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Mário Soares: Uma vida dedicada à política

O antigo Presidente da República morreu este sábado, 7 de janeiro, aos 92 anos.

CARAS
7 de janeiro de 2017, 15:55

Mário Soares, de seu nome completo Mário Alberto Nobre Lopes Soares, nasceu a 7 de dezembro de 1924, em Lisboa. Sendo filho de Elisa Nobre Soares e de João Lopes Soares, professor, pedagogo e político da Primeira República, foi com naturalidade que seguiu a carreira política. As ideias contra o Estados Novo, que começaram quando ainda era estudante da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa fizeram com que fosse preso 13 vezes pela PIDE – num total de cerca de três anos – e deportado para São Tomé, onde passou quase um ano, em 1958.
Em 1951, após concluir o curso de Ciências Histórico-Filosóficas, começou a estudar Direito, tendo terminado o curso seis anos depois.
Em 1971, devido às constantes perseguições da polícia política pelas suas ideias opositoras ao regime, viu-se obrigado a procurar refúgio em Paris, França. Dois anos depois, e ainda a viver na capital francesa, foi um dos fundadores do Partido Socialista, do qual foi o primeiro secretário-geral.
O regresso a Lisboa aconteceu em 1974, logo após o 24 de Abril, tendo sido chamado a assumir o cargo de ministro dos Negócios Estrangeiros, que, na época, passava essencialmente pelas negociações que conduziram à independência das colónias portuguesas. Entre 1976 e 1978 e 1983 e 1985 foi primeiro-ministro, tendo sido um dos principais impulsionadores da entrada de Portugal na Comunidade Europeia, atual União Europeia.
Foi eleito Presidente da República dois mandatos consecutivos, tendo ocupado o cargo entre 1986 e 1996. A sua vontade de estar próximo do povo, de conhecer as necessidades do eleitorado no terreno, deram uma nova perspetiva sobre o papel de chefe de Estado.
Depois foi eurodeputado no Parlamento Europeu, escreveu, dedicou-se à fundação com o seu nome e participou em inúmeros congressos e debates.
Ao longo de uma vida muito preenchida contou sempre com o apoio incondicional da mulher, Maria de Jesus Barros, sua colega de faculdade com quem partilhou 70 anos de amor. Juntos tiveram dois filhos, João e Isabel Barroso Soares, e após a morte desta, no dia 7 de julho de 2015, o seu estado tinha vindo a degradar-se.
Morreu este sábado, 7 de janeiro, aos 92 anos, no Hospital da Cruz Vermelha, em Lisboa, onde estava internado desde a madrugada do dia 13 de dezembro.

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