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Dulce Pontes garante: “Nunca deixei de ser quem sou nem de fazer o que me dá na gana”

Com quase 30 anos de carreira, a cantora relata a ‘peregrinação’ que tem feito pelos caminhos da música e da vida.

CARAS
25 de março de 2017, 10:00

Peregrinação é o mais recente trabalho de Dulce Pontes. E, de facto, nenhum outro título traduziria de forma mais fiel a procura musical e espiritual que a cantora empreendeu nos últimos anos. Nestes caminhos, a artista foi ‘apresentada’ a outras sonoridades, emoções e até formas de estar na vida. Há cerca de seis anos, mudou-se com o marido, Nuno, e os filhos, José, de 15, e Maria, de oito, para Samil, uma aldeia perto de Bragança. Foi neste seu reduto com vista para “um mar de bruma” que encontrou o silêncio e a solidão de que precisava para criar.
A promover este seu CD duplo, a cantora, de 47 anos, conversou com a CARAS, revelando a mulher e a artista que é depois desta demanda para encontrar o melhor de si.
– Esta Peregrinação foi uma experiência transformadora?
Dulce Pontes
– Sim! Sabe bem dizer que estou aqui, sobretudo depois de ter passado tanto tempo a trabalhar neste álbum. Experimentei muitos destes temas com o público e só depois os gravei. Gosto de experienciar essa sensibilidade que levo depois para o estúdio. Comigo, as coisas acontecem sempre um bocadinho ao contrário [risos]. O Peregrinação reflete não só as várias viagens que fiz, como também os momentos de muita concentração e solidão que vivi em Bragança. Muitos temas foram gravados na quietude do pequeno estúdio que tenho em casa, e que antes era uma adega. Essas madrugadas em casa permitiram-me experimentar muitas sonoridades. Os miúdos já estavam na cama, havia silêncio e só assim consegui fazê-lo. Essa peregrinação passa também por um olhar para dentro, uma espécie de viagem interna.
– E o que descobriu sobre si enquanto mulher e artista?
– Tenho vindo a descobrir... Quis transmitir os vários estados de alma de quem atravessa um caminho em busca de um bocadinho do divino. Como a arte busca a perfeição, há entre estas duas ideias uma conexão, porque a perfeição só existe mesmo num nível superior. Tenho como objetivo chegar às pessoas através da sensibilidade. Não tenho religião e a música acaba por ser o exercício da minha espiritualidade. Sou cristã, acredito em Cristo e em Deus como força criadora, mas não me encaixo em nenhuma religião. O facto de me poder expressar através da música é um privilégio e um dom enorme que Deus me deu. E tenho de o honrar.
– Deu títulos muito intimistas aos dois CD: Nudez e Puertos de Abrigo. Sente-se exposta neste trabalho?
– Procuro essa nudez sempre que subo ao palco e estou com o público. Somos todos som e estamos juntos a sentir e a fazer uma viagem. Este meio do music business não é muito dado à nudez e arriscamo-nos a sofrer bastante com isso. Mas para mim essa nudez está muito presente no palco. Peregrinamos por vários estados de espírito. E nos meus concertos o público faz essa viagem comigo. Não vale a pena fazer as coisas para o meu umbigo. Gostava que fosse um disco útil para o público, que o ajudasse na sua introspeção. Estar lá para as pessoas é a minha grande missão na música.
Leia esta entrevista na íntegra na edição 1128 da revista CARAS.
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Vídeo de 'making of' da sessão fotográfica que acompanha a entrevista:

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