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Ruben Rua abre o coração: “A Sofia é, até hoje, a mulher que mais amei na vida”

O modelo e apresentador lança um livro de memórias, ‘Podes Ser Tudo’, onde faz revelações sobre estes últimos 11 anos.

Vanessa Bento
18 de dezembro de 2016, 12:00

Quase a chegar aos 30, Ruben Rua irradia a luz e o carisma típicos de quem se atreve a viver os seus sonhos. Certo dos passos que dá, vai colhendo vitórias que o fazem acreditar que pode ser tudo. Basta que o seu coração bata por esse caminho. Foi o que aconteceu com a moda, um sonho tardio que se tornou uma conquista diária e uma história de sucesso e superação. É isso que, espera, aconteça também com a apresentação. “Quero que 2017 seja o ano deste novo caminho na televisão. É uma grande vontade e espero que seja uma realidade permanente na minha vida”, reconheceu o booker que, para além de manequim e apresentador, revela agora uma nova faceta: a de escritor. Podes Ser Tudo é o seu primeiro livro, no qual partilha os últimos onze anos da sua vida. As conquistas, as dúvidas, as dificuldades, o amor e o desamor: o modelo fala pela primeira vez sobre o grande amor que viveu com Sofia Ribeiro, com quem se casou a 10 de setembro de 2011. Assunto a que respondeu de coração aberto nesta entrevista.
– Costuma dizer que “a vida são memórias e relações”. Das memórias, quais foram mais dolorosas de passar para o papel?
Ruben Rua – Felizmente, a minha história é bem sucedida, apesar de não ser cor-de-rosa. E ainda bem! Mas falando sobre o mais difícil... Na minha carreira tive momentos difíceis, dar o passo para tentar ser modelo e construir uma carreira internacional é um momento de dúvidas, sobretudo tendo alternativas. Vivia no Porto, ia para a faculdade, jogava andebol federado, portanto, esse seria o rumo provável. Mas quando decido que quero ser modelo, hipotequei essa probabilidade de destino. Congelei a matrícula na faculdade e o Porto deixou de ser a minha cidade. Fui em busca do sonho.
– Tinha prometido à sua avó que se iria licenciar.
– Cumpri a promessa mais tarde. As minhas promessas são sempre cumpridas. Mas na altura tive muitas dúvidas, conversei muito com os meus pais, que, sem me pressionarem, me questionavam sobre o curso, os estudos... E houve momentos em que estava lá fora e me interrogava se aquele era o caminho certo. Este livro obrigou-me a ser psicólogo de mim mesmo.
– Escrever foi terapêutico?
– Foi. Fiz uma regressão de 11 anos. Há recordações emocionalmente fortes. A mudança para Lisboa é, porventura, um momento-chave: foi muito bom, mas simultaneamente difícil. Abordar o tema Sofia, o casamento e o divórcio, não foi feito de ânimo leve. Para já, porque é um assunto fechado. Divorciei-me há quatro anos, mas escrevê-lo mexeu com muitas coisas. Vim para Lisboa pela Sofia, mas foi essa mudança que me abriu outras portas. E há aqui uma curiosidade: quando venho para Lisboa, profissionalmente fica um vazio, mas tenho o coração cheio. E quando o coração fica vazio, a nível profissional começo a crescer muito. Foram duas coisas que não se encontraram e acho que isso influenciou a relação. Essa dúvida está sempre presente no livro. Até este ano, quando fui para Nova Iorque, vi-me obrigado a repensar a minha vida. E a minha história é constantemente isso: repensar, escolher, optar. Por muito que eu diga que acredito que o melhor está por vir e que Deus sabe o que tem guardado para mim, gerir essas emoções é um processo. Mas a vida é isso. Como já disse, a minha relação com a Sofia foi um tema difícil. Não que não esteja resolvido na minha mente, mas nunca falei muito sobre isso. É público que namorámos, que casámos e que nos divorciámos, mas no livro há mais do que isso. Há um porquê. Sem expor a minha intimidade, há um abrir de porta ao tema, porque não podia fugir a este assunto. Só vim para Lisboa por amor, porque queria estar com a Sofia.
– Apesar da dificuldade, só fazia sentido escrever este livro com toda a verdade com que viveu cada capítulo?
– Nem mais. Se não quisesse abrir a minha alma e o meu coração, mais valia não ter escrito nada. A motivação do livro foi a minha vontade de partilhar estas histórias, para que as pessoas me possam conhecer melhor. Quero acreditar, e digo isto sem arrogância nenhuma, que a minha história possa ajudar outros jovens que, tal como eu tive, têm muitas dúvidas, independentemente de estarem na área da moda ou noutra. E, por fim, acredito que o livro possa desmistificar um mundo que a maioria das pessoas desconhece. A palavra-chave na moda é bastidores e há muita coisa que lá fica. Quis tornar transparente um meio cheio de dogmas.
– Meio esse que se tornou o seu sonho. Nunca impôs limites aos sonhos?
