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Susana Vieira: “Quem disse que só se pode usar biquíni e minissaia aos 25 anos?”

Aos 74 anos, e tão ativa como sempre, a atriz brasileira, que neste momento está solteira, diz que não sabe viver sem amar.

Roberta Escansette / CARAS Brasil
5 de março de 2017, 14:00

Ao desembarcar na Ilha de CARAS, Susana Vieira, de 74 anos, inverte os papéis e é ela quem faz a primeira pergunta: “Posso ser eu mesma?” E foi assim, com autenticidade e bom humor, que a estrela da novela Os Dias Eram Assim, que estreia no Brasil em abril, se comportou. “No Brasil, franqueza é um defeito, mas para mim é qualidade. Não posso preocupar-me com quem não entende isso. Quem seria eu?”, questiona, às gargalhadas. Com a mesma garra com que entra num estúdio de gravação, a atriz sobe e desce pelas encostas da ilha para a sessão de fotos. Nos intervalos, pega no telemóvel para contar à família como está a ser o seu dia. “A única coisa que tenho segura é o amor deles. Mandei para o Bruno a foto do helicóptero em que vim”, conta a atriz, referindo-se ao neto mais novo, de 18 anos, que diz ser o mais parecido com ela.
Susana é ainda avó de Rafael, de 20 anos, ambos da relação do seu único filho, Rodrigo Vieira, de 52 anos, com Luciana Cardoso, de 48. Todos os quatro muito presentes na vida de Susana e preocupados com ela. “Outro dia o Rodrigo perguntou-me por que razão voltei a fazer uma peça se já não preciso”, comenta a atriz, que, com 56 anos de carreira, voltou este mês aos palcos em São Paulo na peça Uma Shirley Qualquer, de Miguel Falabella.
Atualmente solteira, Susana já foi casada três vezes e teve várias outras relações, algumas com homens muito mais novos. E diz: “Nunca vivi da minha beleza. Sempre me achei até meio feia. Mas fico ouvindo o tempo inteiro que sou linda. Então, caramba, ou estou louca ou as pessoas estão loucas. Acho que é do meu vigor que gostam.”
– A verdade é que tem paixão pela vida, não é?
Susana Vieira – Se há uma palavra que não tirei do meu dicionário é essa. O meu pai, Mário, dizia que não entendia como, aos 60 anos, eu continuava com “mania de homem”, dizia que eu não sossegava. E eu respondia-lhe que não conseguia. Não sei qual a idade em que uma pessoa deve parar de namorar. Mas percebo quando um homem não ama ou quando deixo de ter paixão por alguém. E encaro outras questões do mesmo modo. Quando dizem, por exemplo, que a partir de certa idade não se usa mais minissaia ou biquíni. Quem disse que só se podem usar com o corpo perfeito e aos 25 anos?
– Com tanta coisa que já fez, é mais difícil sonhar?
Não tenho sonhos. Quero continuar com saúde, alegria de viver e vendo o que pode ser feito para eu continuar sem stressar. Sou uma pessoa do zero ou do 80. Ou estou plácida na minha cama e não me levanto por nada, fico ali encantada com os meus cachorrinhos à volta, ou sou muito eloquente, no bom sentido. O meu caráter é de primeira. Fui criada com honestidade, ética e gentileza. E continuo igual. Às vezes, a vida vai-nos endurecendo. É óbvio que não sou uma menina que saiu do colégio agora. Sou uma mulher de 74 anos. Mas sinto-me igual a sempre, mental e fisicamente.
– No teatro interpreta uma mulher que vive no marasmo. Já passou por isso?
– Preciso de discordar! A vida de uma mãe nunca será assim! Tenho um filho de 52 anos e ainda “quebro” a cabeça com ele. Quando ele faz coisas erradas não me conformo. Preocupo-me quando viaja de avião. A relação afetiva da personagem é que cai no marasmo. É o que acontece com a maioria dos casamentos duradouros. Shirley, como muitas mulheres, é emocionalmente dependente do marido. E quando percebe isso, entra em pânico.
– Mas acredita que todas as mulheres são iguais?
– Sou como qualquer mulher. Sofro por amor. Fico à espera de um telefonema da pessoa que amo. É tudo igual: os cuidados com um filho, os sentimentos de saudade, de desarmonia ou de traição são iguais para todas. Acontece é que mulheres como a Shirley ficam afetadas quando os filhos saem de casa. Eu não sou agarrada assim. Mas também não criei um filho para o mundo! Gosto de tê-lo por perto. Assim como acho que como avó não tenho de ser educadora, tenho de ser afetiva.
– Acredita que é a sua autenticidade que a aproxima dos fãs?
– Poderia trabalhar num banco que seria exatamente a mesma: expansiva e comunicativa. Tenho um clube de fãs que me curte como pessoa física e me considera uma boa atriz. Não vou aproveitar isso? Sou chamada para fazer novelas, teatro, e vou dizer não? Enquanto tiver saúde, postura, coxa grossa, simpatia e jogo de cintura, jamais vou dizer não para a vida.
– Já declarou em entrevistas que é preguiçosa. Mas é difícil acreditar nisso ao ver a sua vivacidade...
– Mas é a pura verdade! Preciso de um empurrão e aí vou me envolvendo com um projeto. Fazer teatro, por exemplo, é uma mão de obra... Tira o fim de semana! É uma vida de entrega. Mas quando trabalho, o único dia que me deixa com preguiça é o domingo. É o dia em que as almas estão aquietadas, dos almoços de família...
– Como faz para não se repetir após mais de 50 novelas?
– Não sei se me repito, sinceramente. A grande diferença é o estilo de cada autor para criar as personagens. Mas sei muito bem qual é o meu talento e o meu temperamento. Entro em cena sem preconceitos. E não gosto de pôr “pregos” nos texto. Prefiro ser criadora na vida real, aí tenho um texto engraçado. E sei comunicar com todas as classes.

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