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Diogo Navarro: “A arte, para mim, funciona como uma fonte de vida”

Esta sessão fotográfica foi feita no Farol Design Hotel, em Cascais, onde o pintor tem expostas algumas das suas obras.

Vanessa Bento
18 de dezembro de 2016, 10:00

É à noite que passa para a tela tudo o que lhe preenche o espírito. Mas Diogo Navarro gostou do desafio de criar um postal de Natal para a CARAS e saiu da sua zona de conforto ao pintar este quadro repleto de amor em plena luz do dia, com a força do mar como inspiração. “A arte, para mim, é um alimento constante para viver. É através dela que me tento entender. É um diálogo interno”, explicou o artista, que encontra na mulher, Patrícia Copetto, e nos filhos, Maria, de 16 anos, António, de 15, e Madalena, de cinco, a sua força de todos os dias.
– Foi especial pintar neste cenário?
Diogo Navarro – É sempre especial pintar um quadro. A obra nasce do ambiente em que está envolvida e sentir este espaço acabou por influenciar a forma como me expressei. Toda a sensação de liberdade, de mar e toda esta energia e luz acabam por criar uma expressão própria. Respirar este ar terá influenciado a minha mente. Há um diálogo que se cria entre a obra que está a ser construída e o artista, é uma espécie de narrativa, que se reflete no tema – o amor que existe entre mãe e filho. É uma forma de pensar o Natal, a relação entre a família, o amor entre as diferentes gerações.
– É assim, em família, que vive o Natal?
– Sempre, desde que me conheço. Mas penso muito nas pessoas que não têm família. O Natal é uma boa altura de reflexão, também tem essa importância. Sou pai e acredito que as nossas ações são o melhor exemplo. Dizer acaba por não ser suficiente. Discretamente, vamos fazendo as nossas boas ações e é aí que está a forma de educar. Sinto que isso também foi passado de geração em geração na minha família e os bons exemplos são para perpetuar. Temos essa responsabilidade. A arte também é um instrumento para mudar mentalidades e construir um mundo melhor. A arte, para mim, funciona como uma fonte de vida e essa fonte de vida pode ser usada para melhorar os que estão à nossa volta. O poder que a arte tem é transversal.
Que memórias guarda dos seus natais em Moçambique?
– Vivi lá até aos cinco anos e meio e nós tínhamos uma árvore de Natal, mas era verão... [risos] Estava muito calor. No dia 25 de acordávamos cedo para abrir os presentes. Mesmo longe, as tradições eram as mesmas e tinham uma importância muito grande. Sempre vivemos o Natal com o mesmo espírito, fosse lá ou cá. Íamos à missa, que era uma forma de encontro com as outras pessoas.
– Cresceu com a presença de Deus ou é algo que foi construindo?
– Sempre foi um mistério perceber o que era Deus. Desde que me conheço que ia à igreja – em Moçambique cheguei a comungar às escondidas porque queria perceber o que era a hóstia. Mas o mistério de Deus acho que ainda hoje existe. É uma forma de diálogo connosco próprios, mas definir isso é muito difícil. A minha família é muito cristã. Eu não sou muito de rituais, não gosto de ser formatado em nada, gosto de sentir e perceber as coisas e sigo o meu pensamento, mas sei que a religião católica é importante para mim na minha maneira de ver as coisas.
– Partilha essa espiritualidade com a sua própria família?
– Não, é algo mais pessoal. Não fomento muito essa espiritualidade, todos nós temos forma de sentir as coisas e quando se tem filhos tudo é diferente. Temos de lhes dar espaço para se encontrarem. Os nossos filhos são diferentes de nós, enquanto indivíduos. Tentar formatá-los não é o caminho. A vida vai-nos ensinando a crescer, no sentido em que também temos que errar, caso contrário não existe evolução.

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