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Morreu Mário Soares

Antigo Presidente da República tinha 92 anos e estava hospitalizado desde o dia 13 de dezembro.

CARAS
7 de janeiro de 2017, 15:51

Mário Soares morreu este sábado, 7 de janeiro, aos 92 anos, no Hospital da Cruz Vermelha, onde estava internado desde o passado dia 13 de dezembro.
O estado de saúde do antigo Presidente da República ainda registou melhorias, tendo saído dos cuidados intensivos para a unidade de internamento, mas voltou a agravar-se na manhã de 24 de dezembro. Desde então, continuou sempre a piorar, embora os sinais vitais se mantivessem sem necessidade suporte técnico. No dia 26, o porta-voz do hospital adiantou que Soares se encontrava “em coma profundo”.
Poucos dias após o internamento, o médico Eduardo Barroso, sobrinho de Mário Soares, disse que este já não estava consciente. "São 92 anos de um homem que já estava fragilizado, que ficou muito mais fragilizado depois da encefalite e ainda mais depois de ter perdido a sua mulher [Maria Barroso]", adiantou à saída da referida unidade hospitalar, onde foi visita assídua nas últimas semanas. “A família está muito preocupada há muitos anos, desde o pós-encefalite. O facto de ter perdido a mulher, uma companheira de uma vida, tudo isso tem levado o tio Mário a estar diferente”, deixando claro que nos últimos tempos eram notórias as “alterações do estado de consciência”. “São 92 anos muito vividos, mas com uma grande queda nos últimos tempos”, admitiu.
A última vez que o antigo chefe de Estado foi visto em público foi precisamente neste hospital, a 28 de setembro, quando Marcelo Rebelo de Sousa prestou homenagem à sua mulher, a antiga presidente da Cruz Vermelha Portuguesa Maria de Jesus Barroso.
Mário Soares, de seu nome completo Mário Alberto Nobre Lopes Soares, nasceu a 7 de dezembro de 1924, em Lisboa. Sendo filho de Elisa Nobre Soares e de João Lopes Soares, professor, pedagogo e político da Primeira República, foi com naturalidade que seguiu a carreira política. As ideias contra o Estados Novo, que despertaram quando ainda era estudante da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, fizeram-no ir preso 13 vezes pela PIDE – num total de cerca de três anos – e deportado para São Tomé, onde passou quase um ano, em 1958.
Em 1951, após concluir o curso de Ciências Histórico-Filosóficas, começou a estudar Direito, tendo terminado o curso seis anos depois.
Em 1971, devido às constantes perseguições da polícia política pelas suascríticas ao regime, viu-se obrigado a procurar refúgio em Paris. Dois anos depois, e ainda a viver na capital francesa, foi um dos fundadores do Partido Socialista, do qual foi o primeiro secretário-geral.
O regresso a Lisboa aconteceu em 1974, logo após o 25 de Abril, tendo sido chamado a assumir o cargo de ministro dos Negócios Estrangeiros, que, na época, passava essencialmente pelas negociações que conduziram à independência das colónias portuguesas. Foi primeiro-ministro 1976 e 1978 e 1983 e 1985, tendo sido um dos principais impulsionadores da entrada de Portugal na Comunidade Europeia, atual União Europeia.
Foi eleito Presidente da República em dois mandatos consecutivos, tendo ocupado o cargo entre 1986 e 1996. A sua vontade de estar próximo do povo, de conhecer as necessidades do eleitorado no terreno, deram uma nova perspetiva sobre o papel de chefe de Estado.
Depois foi eurodeputado no Parlamento Europeu, escreveu, dedicou-se à fundação com o seu nome e participou em inúmeros congressos e debates.
Ao longo de uma vida muito preenchida contou sempre com o apoio incondicional da mulher, Maria de Jesus Barroso, sua colega de faculdade e com quem partilhou 70 anos de amor. Juntos tiveram dois filhos, João e Isabel Barroso Soares, e após a morte desta, no dia 7 de julho de 2015, o seu estado tinha vindo a degradar-se.

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