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Pedro Jorge Melo

Manuel Maria Carrilho volta a atacar Bárbara Guimarães para se defender em tribunal

O antigo ministro acusou a apresentadora de ser "uma vedeta que não suporta ser contrariada" e voltou a negar, durante horas, que alguma vez tenha sido violento com ela. No entanto, recusou responder a muitas perguntas feitas pelo Ministério Público e pelo advogado de defesa de Bárbara Guimarães.

Vanessa Bento
14 de fevereiro de 2017, 18:08

Uma semana depois de ter decidido falar pela primeira vez em tribunal, Manuel Maria Carrilho continuou a ser ouvido pelo Ministério Público. Mas, contrariamente ao discurso que teve na audiência passada, esta semana o antigo ministro mostrou-se mais periclitante, incorrendo em diversas contradições.
A primeira diz respeito aos filhos, Dinis e Carlota. "Não sou uma pessoa de escândalos públicos. Fiz tudo para que o caso pudesse ser resolvido discretamente. Mas não sabia o que era feito dos meus filhos, ninguém me dizia nada. Por isso, ia todos os dias tocar à campainha de casa para os tentar ver. Os meus filhos estavam sequestrados", garantiu. Contudo, e questionado pela Procuradora do Ministério Público sobre possíveis tentativas de os ver na escola, Carrilho atirou: "É evidente que não ia para a escola fazer números. E soube mais tarde que estiveram dez dias sem ir à escola". No entanto, mais à frente, acabou por se desmentir a si próprio: "Soube logo no primeiro dia que eles não tinham ido à escola".
Mantendo a ideia de que os filhos estiveram três semanas "sequestrados", Manuel Maria Carrilho negou que o tenham contactado, na altura, para fazer visitas mediadas pela ex-sogra e pela irmã, Ana. "Isso é uma aldrabice. Essa hipótese nunca me foi colocada. Daria muito jeito a uma acusação tão falsa que eu fosse tão perigoso que só poderia ver as crianças com outras pessoas", disse.
Afirmando que nunca discutiu com Bárbara Guimarães, a não ser por causa do seu alegado problema com o álcool, negando, novamente, que alguma vez tenha sido violento com ela, Carrilho sublinhou: "A única coisa de que podia ser imputado era a verdadeira devoção doméstica. Com tudo o que amparei e ajudei aquela mulher no último ano".
"A Bárbara tentou fazer um divórcio em 2013 da mesma forma que tentou fazer um casamento em 2001: à margem da lei. Ela é uma vedeta que não suporta ser contrariada em absolutamente nada", afirmou o ex-ministro, referindo-se ao facto da apresentadora ainda estar casada com Pedro Miguel Ramos quando ela e Carrilho decidiram casar.
Durante a manhã desta segunda-feira, dia 13, Manuel Maria Carrilho continuou a defender a ideia que veiculou na semana passada, de que tudo isto não passa de um plano estrategicamente montado pela ex-mulher. Mas quando confrontado com a Procuradora do Ministério Público, que lhe disse que, sendo assim, este era "um plano muito coxo", dadas as faltas de provas concretas e queixas na polícia, Carrilho atirou: "A impunidade não permite fazer bons planos. É um plano cheio de buracos, que não tomou em consideração muitas coisas, como a minha relação umbilical com os meus filhos".
A dada altura, o arguido chegou mesmo a dizer: "A Bárbara ia às bruxas. Ela fez várias consultas e numa delas disseram-lhe que ia ser primeira dama. Coisa que passava ao lado do meu desígnio de vida. Para mim, ela era a minha primeira dama".
Confrontado com o impacto que as entrevistas que deu, onde não se coibiu de apontar publicamente o dedo a Bárbara Guimarães, poderiam ter no filho, Manuel Maria Carrilho ripostou: "Nunca mostrei qualquer publicação ao meu filho. O Dinis foi confrontado com a situação de ficar sem o pai de um dia para o outro e a mãe só lhe disse que um dia ele ia perceber. Como ele diz, até hoje está à espera. Tenho um comportamento de absoluta verdade com os meus filhos. Sempre que o Dinis me perguntou alguma coisa, eu respondi-lhe com a verdade".
No entanto, custou-lhe recordar, com verdade e exatidão, se Dinis viu, alguma vez, a mãe alcoolizada. "Muitas vezes. O Dinis passou dois anos a ver a mãe alcoolizada", começou por dizer para, logo a seguir, retificar: "Algumas vezes". Mas esta não foi a versão final. "Viu poucas vezes porque se alcoolizava à noite. Ele observava que a mãe bebia bastante". Até que terminou o assunto, admitindo: "O tema do álcool nunca existiu com as crianças até 18 de outubro".
Ainda em resposta ao Ministério Público, que lhe perguntou se "desejava manter este casamento", Carrilho afirmou: "Foi de alguma generosidade aceitar ter filhos aos 53 e 59 anos. (...) Todos os casamentos têm dificuldades. A Bárbara jurava amor eterno. Mas sabendo que era uma fase difícil, para mim não era uma fase terminal".
À tarde, o antigo ministro começou a responder às questões de Pedro Reis, advogado de defesa de Bárbara Guimarães. Inflamado, Reis começou a sua intervenção sublinhando: "Senti-me revoltado com as declarações do arguido". E começou por questionar Carrilho se reconhece alguma qualidade a Bárbara, já que, até agora, o ex-ministro só lhe apontou defeitos. "Simpatia", respondeu ele que, na semana passada, fez questão de frisar que "todas as pessoas simpáticas são manipuladoras". "E reconhece em si algum defeito?", atirou Pedro Reis. "Ingenuidade", disse Carrilho.
Numa troca de perguntas e respostas mais inflamada, marcada por vários sorrisos da juíza a cada tirada de Carrilho, este disse: "Assinei o acordo de divórcio sob coação psicológica, completamente desorientado, tive que receber apoio psicológico. Cheguei a pesar 56 quilos. Só assinei este acordo para poder ver os meus filhos". E ainda acrescentou: "A Bárbara deu-me o golpe do baú. É por isso que lhe chamo ladra. Chamei, chamo e chamarei até me serem devolvidos os meus bens".
Porém, e aconselhado pelo seu advogado, Manuel Maria Carrilho recusou responder a Pedro Reis, quando este falou sobre o relatório do pedopsiquiatra Pedro Strecht, onde é dito que Carrilho "é um grandessíssimo manipulador dos seus filhos”, tendo-se calado, também, quando Reis o recordou das declarações do “seu filho Zé Maria que também o considera um grande manipulador”.

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