Nas Bancas

Margarida Rebelo Pinto: “Já vivi o meu grande amor. Não sei se virá outro, acho difícil”

No seu novo livro, “O Meu Amor Existe”, a autora (fotografada pela CARAS no Rio de Janeiro) mostra uma faceta até agora desconhecida: poemas que escreveu ao longo da vida.

Vanessa Bento
31 de dezembro de 2016, 16:00

“Os místicos dizem que o meridiano do Rio de Janeiro está situado no chacra do coração”, diz Margarida Rebelo Pinto. Talvez por isso, a cidade maravilhosa ocupe um lugar tão especial na vida da autora. Afinal, foi lá que encontrou o seu lugar quando percebeu que o filho, Lourenço, de 21 anos, já não precisava tanto dela e também foi lá que se encontrou, através da paz interior que a meditação lhe trouxe. “Já que vivemos aprisionados no nosso próprio corpo e espírito, que o espírito não seja tirano, que seja um hóspede da alma, e que estar dentro do nosso corpo seja uma viagem e não uma prisão. Tive uma educação católica, sempre fui uma boa cristã, mas nunca fui uma católica fervorosa, portanto, sempre tive um apelo da espiritualidade que encontrou a sua paz e o seu aconchego interior na meditação”, confessa a escritora, que acaba de lançar o seu 24.º livro, O Meu Amor Existe.
– Quanto deste livro é que é de facto a Margarida?
Margarida Rebelo Pinto – Muito. Desde o Diário da Tua Ausência, que é uma grande carta de amor, que não escrevia um livro que desse tanto de mim. Este recolhe muitos textos, poe­mas, pensamentos e desabafos que estão espalhados na minha vida ao longo do tempo. Criei uma espécie de diário de uma paixão, que é real na sua essência, mas completamente ficcionada no tempo e nos lugares. Portanto, aqueles lugares que aparecem no livro, que são onde me sinto em casa e onde gosto de escrever, nem sempre correspondem aos textos, tal como as datas. Mas é um livro muito do coração.
– É dona do seu coração?
– Tem dias [risos]. Sou dona do meu coração, mas passei um período grande de solidão quando o Lourenço cresceu e foi à vida dele e esteve um ano fora. Também foi por isso que comecei a vir para o Rio de Janeiro, cidade que se tornou uma segunda vida e hoje estou cá como em casa.
– E deixa que lhe roubem o coração?
– Só de dez em dez anos.
– Porquê?
– Porque os corações são órgãos frágeis e têm que ser protegidos.
– Já viveu o seu grande amor?
– Já, já vivi o meu grande amor. Não sei se virá outro, acho difícil.
– Perante essa constatação, como é que encara o amor que ainda tem por viver?
– Espero sempre o melhor da vida. Mas acho que há um fator aleatório, que tem a ver com o timing, o momento em que as pessoas se encontram. Não escolhemos por quem nos apaixonamos, não escolhemos quando deixamos de estar apaixonados... O amor é muito aleatório e misterioso. Quanto mais escrevo sobre ele, menos sei, mas não estou preocupada. A vida é mesmo assim e é preciso ter sorte e acertar no tempo e no modo. E, de facto, há pessoas a quem sai a lotaria da vida, que conseguem ter tudo em todas as áreas, mas são poucas ou nenhumas. E a vida é assim, não se consegue tudo e isso não é mau. Mas sou muito sonhadora e... Enfim, não faço previsões.
– Como é que se refaz de um amor que se perde?
– Respiro fundo, faço muito desporto, trato-me bem e olho para o futuro. Tento não perder muito tempo a pensar no passado. O problema dos escritores é que vivem o mesmo amor várias vezes: quando o estamos a viver e quando estamos a escrever sobre ele. E aquilo que nos alimenta também nos mata. É uma vivência muito intensa a nível emocional. Não há nenhum pensamento, por mais válido que seja, que consiga apagar um sentimento.
– No livro, escreve que acredita “numa vida a dois em que a rotina não mata o desejo”. É isto que faz uma relação durar?
– Sem dúvida. Além da solidariedade, do espírito de equipa e da divisão das tarefas familiares, se não houver desejo nem chama é a mesma coisa que gerir um infantário com outra pessoa. É uma sociedade. Mas eu sou um caso muito especial, porque sou filha de um casamento muito feliz e os meus pais mostraram-me que felicidade, sexualidade, conjugalidade e fidelidade podem existir todas debaixo do mesmo teto ao mesmo tempo.
– No futuro, a felicidade não passa por uma relação?
– Passa, mas tem que ser uma grande relação. Não vou para segundas escolhas, nem para coisas confortáveis. Não tenho medo nenhum de estar sozinha. Aprendi a ser feliz.

Comentários

ATENÇÃO: ESTE É UM ESPAÇO PÚBLICO E MODERADO. Não forneça os seus dados pessoais (como telefone ou morada) nem utilize linguagem imprópria.

Nas Bancas

Newsletters

Receba grátis no seu email as notícias, as últimas caras!

Caras Nas Redes

Mais na Caras