– Nunca. Tive sempre os pés bem assentes na terra, mas os sonhos altos. Não sou ganancioso, mas sou ambicioso. A minha motivação nunca foi o dinheiro. O que me cativa é o desafio. E acredito realmente que tudo é possível, não é à toa que o livro se chama “Podes Ser Tudo”. Há modelos, bookers e apresentadores melhores do que eu, mas esta é a minha história. E só faz sentido sonhar alto, porque para ser mais um não vale a pena. E a minha passagem pela representação foi isto mesmo. Nunca pensei ser ator e, de repente, chamam-me para fazer um filme. Depois fiz a Única Mulher, mas percebi que não era por ali. Não me realizou e também percebi, e essa é a chave, que nunca iria ser muito bom. Sou muito autocrítico, nunca evito olhar para mim próprio.
– Disse que era ambicioso e no livro diz que nunca usou o sexo como arma de sedução profissional, mesmo sendo uma moeda forte. Tudo o que conquistou foi por mérito próprio?
– As conquistas na horizontal nunca são verdadeiras conquistas, não são meritórias. O que é dado e aldrabado não é uma conquista pessoal. É muito importante perceber de onde viemos, para onde vamos e quem somos. Eu sou o mesmo Ruben aqui, na China, na moda, na televisão... Há coisas que fazem parte da minha educação, do meu Porto, da minha infância, da minha essência. Tudo na minha vida foi conquistado a pulso, nunca nada me caiu do céu. Mas isso também me fez crescer e perceber que é preciso ser paciente. Tudo tem um timing para chegar.
– Escolheu a Cristina Ferreira para escrever a introdução e, na opinião dela, este livro é um “fechar de ciclo”. Sente o mesmo?
– Quando comecei a escrever, não tinha pensado nisso, mas as coisas na nossa vida alinham-se e acho que o livro se tornou um fechar de ciclo. Começo a escrevê-lo em abril e o engraçado é que o último capítulo do livro ainda não tinha acontecido. Ou seja, tudo o que aconteceu na TVI como apresentador, a minha relação de amizade com a Cristina, Nova Iorque, deixar as semanas de moda, aconteceu tudo depois de começar o livro. E, sem querer, o livro torna-se num fechar de ciclo por isso mesmo. Vou fazer 30 anos em fevereiro e acho que estas últimas experiências como apresentador podem ser o início de um ciclo novo. E gostava muito que assim fosse.
– Como já disse, o livro não fala só das suas experiências profissionais, fala também de amor. Nele, confessa que a Sofia foi a primeira e única mulher que amou verdadeiramente. Ela será sempre a mulher da sua vida?
– A mulher da minha vida é a minha mãe. E a minha irmã. A Sofia é, até hoje, a mulher que mais amei na vida, não há dúvida nenhuma.
– Foi com ela que encontrou o amor?
– Sem dúvida. Foi o meu primeiro e único e gigante amor desde sempre.
– Acredita que vai voltar a amar alguém da mesma forma?
– Quero acreditar que sim. Foi um sentimento muito bonito, foi algo muito bom de sentir e gostava de ter a hipótese de o repetir. Espero um dia encontrar alguém de quem possa gostar tanto como gostei da Sofia.
– Sente que no vosso caso o amor não bastou?
– Sem dúvida! O fim da nossa relação nunca se deveu ao fim do nosso amor. Houve problemas paralelos ao nosso amor que nos levaram a perceber, se calhar não da melhor forma, que amar não chega. No nosso caso, de facto, não foi suficiente. Acho que existiu alguma imaturidade, éramos muito novos, profissionalmente as nossas vidas estavam em ritmos completamente diferentes. Conheci a Sofia na melhor fase da carreira dela. Gravava das oito da manhã às oito da noite, a novela foi um enorme sucesso, paralelamente tinha imensos trabalhos, e eu era o contrário. E esta diferença de ritmos gerou momentos de incompreensão. À sexta-feira eu estava cheio de vontade de ir para o Porto e a Sofia só queria descansar. E isso jogou contra nós. Não era para ser! Não podemos controlar tudo e esta é a nossa história.
– Tinha realmente o coração cheio e a vida vazia...
– Tinha e isso não ajudou. Além disso, estava numa cidade nova, vim para Lisboa sozinho, não tinha cá ninguém para além da Sofia. Vivia em função do meu amor por ela. Era só ela. Estava cá por ela e vivia para ela. Não foi culpa da Sofia, também não foi culpa minha... Acho que a própria vida se encarregou de dar esse rumo às coisas. Nada disto ajudou a nossa relação.
– Hoje faria tudo da mesma maneira?
– Sim, na medida em que tudo o que fiz foi por amor e com a melhor intenção. Gostava muito da Sofia e acreditava muito na relação. Portanto, todas as decisões que tomei foram com base nesse pressuposto. Vir para Lisboa, deixar de viajar, morarmos juntos, regressar à universidade... A Sofia foi uma grande impulsionadora do meu regresso aos estudos. Sempre tive essa vontade e foi a Sofia que, lentamente, me fez perceber que era a altura certa para o fazer. O meu regresso à universidade fi-lo por mim, mas devo muito à Sofia por isso. Tudo o que fiz foi com a intenção de que a nossa vida fosse melhorando e que déssemos a volta aos nossos problemas. A Sofia teve uma relação de muitos anos antes de mim, já eu, nunca tinha vivido com ninguém. Tudo isto nos levou a perceber que de facto não ia dar certo. Tentámos tudo e mais alguma coisa. Adiámos o divórcio por duas vezes, mas chegou um dia em que não tinha mais forças, não dava mais. A imagem que passou publicamente era a de dois jovens inconsequentes, mas a história não foi essa. Nunca encarei o casamento dessa forma. Casei-me com a Sofia a acreditar que ia ficar com ela para sempre.
