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Henrique Feist: “Não se pode criar nada para o próprio umbigo”

“Não posso deixar de acreditar no meu país. Tenho esperança que as coisas mudem. O defeito não está no público, mas sim em quem manda.”

Andreia Cardinali
7 de janeiro de 2017, 14:00

Henrique Feist, de 44 anos, chegou ao encontro marcado com a CARAS tranquilo, mas sempre atento ao telefone, já que a sua vida não lhe dá um minuto de tréguas. Seja porque está com um espetáculo em palco ou a idealizar o que fará a seguir, assume com um sorriso que é um workaholic. Mas diz que só poderia ser assim, porque os pais sempre lhe ensinaram que “quando queremos algo temos de trabalhar muito. Nada aparece de mão beijada.”
Com o musical Quase Normal em cena no Auditório do Casino Estoril, espaço que explora há dois anos, o ator, encenador, bailarino e cantor aproveitou uma pausa entre espetáculos para conversar connosco sobre este projeto e sobre a forma como uniu a sua vida pessoal à profissional, já que o seu marido, o ator Ricardo Spínola, está sempre a seu lado.
– Adaptou, traduziu, encenou e protagoniza este musical. Um projeto intenso e desafiante...
Henrique Feist – Muito intenso! Quis fazer este espetáculo porque sai do âmbito comercial. É um musical dramático, que aborda a bipolaridade. Queria um projeto contemporâneo e que obrigasse a um debate. Temos muitas pessoas que só assumiram ser bipolares depois de assistirem à nossa peça e outras que disseram aos seus psicólogos para virem assistir. Isso é muito gratificante.
– Chegar a casa e desligar deve ser tarefa impossível...
Não desligo nunca. Para este projeto, dormi sempre com um bloco de notas ao lado da cama e acordei muitas vezes a meio da noite para escrever as ideias que estava a ter.
– A exigência do público obriga à excelência?
Claro, não se pode criar nada para o próprio umbigo. O público está cada vez mais exigente. Hoje há muitas formas de comparar projetos e espetáculos, em especial através da internet, e isso faz com que as pessoas tenham um sentido crítico muito mais apurado.
– Depois de ter estudado e trabalhado tantos anos no estrangeiro, e num país como o nosso, onde a cultura nem sempre é muito bem tratada, porque continua a apostar em Portugal?
Porque não posso deixar de acreditar no meu país! Tenho esperança que as coisas mudem. O defeito não está no público, mas sim em quem manda. A cultura é o cartão de visita de um país, e enquanto os políticos não se aperceberem disso, não vamos a lado nenhum. Acho que há uma falta imensa de respeito pela cultura e pelos artistas.
– Como lida com os altos e baixos da carreira?
Graças a Deus não tive muitos altos e baixos, porque não espero que o trabalho apareça. Se não aparece, crio, invento e ponho em cena. Tenho de viver, comer, e luto para conseguir fazer as coisas.
– Então já deve ter projetos para o próximo ano...
Pois [risos]! No verão vamos fazer um projeto sobre a Motown e em setembro vamos ter uma nova peça, mas ainda não posso dizer qual. E vamos manter o Quase Normal.
– Como é que o Ricardo lida com o facto do Nuno trabalhar tanto?
Ele está quase sempre comigo. Quando venho para o Casino, ele vem também e ajuda-me em tudo o que seja preciso.
– Costuma fazer balanços no final do ano?
Os meus balanços são constantes, são mensais, nós trabalhamos à bilheteira... E a nível pessoal, também não faço a minha sinopse anual no 31 de dezembro. Avalio-me e faço balanços todos os meses. Quanto a este ano, foi muito bom, mas com muita luta e dedicação.

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