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Especial Mário Soares: O Homem que Dominou a Politica na Segunda Metade do Séc. XX

A política fazia parte do material genético de Mário Soares, estava-lhe na massa do sangue transmitido pelo pai.

CARAS
29 de janeiro de 2017, 11:00

O filho de João Lopes Soares ainda frequentava o colégio paterno quando, em 1942, influenciado por um professor, Álvaro Cunhal, aderiu ao Movimento de Unidade Nacional Antifascista, ligado ao PCP, e ao Movimento de Unidade Democrática – MUD. Anos depois, o aprendiz virar-se-ia contra o mestre: Mário Soares transformar-se-ia num dos maiores rivais políticos de Cunhal, aquele que lhe travaria em definitivo o sonho de transformar Portugal no primeiro país comunista da Europa Ocidental.
Se os ensinamentos e o exemplo paternos foram decisivos para fazer germinar a consciência política de Soares ainda na adolescência, para o despertar do ativismo seria fulcral a entrada para o meio académico, viveiro efervescente de opositores à ditadura de Salazar. Primeiro na Faculdade de Letras, onde se licenciou em Ciências Histórico-Filosóficas em 1951, depois na de Direito, que concluiu em 57, rodeou-se de um grupo de amigos anti-regime. Entre eles a sua futura mulher, Maria Barroso.
Em 1949, como membro do MUD, Soares apoiou a candidatura à Presidência da República do general Norton de Matos. Em 55, afastado do PCP, fundou a Resistência Republicana e Socialista, através da qual entrou, no ano seguinte, para o Directório Democrato-Social. Em 58, apoiou a candidatura de Humberto Delgado e, após a morte do general, representou a família deste na investigação do seu assassinato, às mãos da PIDE. Em 65, candidatou-se a deputado, pela Oposição Democrática, e, em 69, pela Comissão Eleitoral de Unidade Democrática.
Ao longo destes anos, Mário Soares foi preso 12 vezes pela PIDE, cumprindo um total de quase três anos de cadeia e sendo deportado sem julgamento para S. Tomé, em 68. Em 1970, exilou-se em França, onde continuou a sua luta, fundando, em abril de 1973, num congresso em Bad Münstereifel, na Alemanha, o Partido Socialista, do qual seria secretário-geral até 1986, ano em que chegou ao cargo máximo da nação.
Pelo meio ficavam 12 anos em que, ora assumindo cargos governativos, ora liderando a oposição, nunca deixou de estar bem no centro da ribalta política portuguesa e internacional.
Quando, em março de 1996, terminou o segundo mandato em Belém, tudo levava a crer que Mário Soares se afastaria da política ativa. Engano: em 99 concorreu às Europeias, cumprindo um mandato como eurodeputado e, em 2006, aos 81 anos, enfrentou Manuel Alegre numa luta fratricida por uma nova Presidência. Perdida para Cavaco Silva.

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