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Sílvia Alberto: “Há muito que procuro pacificação interior”

O mundo das artes sempre a seduziu, pelo que, depois de ter estudado Dramaturgia e Teoria da Literatura, Sílvia, de 35 anos – 16 dos quais a trabalhar em televisão –, quis aprofundar a sua paixão pela arquitetura, estando atualmente a frequentar um curso de ‘design’ de interiores.

Cláudia Alegria
24 de dezembro de 2016, 14:00

Uma mente inquieta, muita energia e criatividade, intuição apurada e ânsia de viver têm conduzido os 35 anos de Sílvia Alberto, enriquecidos todos os dias com novas experiências e desafios aceites sempre com entusiasmo. Licenciada em Dramaturgia, mas apaixonada por arte e design, a apresentadora de Sociedade Recreativa, da RTP, está neste momento a fazer um curso de design de interiores, para alimentar os seus ideais. “Gosto muito de design, de fotografia, de um olhar estético, de pontos de vista ou de fuga, e gosto de remodelação, de renovação e reabilitação urbana”, justifica Sílvia, no dia em que esteve com a CARAS no Imani Country House, em Guadalupe, Évora, para se dar a conhecer melhor através de algumas perguntas do Questionário de Proust e revelar uma novidade: a partir de janeiro irá apresentar um novo programa nas noites de domingo, Os Extraordinários, em que testará as mentes mais brilhantes do país.
– Está a tirar o curso de design de interiores a pensar no futuro ou tenciona utilizá-lo em paralelo com o seu trabalho televisivo?
Sílvia Alberto – Sempre em paralelo. Gosto muito de estudar. Passei os meus anos de faculdade a emparelhar o estudo com os trabalhos em televisão e, como já não estudava desde 2012, estava a sentir necessidade de mexer na terra e em materiais, e acho que era o momento ideal para pensar numa coisa mais prática. A minha ideia é poder renovar, com consciência, alguns espaços que sejam meus e depois logo vejo o que é que faço com eles, se os vendo, alugo ou vivo lá.
– Qual é a sua maior qualidade?
– Acho que sou uma boa ouvinte, prestável e disponível, às vezes até demais. As nossas maiores virtudes podem ser os nossos maiores defeitos. Se for para escolher só uma, acho que sou bastante capaz.
– E o maior defeito?
– Ser bastante capaz! Por olhar tanto pela vida dos outros, talvez espere que os outros façam isso também por mim. E aí peco, porque muitas das vezes deveria pensar mais em mim. Vivo mais para os outros, pela sua felicidade e conforto, do que por mim própria.
– Porque se desilude quando precisa dessa atenção e não a tem?
– Porque fico exausta. Sou uma mulher de trabalho e preciso desse olhar do outro, que vê mais longe do que o meu no que toca às minhas necessidades, porque depois levo-me à exaustão completa e, de repente, é como se surgisse uma espécie de chama interior que me leva à frente, que é quando tento resgatar o meu mundo.
– Que característica é mais importante num homem?
– Os homens não podem ter só uma característica. Há uma lista de requisitos!
– Mas a mais importante?
– Preocupar-se com esse tempo de perceber onde estão a minha cabeça e as minhas ideias, porque dessa decorrem todas as outras, como o auxílio, o companheirismo, a abdicação.
– E numa mulher?
– Sou Touro e os ativos deste signo são família, protegem os seus, e essa é uma característica muito forte que é importante numa mulher. É, no fundo, a alma mater, aquela que todos conforta ao seu redor. A característica de uma mãe. As mulheres têm uma capacidade extraordinária de abraçar os outros.
– Qual é o seu ideal de felicidade?
– Tem a ver com serenidade. Aos 25 anos já usava esta palavra sem, talvez, ter noção do que ela significava. Acho sempre que sou afogueada, impulsiva, vivo a correr, tenho demasiada energia, que às vezes não é canalizada para o sítio certo. Se calhar sou demasiado autocrítica em relação a mim mesma e até sou mais organizada do que imagino, porque faço uma série de coisas ao mesmo tempo, mas acho sempre que não. Por isso, o meu ideal seria uma certa pacificação interior que parece nunca chegar.
