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Especial Mário Soares: Maria Barroso, companheira de vida e de lutas durante 70 anos

Maria já estava grávida quando, a 22 de fevereiro de 1949, se casaram por procuração, pois o noivo estava preso no Aljube. Apesar de só a morte da ex-primeira-dama os ter separado em definitivo, a sua longa vida conjugal seria, desde esse primeiro momento, marcada pelas sucessivas ausências de Soares, ora por estar preso, ora por estar exilado.

CARAS
28 de janeiro de 2017, 13:00

Mário Soares conheceu Maria de Jesus Barroso, cinco meses mais nova, em 1945, nos corredores da Faculdade de Letras, onde ambos estudavam Ciências Histórico-Filosóficas. E depressa se perdeu de amores por esta colega elegante, de feições delicadas, olhar expressivo e voz harmoniosa, que já de destacara como atriz no D. Maria II, onde se estreara com apenas 18 anos, ainda aluna do curso de Arte Dramática do Conservatório Nacional, a convite de Amélia Rey Colaço.
Culta, educada, sensível, Maria Barroso tornava-se vibrante quando o tema de conversa lhe era caro. E porque cresceu a visitar o pai, oficial do exército anti-salazarista, nos calabouços da PIDE, a política era um desses temas. “Queria defender os pobres, os desalinhados, os injustiçados… O meu marido queria fazer o mesmo”, disse a antiga primeira-dama na última entrevista que deu, ao jornal I, em maio de 2015, por ocasião do seu 90.º aniversário. Morreria dois meses depois, a 7 de julho.
Maria já estava grávida quando, a 22 de fevereiro de 1949, se casaram por procuração, pois o noivo estava preso no Aljube. Apesar de só a morte da ex-primeira-dama os ter separado em definitivo, a sua longa vida conjugal seria, desde esse primeiro momento, marcada pelas sucessivas ausências de Soares, ora por estar preso, ora por estar exilado.
Apesar de ser de têmpera forte, de cultivar ideias próprias e de ter tido uma vida politicamente ativa (foi o único elemento feminino a integrar o grupo que fundou o PS na Alemanha, partido pelo qual foi deputada em várias legislaturas), Maria Barroso era abnegada como a maio-
ria das mulheres do seu tempo. Assumiu-o ao falar da sua relação com o marido na já referida entrevista ao I: “Tive sempre a ideia de não fazer nada que o enervasse e o contrariasse, por isso estamos casados há 66 anos. E acredite nisto, temos uma relação excelente que é fruto dessa compreensão. (...) Quando vejo o meu marido, vejo exatamente o mesmo homem que conheci há 70 anos. Com a mesma ternura, a mesma simpatia e a mesma admiração por tudo o que foi a sua vida. E sem perder a independência de termos várias vezes opiniões diferentes. Respeitámo-nos sempre.”
Deste casamento nasceram dois filhos, João, em agosto de 1949, que frequentou Direito e seguiu as pisadas do pai na política, e Isabel, em janeiro de 51, que se formou em Psicologia e está há muito à frente do colégio fundado pelo avô e durante anos dirigido pela mãe. Só João se casou, duas vezes. Com a primeira mulher, Maria Olímpia, teve três filhos, Inês, de 40 anos, arquiteta, Mafalda, de 35, médica, e Mário, de 30, licenciado em História. Com a segunda, a belga Annick Burhenne, tem dois filhos, Jonas, de 13 anos, e Lilah, de nove.
Em 2011, no lançamento de um dos livros de Mário Soares, o filho do antigo Presidente assegurou à CARAS: “Sempre foi um pai muitíssimo bom, em relação ao qual não há queixas, só elogios a fazer. Sempre esteve atento às grandes linhas da nossa educação. O meu pai tem um dos percursos mais ricos da nossa terra. É uma figura marcante deste último século.”

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