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Ricardo Trêpa: “Não receio falhar, procuro sempre superar-me”

O ator treinou durante uma manhã com a CARAS e revelou quais são as ‘lutas’ que trava na vida.

Marta Mesquita
10 de dezembro de 2016, 12:00

A fachada que denuncia a passagem dos anos, as escadas que rangem a cada passo e um ringue emoldurado por paredes desgastadas transportam-nos até ao ambiente de um antigo clube de boxe americano, dando a ilusão de que ‘entrámos’ num qualquer filme protagonizado por Rocky Balboa. Mas não. Nem estamos nos EUA, nem Ricardo Trêpa é a famosa personagem interpretada por Sylvester Stallone.
O cenário cinematográfico desta produção é o Campolide Atlético Clube, espaço que já se tornou uma segunda casa para o ator. Quase todos os dias Ricardo calça as luvas e vai, literalmente, à luta, encontrando neste combate consigo mesmo o equilíbrio fundamental para o seu bem-estar. Contudo, o seu lado combativo não se esgota nos treinos, já que, aos 44 anos, o ator quer continuar a evoluir na representação, mostrando que o seu talento é capaz de perdurar muito para lá dos filmes que fez ao lado do avô, o realizador Manoel de Oliveira, que morreu há um ano e meio.
Por momentos, Ricardo deixou cair as luvas e revelou a sua faceta mais privada, mostrando que nem a idade nem os reveses da vida lhe roubaram aquela dose de inconformismo que o leva a acreditar que o melhor ainda está para vir.
– Entre tantas modalidades, o que o atraiu no boxe?
Ricardo Trêpa
– O boxe tem sido fundamental para o meu equilíbrio. As pessoas têm a ideia de que é um desporto muito agressivo, mas não é. É uma modalidade que nos ensina a controlar a agressividade e torna-nos muito mais pacíficos. É um desporto muito exigente do ponto de vista físico, mas também é estratégico, o que nos obriga a puxar pela cabeça. É muito estimulante. Além disso, ainda pratico surf e natação. Também ando muito de mota. O desporto é vital na minha vida.
– Pela maneira como fala, e até pelo ar descontraído com que sempre se apresenta, passa a ideia de que é um pouco rebelde. Revê-se nessa imagem?
– Sinto que sou uma pessoa livre. E se para sermos livres temos de ter uma certa dose de rebeldia, então sou rebelde. Para mim, um rebelde é alguém que é livre, mas que respeita os outros. Gosto de manter aquela loucura saudável que me leva para sítios desconhecidos.
– É isso que o motiva?
– Não quero viver agarrado àquilo que me dá algum conforto. Não receio falhar e procuro sempre superar-me. Tenho medo é da rotina, assusta-me, mata-me.
– Mas também precisa de ter raízes e um porto seguro…
– Sim, que no meu caso é a família. Somos muito unidos. Foi a minha família que me deu as ferramentas necessárias para conseguir ser livre sem ir por caminhos obscuros.
– Sente que, de alguma maneira, é esse medo da rotina que o tem levado a adiar a constituição da sua própria família?
– Não… Para ser sincero, nunca refleti sobre isso. Não preciso de ter filhos para me sentir realizado. Contudo, também estamos aqui com o objetivo de deixar descendência. Portanto, a seu tempo as coisas vão acontecer.
– Sempre foi muito discreto sobre a sua vida privada e nunca comentou o namoro com Maria João Reino...
– E vou continuar sem falar sobre isso. O que posso dizer é que nestes últimos anos não teria alcançado o que consegui sem o apoio constante e incondicional da Maria João, que é uma mulher extraordinária.
– O seu avô foi outra das pessoas extraordinárias na sua vida. Como tem sido continuar sem a presença daquele que foi o seu mestre?
– Estou triste, porque tenho muitas saudades dele, mas sinto-me muito grato por ter tido o meu avô como mestre. Contudo, já estou numa nova fase. Sinto-me com força para trabalhar muito mais, independentemente do formato em que seja. Tenho um coach, o Bruno Schiappa, com quem trabalho duas vezes por semana, que me tem ajudado a desenvolver as minhas ferramentas como ser humano e ator. Estou numa fase muito criativa. Quero fazer coisas boas para poder usar todas estas gavetas que tenho construído.

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