– A prática de Pilates ajuda-a a conseguir ouvir-se a si própria?
– Antes disso, entrei noutro processo... Esteve em Portugal o lama Gustavo Preto Pacheco, com quem fiz um workshop de mindfulness, que não é nada mais do que a meditação budista adaptada ao Ocidente. Senti necessidade de parar o pensamento repetitivo e soube-me muito bem. Mais tarde, experimentei o ioga. Não sei do que é que estava à procura, mas precisava deste trabalho... Agora estou no Pilates, porque sou demasiado enérgica, preciso de gastar as minhas energias. Começo a stressar em ambientes calmos e o ioga não resulta comigo. Resulta dançar, correr, coisas que me façam libertar. E o Pilates tem resultado. Tem-me feito muito bem ao corpo e, mentalmente, é um escape.
– Qual seria a maior das tragédias?
– Perder um ente querido. Já passei por isso e essa é a maior das tragédias para um ser humano. Depois, tenho muitas diárias, mas essas sou eu que as provoco e são pequenas tragédias [risos].
– Onde gostaria de viver?
– No sudoeste alentejano, Costa Vicentina. Gosto muito de Portugal. Gostava de cumprir um dos meus maiores sonhos, que é fazer a volta ao mundo. Acho que há qualquer coisa no meu ADN que me diz que sou viajante, mais do que turista, mas ainda não tive a coragem de programar um ano sabático em que simplesmente desapareço e vou. Falo disso constantemente. Acho que há sítios interessantes para viver, como Austrália, Barcelona ou os arredores do Rio de Janeiro... Sou uma cidadã do mundo, não teria problemas em passar temporadas aí, mas voltaria sempre à minha casa e à minha família. O bom de ir é voltar.
– A palavra preferida?
– Saudade.
– O que mais detesta?
– Pessoas mal educadas. Não convivo bem com a desarrumação. E o caos do trânsito em Lisboa tira-me do sério.
– Que dons naturais gostaria de ter?
– Gostava muito de saber cantar.
– Qual o seu atual estado de espírito?
– Estou criativa, desperta, a mexer.
–Que defeito é mais fácil perdoar?
– Os erros que são assumidos, seguidos de um pedido de desculpa. Também o esquecimento, a falta de pontualidade, o desastre quotidiano. São características muito minhas, talvez diga isto de forma a ser perdoada [risos].
– Porque sempre disse que os seus esquecimentos poderiam ter alguma graça no início mas, com o passar do tempo...
– É muito difícil viver comigo sendo eu.
– Daí sentir necessidade de se libertar?
– Sim, e de foco. Funciono muito bem com prazos e limites, porque orientam o meu foco.
– Diz ter características de mãe, mas ter filhos parece não fazer parte dos seus planos...
– Nada contra! Não se proporcionou. Se calhar, já penso de um modo diferente do que pensava. As mulheres têm um relógio biológico a trabalhar desde que nascem. A proximidade da idade limite leva-me a pensar que, mais cedo ou mais tarde, terá de acontecer. Não é algo que me preocupe ou destabilize, mas é uma ideia que já vejo com mais simpatia do que via há uns tempos. Mas, se calhar, queria concretizar a minha viagem primeiro... Escrevemos a nossa vida todos os dias, só não sabemos para onde é que ela nos vai levar. Mas sim, acho que está na minha natureza ser mãe.
– E gosta de escrever a sua história seguindo um guião ou gosta de se deixar levar?
– Acho que, intimamente, gostaria de escrever o guião, porque sou demasiado controladora, mas acho que isso não seria saudável. E não é assim que tem de ser. Tenho que me habituar a deixar viver.
– O seu lema de vida é...?
– Hoje é melhor do que ontem e amanhã será melhor do que hoje.
Produção: Rita Vilhena | Maquilhagem: Sofie Queiros

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