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Tim Madeira: “Tudo me inspira, sou um observador compulsivo”

Tim Madeira é um artista realizado, com vários projetos em mente. Por isso, este Natal o melhor presente que lhe podem dar é “muitas tintas para o atelier”. Termina o ano com dois trabalhos novos para apresentar e várias exposições agendadas para 2017.

Sónia Salgueiro Silva
1 de janeiro de 2017, 13:00

Aos 61 anos, o artista plástico Tim Madeira sente-se realizado e feliz. Diz que faz projetos para ele e não para vender, mas que acaba sempre por ver o seu trabalho reconhecido. Por isso, o balanço que faz de 2016 é muito bom, e antevê um 2017 ainda melhor. Por isso, diz que nesta época, o melhor presente que lhe podem dar é “muitas tintas para o meu atelier”.
– Termina o ano com um projeto novo na agenda, o Stor­ming Artists.
Tim Madeira – Sim, inaugurei essa exposição no Espaço Exibicionista, na Estefânia, em parceria com o fotógrafo António Alves da Costa. São oito fotografias originais dele, de pormenores do meu corpo – os pés, as mãos – que depois foram impressas em tela e que eu reinterpretei segundo a minha arte. Gosto imenso de trabalhar com outros artistas de áreas diferentes, descubro sempre coisas novas.
– É isso a alma de artista...
– Sim, é uma inquieta­ção que nos motiva. Sou um observador compulsivo. Tudo me inspira. Qualquer coisa. Quase sempre quando estou sozinho, porque estou focado. Quando me fecho no atelier e estou a trabalhar, esqueço-me que o mundo existe. Esqueço-me de comer, de tomar banho... Tenho um lado completamente infantil e do disparate e vou experimentando.
– A arte, para si, tem um lado terapêutico?
– Não sei, mas é o meu modo de vida. É tudo o que me fascina e desde que me lembro que só queria ser artista. Sou filho de pais artistas, logo...
– Filho de peixe sabe nadar?
– Não necessariamente. Tenho uma irmã que é engenheira informática. É fascinada pelo meu trabalho, mas não entende nada.
– E em sua casa foi tudo relativamente simples quando disse que queria ser artista?
– Nem por isso. O meu pai e o meu avô eram arquitetos e quando eu disse que queria ir para Belas Artes, os meus pais disseram: “Tudo bem, então tira arquitetura e depois, se quiseres pintar, pinta.” Mas o curso deu-me imenso jeito para ter a noção de espaço, de dimensão, para não me assustar com espaços em branco, com telas vazias.
– Costuma ter bloqueios?
– Nunca me aconteceu. Nem me assusta, estou sempre a inventar coisas novas.
– Como, por exemplo, estas bolas com que fotografou hoje?
– Sim, são completamente recicladas. Iam para o lixo e perguntaram-me se as queria aproveitar. Eu quis.
– No Natal também “constrói” a decoração de casa?
– Sim, mas tudo muito simples. Não gosto muito do Natal. Já gostei, quando era miúdo. Como fiquei sem pais muito cedo, tinha 20 e poucos anos, eu e a minha irmã perdemos um bocado o espírito. Hoje é tudo muito consumista. Mas passamos sempre o Natal em família e faço as prendas dos meus amigos.
– Que recordações guarda dos Natais da sua infância?
– O espírito de família, a ternura, os presentes.

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