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Luís Filipe Borges e Sara Santos: Almas gémeas e... contraditórias

“Welcome a Borges” é o novo projeto do casal, que promete partilhar neste ‘blog’ os gostos em comum, assim como as peripécias a dois.

Vanessa Bento
17 de dezembro de 2016, 10:00

Ele é um romântico incurável, ela nem por isso. Ele tem 39 anos e continua a alimentar a criança que há em si. Ela tem 27, mas no seu imaginário vivem figuras como Zeca Afonso. Eles descobriram há um ano que há diferenças que unem muito mais do que separam. E são felizes desde então. Porque há amores assim, que nascem de felizes acasos e transformam o incerto em certo num segundo. Luís Filipe Borges e Sara Santos são a prova disso mesmo e hoje não partilham apenas a vontade de uma vida em comum. Partilham, também, um projeto profissional. Welcome a Borges é o blog do humorista e da restauradora de móveis, que encontraram na escrita uma paixão comum.
– Em tempos descreveu-se como sendo “dolorosamente romântico”. Isso é defeito ou é feitio?
Luís Filipe Borges – Acho que é feitio. Quando gosto, gosto mesmo, portanto, entrego-me a fundo, o que às vezes implica dor. É pôr a carne toda no assador porque não sei fazer as coisas pela metade. Quando as pessoas gostam, tem que ser assim, a 100 por cento.
– E foi esse lado romântico que a conquistou?
Sara Santos – Não! [Risos] Claramente que ajudou, porque ele é muito mais meigo e romântico do que eu alguma vez posso vir a ser. Mas acho que foi mesmo o nosso contraste gigante, os valores do Luís... Ele é um homem à antiga, daqueles que já não existem, mas também sabe ser uma criança de cinco anos. E foi tudo isso que me conquistou.
Luís – Nós até brincamos e dizemos que eu sou a gaja da relação. Sou daqueles lamechas que festejam os meses.
– Como é que a vossa história começou?
– A Sara não liga nada a televisão e nunca me tinha visto no 5 para a Meia-Noite. Mas um dia foi com uma amiga ver o espetáculo Eduardo Madeira Convida. Gostou da minha atua­ção e enviou-me uma mensagem no Facebook muito breve, mas muito bem escrita, onde dizia que não conhecia o meu tipo de humor, mas que tinha gostado muito. Convidei-a para um futuro espetáculo, mas tirei o cavalinho da chuva, porque essa era a última noite dela em Portugal. Ia para a Suíça.
Sara – Mas expliquei-lhe que viria a Lisboa ocasionalmente. E uns meses depois ele convidou-me para vir ver o espetáculo que estava a fazer na altura.
Luís – Cinco minutos depois de ter recebido uma mensagem da produção a dizer que o espetáculo estava esgotado – era a última noite – recebo uma mensagem dela ao fim de algum tempo sem comunicarmos a dizer que estava em Portugal. Liguei para o Casino Estoril a pedir que arranjassem uma cadeira, qualquer coisa, e foi isto. Mas quando nos conhecemos foram cinco minutos horríveis.
Sara – Não houve química nenhuma, ele estava muito cansado, foi aquela descompressão no fim do espetáculo... Costumo dizer que no nosso caso foi amor à segunda vista.
Luís – O que acontece é que me senti tão mal com isso que lhe mandei uma mensagem quando cheguei a casa, nessa noite. Mas aqui já sem segundas intenções. E foi aí que falámos durante uma hora.
Sara – Como eu me ia embora dali a três dias, encontrámo-nos no dia a seguir e nesse primeiro encontro fizemos tudo o que as pessoas fazem em meses. Não nos largámos nesses três dias, eu voltei para a Suíça e o Luís foi lá ver-me. Ponderei bem a minha vida e, mesmo não sendo romântica, acredito que estas coisas não acontecem muitas vezes, por isso decidi voltar e fui logo viver com ele. Fi-lo por amor.
Olhando para trás, acre­ditam que os vossos caminhos tinham mesmo de se cruzar?
Sara – Acredito completamente.
Luís – Parece mesmo algo destinado, não há dúvida. Acredito que os nossos planos juntos envolvem o tempo que estejamos os dois nesta terra, portanto, não podia estar mais feliz por ter conhecido a Sara.
– A Sara veio apaziguá-lo?
– Naturalmente. Quando as pessoas gostam, parece que tudo o resto corre melhor. Embora tenhamos feitios muito diferentes – as almas gémeas podem ser contraditórias –, isso acaba por ser criativo para nós. Resolvemos as coisas com ideias. Nós temos uma diferença objetiva de idades, mas que não se nota – sei que isto parece um cliché. É claro que gostar de alguém apazigua sempre, mas tudo isto é um processo. Ser feliz não é a estação terminal de uma linha de comboios, é uma construção permanente.
– O vosso amor originou, entretanto, um blog. Como é que surgiu esta ideia?
– Nós gostamos imenso de escrever e uma das mil coisas que me atraiu na Sara foi descobrir os múltiplos talentos que ela tem: a fotografia, o desenho e aquele que me é mais querido, a escrita. Vê-la escrever é um deleite, é puro prazer. E ela tem imenso talento. Portanto, começou aí, pelo nosso gosto pela escrita. E um dia, numa extraordinária casualidade, estamos nós a fazer um passeio todo-o-terreno e, no almoço final, ficámos na mesma mesa que o Francisco Gautier, que gere a Blog Agency, e ele diz-nos que devíamos fazer um blog. Gostámos da ideia, porque assim podíamos realizar o objetivo de fazermos uma coisa juntos e que nos dá prazer.
– Divertem-se muito a fazer o blog?
Sara – Mui­to. Não temos pretensão nenhuma com o blog, só queremos divertir-nos e que seja um projeto que nos realize pessoalmente. Estamos a fazer isto tudo por gosto.
– Poderemos ver o blog ganhar novos protagonistas com a chegada de um bebé?
Luís – [risos] É natural que assim seja. É uma vontade dos dois e gostávamos muito que estivesse no nosso caminho.
Sara – Tanto o Luís como eu já nos imaginávamos no papel de pais antes de nos conhecermos. Quero muito ser mãe. Não para já, mas é uma vontade muito grande e presente.
– Antes dos filhos virá o casamento?
– Estamos à espera! [risos]
Luís – Até já sei que a coisa mais importante desse hipotético pedido é o discurso. E posso dizer que já tenho esse discurso preparado. Vou ter que consumar isso.
Produção: Filipa Gonçalves | Maquilhagem: Sofie Queirós

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