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Maria Filomena Mónica confidencia: “Se não escrevesse, entrava em depressão”

Há cerca de dois anos, a socióloga descobriu que tem um tipo raro de cancro. Contudo, não baixou os braços nem parou de escrever. ‘Os Pobres’ é o seu mais recente livro.

CARAS
31 de dezembro de 2016, 11:00

Foi sem pudores ou subterfúgios que, durante a apresentação do seu mais recente livro, Os Pobres, Maria Filomena Mónica partilhou com a plateia como tem vivido depois de lhe ter sido diagnosticado um cancro: “Quando em novembro [do ano passado] fiz a apresentação do livro A Minha Europa, pensei mesmo que iria morrer brevemente. Mas, graças à medicina moderna e aos cuidados dos meus médicos e da minha enfermeira, continuei a viver com um grau razoável de qualidade de vida. Quem está doente precisa de ajuda, que foi uma das coisas que me custou muito, essa dependência das pessoas. O António [Barreto, o seu marido] foi muito importante em coisas muito concretas, como verificar se tinha tomado as pastilhas todas. Os meus filhos, a Sofia e o Filipe [Pinto Coelho], cada um à sua maneira, impediram que me deixasse enredar pelo meu pessimismo congénito. E os meus netos, Rita, Joana e Miguel, que cá estarão quando tiver partido.”
No prefácio deste livro, a autora evidencia ainda mais os seus sentimentos, fazendo uma verdadeira declaração de amor ao marido: “A quem, como eu, se gabava de não precisar de ninguém, não foi fácil habituar‑me à condição de doente oncológica (...). Sei agora o que é precisar de alguém, como sei o que é o amor. Foi o António quem me ensinou.”
Além de estar mais consciente das suas emoções e necessidades, Maria Filomena Mónica mostra ainda neste prefácio como passou a dar mais valor às alegrias do dia-a-dia: “A clausura fez‑me descobrir o prazer das pequenas coisas: as séries televisivas que o António encomendava na Amazon para vermos ao serão, as fotografias que a minha neta Rita me enviava de Heidelberga, as conversas com a minha neta Joana às quintas‑feiras, os jogos infantis com o meu neto Miguel, os requeijões que a minha filha me trazia, os CD malucos que o meu filho me oferecia e a beleza do jardim em frente do local onde trabalho.”
Não obstante as dificuldades físicas e emocionais que enfrenta diariamente, a autora confessou à CARAS que tem na escrita uma ‘aliada’ nesta luta contra a doença: “Descobri que se não escrevesse, entrava em depressão. Ao ter algo para escrever, tinha mesmo de sair da cama. Este livro também me ajudou a não pensar na morte. Portanto, de alguma maneira, substituiu o psiquiatra. Não estou melhor, porque é incurável, mas pode ser que os novos medicamentos que estão a descobrir possam prolongar a vida.”

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