– Explica no livro isso mesmo, que lutaram muito pelo vosso amor, mesmo depois do Ruben ter saído de casa. Não queriam desistir?
– Não. Não queria desistir porque gostei muito da Sofia, tenho a certeza de que a Sofia gostou muito de mim e o pressuposto do casamento é que se fique para sempre com a pessoa com quem se casa. É isso que vejo nos meus pais, é isso que vejo na Bíblia e foi isso que ouvi naquela cerimónia. Acreditei que poderia ser para sempre. Não foi, o casamento não correspondeu às expectativas. E não estou a culpar a Sofia, nem me estou a culpar a mim. Já passei por essas duas fases. Não culpo ninguém, foi a vida. Fizemos o melhor que conseguimos, mas não deu.
– Bastaram três dias juntos para saber que era com a Sofia que se ia casar. Porquê essa certeza? O que é a Sofia tinha que o levou a acreditar que seria assim?
– Tudo! A Sofia tinha tudo! Não foi amor à primeira vista, mas foi à segunda. Foi o sentimento mais bonito que já tive por uma mulher. Lembro-me de olhar para ela e pensar que ela tinha tudo: era linda, talentosa, cozinhava super bem, tinha objetivos de vida, era trabalhadora...
– É um capítulo completamente fechado ou existe espaço emocional para dar uma nova oportunidade a este amor?
– Não, isso nem se coloca. A minha história com a Sofia teve início, meio e fim. E o divórcio marca um fechar de ciclo na nossa vida. Não sei o futuro e nada é certo, mas hoje estamos bem resolvidos. Temos uma boa relação e desejo-lhe o melhor, mas não acredito numa reconciliação. Acho que a nossa história teve o seu próprio tempo.
– Dessa história fica uma amizade e respeito mútuos?
– Sem dúvida. Fica um cão, o Thai, e fica uma admiração enorme pela Sofia, pela mulher que é – e não tem tido uma vida fácil – e uma admiração e desejo que consiga conquistar todos os sonhos dela. A Sofia merece.
– Acompanhou a doença dela?
– Acompanhei como achei que devia fazer.
– Isso quer dizer o quê?
– Que acompanhei. Se fosse ao contrário tenho a certeza de que a Sofia também estaria lá para mim.
– O que é que sentiu quando soube?
– Sempre evitei falar sobre isso e não o quero fazer. Claro que não é uma notícia agradável. A Sofia é a minha ex-mulher e descobriu que tinha um cancro. É uma doença que põe em risco a tua vida... Apesar de já não estarmos juntos, ela não me é indiferente. Mas felizmente já passou tudo.
– A Sofia escreveu um texto para o livro no qual diz que o Ruben será sempre uma das pessoas mais importantes da vida dela. Tinha essa noção?
– O texto surpreendeu-me. Quando a convidei, ela ainda estava doente. Contei-lhe sobre o projeto e ela aceitou logo. Esperava um texto positivo, mas não esperava um texto tão bonito. Fiquei muito emocionado e sensibilizado. Mais uma vez, surpreendeu-me pela positiva.
– O divórcio foi o fim de um sonho?
– Sim. O divórcio é, provavelmente, o meu maior falhanço pessoal.
– Como é que se ultrapassa isso?
– Dando tempo ao tempo. É muito duro. Para mim, para a minha família, para as pessoas que me são próximas... De repente o balão rebenta e já não há mais história. Acredito que vou sentir sempre isto, que vou olhar para o nosso divórcio como sendo o meu maior falhanço pessoal. Só o tempo trouxe uma aceitação. Não sou um super-herói, falho, tenho defeitos e as coisas nem sempre correm como quero. Achava que seria feliz para sempre com a Sofia e quando tudo acabou senti-me em choque. Apesar de ser uma decisão nossa e tomada de forma consciente, eu estava chocado. Naquela altura, o mais fácil teria sido voltar para o Porto. A razão de estar em Lisboa tinha deixado de existir. Mas não foi isso que fiz. Estava desiludido comigo, tinha desiludido os meus pais... Na altura escreveram-se muitas mentiras. Tive que lidar com o que eu estava a sentir e com tudo o que a minha família lia na imprensa. Mas percebi, em conversas com a minha mãe, que ela se estava a borrifar para o que era escrito, só queria ver-me feliz. E foi assim que segui em frente.
– Ainda sonha com uma relação como a dos seus pais?
– Sonho, sim! Quero ter a minha mulher, os meus filhos, construir uma família. A família é a minha essência. E de que me serve ter muitas conquistas se chego a casa e não tenho ninguém com quem as partilhar?

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