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A história de João Bragança, presidente da Acreditar

A Acreditar apoia crianças com cancro e as respetivas famílias, disponibilizando, por exemplo, alojamento a quem está fora da zona de residência, assim como resolvendo questões logísticas.

Andreia Cardinali
12 de março de 2017, 18:01

Em 2001, João Bragança sofreu a maior perda da sua vida com a morte da filha mais nova, Madalena, vítima de cancro, aos sete anos. Foi nessa altura que conheceu a Associação Acreditar, que acolhe os pais e as crianças vítimas de cancro, assim como dá suporte social e emocional à família. “Ao conhecer a associação, quis fazer parte dela”, recorda. Foi convidado para integrar a direção, de que mais tarde foi eleito presidente. “Na altura fez-me muito bem conhecer outros casos e a verdade é que estar aqui faz parte do meu sentido de vida”, explica. “Acho que há que encontrar um sentido para aquele sofrimento e perceber para que é que as coisas nos acontecem e não porquê. Ao questionarmos ‘o para’, olhamos para a frente e não questionamos o passado, já que não há nenhuma justiça nem resposta para a morte de um filho. Decidi que estar aqui é o que tenho de fazer e já passaram 16 anos”, afirma.
Ao contrário do que seria de esperar, João confessa que a maio­ria dos pais que passa pela associação desconhece a sua história: “Nunca abordo o meu caso, porque ninguém quer ouvir o meu caso... A força do meu discurso só poderá servir para algo que seja demonstrar que, apesar da dor, é possível sobreviver.” Orgulhoso do trabalho de todos os que fazem parte da associação, explica como intervêm: “Nós atuamos entre o momento em que os médicos dizem aos pais que o filho deles tem cancro e aquele em que ouvem que o filho está curado, naquele momento que parece um espaço em branco onde ninguém está. Uma família de Beja, por exemplo, que vem para o IPO fazer tratamentos, está completamente perdida e deslocada. Nós damos uma casa, esta casa, pelo tempo que for preciso, ajudamos a resolver questões burocráticas, tapamos os buracos onde mais ninguém está. Dizemos a uma mãe: ‘vá às compras, nós ficamos com o seu filho...’ Os pais ficam perdidos.”

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