquel Loureiro.
– Faz parte da família da SIC Porto há 15 anos, mas até chegar à televisão passou por outros meios. Como foi o seu percurso?
António Reis – Comecei por estagiar no Jornal de Notícias, em 1995. Depois fui para o Jornal de Gaia e ainda para um jornal regional em Espinho. Em 1997 decidi fazer uma pausa no jornalismo e fui trabalhar para uma agência de publicidade, a mesma que fazia o programa Olha a SIC, que levava a imagem da SIC a todas as cidades do país. Nunca me tinha passado pela cabeça fazer televisão, sempre quis imprensa, porque gosto muito de escrever, mas foi uma experiência de que gostei bastante. No entanto, não era aquilo que eu queria fazer e a certa altura comecei a sentir saudades do jornalismo. Foi então que concorri para o Jornal Motor e retomei o curso, para fazer algumas cadeiras em falta. Em 1999, surgiu uma vaga no desporto da TSF e uma amiga, a Margarida Araújo, inscreveu-me para as entrevistas. Recordo-me de ter ido contrariado, por isso muito descontraído, e correu bem, de tal forma que me escolheram. Entrar para a TSF mudou completamente a minha vida, foi maravilhoso. De repente, vi-me a trabalhar com as pessoas que admirava: o Mário Fernando e a Paula Dias foram fundamentais e tiveram muito paciência comigo. Estive lá dois anos, até que recebi uma chamada do Carlos Rito, da SIC Porto. Fiquei a pensar e um mês depois aceitei, decidi arriscar e mudei-me para a televisão em 2002.
– Ao longo destes 15 anos, quais as reportagens que mais o marcaram?
– Como estou mais ligado ao desporto, o Euro 2004 e o Mundial de 2006 foram muito marcantes. No caso do Euro, por ser em Portugal, e no caso do Mundial, por ter sido transmitido pela SIC. Éramos uma equipa de 50 pessoas na Alemanha, estivemos lá mês e meio, foi uma experiência fabulosa. Ter a oportunidade de transmitir momentos tão importantes para Portugal é inesquecível.
– O futebol é uma área muito sensível. É fácil abstrair-se das suas preferências clubísticas?
– No futebol as pessoas ficam com as emoções à flor da pele, não é nada fácil, mas, felizmente, nunca tive nenhuma situação complicada. Relativamente ao meu clube, toda a gente sabe qual é, mas isso não interfere com o meu trabalho. Quando estou em reportagem, o meu clube é a SIC e os espectadores são os nossos adeptos. Não me passa mais nada pela cabeça. O eu adepto não existe quando estou a trabalhar. Sou isento.
– No ano passado estreou-se como pivot a apresentar o Jornal de Desporto das 16h30 a partir dos estúdio do Porto. Como tem corrido?
– Mais uma vez, surgiu-me uma oportunidade para a qual não tinha trabalhado. Ser pivot nunca foi um objetivo. Não é a minha praia, mas estou a aprender e com o tempo vou aperfeiçoando a minha prestação. Lembro-me da primeira vez que apresentei o jornal, com grande apoio do Luís Marçal. Foi muito engraçado! Tinha feito os testes, informalmente, e o Marçal disse-me para, no dia seguinte, levar camisa, gravata e blazer. Chamou-me para ver o alinhamento dele e disse-me para fazer o teste com o look mais formal, para ver como ficava. Fiz duas vezes e ele mandou-me para a maquilhagem, porque ia apresentar o jornal meia hora depois. Naquele momento aceitei o desafio e mandei-me de cabeça. Só quando ia em direção ao estúdio é que comecei a ficar nervoso, a ter noção do que ia fazer. E aconteceu!
– Agora que apresenta o jornal, tem mais cuidado com a imagem?
– Há coisas que tive de começar a fazer e que nem sempre fazia, como pôr um creme hidratante na cara. Como uso muita maquilhagem, por causa das luzes do estúdio, aconselharam-me a ter atenção à pele. E vou mais vezes ao barbeiro. Com o tempo, habituei-me a ver-me naquele papel, mas relativizo tudo. No fundo, continuo a gostar mais de fazer reportagem.
– Foi pai há três anos. O nascimento do João mudou muito a sua vida?
– Por completo! O João é um filho muito desejado, tudo o que eu e a Raquel sempre sonhámos. Quando peguei nele a primeira vez, tive a sensação de que o conhecia desde sempre. Foi a melhor sensação da minha vida. Continuo a não saber explicar a nossa ligação. É o meu orgulho!
– Tem alguns planos de futuro de que nos queira falar?
– Não tenho nada previsto, mas estou a viver uma nova fase. Há momentos que nos obrigam a pôr a própria vida em perspetiva e nos fazem dar importância às coisas mais simples e a quem nos está mais próximo. Hoje, consigo focar-me no essencial e não despender energias com o que não posso mudar. Aprendi a relativizar e ganhei qualidade de vida.

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