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Marco Costa: “A minha prioridade agora passa por ser feliz”

Pai de um rapaz, Luca, de seis anos, o ator vive hoje uma relação feliz ao lado de Denise Nogueira. Juntos há um ano, conheceram-se numa festa de aniversário.

Vanessa Bento
10 de dezembro de 2016, 14:00

Enquanto estudava no Conservatório, em Londres, Marco Costa ouviu de uma professora que, segundo um estudo, os atores são capazes de receber num ano a mesma quantidade de recusas que uma pessoa de outra área profissional ouve numa vida inteira. E é este poder de encaixe que está enraizado em Marco e na forma como encara a profissão. “O ‘não’ faz parte da nossa vida. Está sempre garantido, por isso, por que não tentar e arriscar?! A sorte faz-se, dá trabalho. Mas confesso que agora, que estou a chegar aos 40, preciso de uma certa estabilidade que ainda não alcancei”, reconhece. Com uma carreira de 16 anos, Marco Costa tem construído as suas próprias oportunidades, ao agarrar com dedicação os projetos que vão surgindo. Tanto dentro como fora de Portugal. Mas viver no estrangeiro, como já fez no passado, não está nos planos. Na verdade, e depois do fim do seu casamento com Erin Winebark, Marco Costa refez a sua vida e há cerca de um ano mantém uma relação discreta, mas sólida, com Denise Nogueira, assistente de bordo. E é com ela, com o filho, Luca, de seis anos, que vive com a mãe na Finlândia, e com a profissão que escolheu para si que se sente completo.
– Temo-lo visto como um homem romântico e apaixonado em Rainha das Flores. Estas são características suas?
Marco Costa – Acredito que temos tudo dentro de nós. E o que aprendi no Conser­vatório é que, seja para que personagem for, devo olhar para dentro de mim e procurar as características que me são exigidas naquele momento. E mesmo que estejam menos desenvolvidas em mim, coloco uma lupa e amplio-as. Mas claro que todos precisamos de uma dose de romantismo. No meu caso, não sou exagerado, mas tento ser romântico.
– Já assumiu que quando conheceu a De­nise foi amor à primeira vista...
– Acredito no amor e quando vi a Denise senti uma coisa muito especial. Não sabia o que ia sair dali. Mas até hoje corre bem.
– O que é que ela tem que o cativa?
– É uma mulher especial, determinada, lutadora. Tem uma história de vida que me encantou e tudo isso, combinado com aquilo que eu sou, até à data, tem-se encaixado. O facto de termos vidas tão diferentes para mim é sempre bom, porque traz-me à terra. É bom ter uma pessoa ao meu lado que tem uma profissão diferente da minha, que me obriga a ter as regras da sociedade.
– Fala desse descer à terra, mas apesar de tantos anos de carreira, nunca lhe vimos laivos de vedetismo ou de deslumbramento.
– Agradeço-lhe o elogio. Acredito que tenha sido pela educação que os meus pais me deram, pelos amigos que me rodeiam e pela minha formação académica e profissional. Rapidamente aprendi que tudo isto é muito efémero. Hoje estamos lá em cima, amanhã nunca se sabe. Portanto, é sempre bom termos os pés bem assentes na terra. Acredito que neste momento estou a fazer um bom trabalho e tenho que dar o meu melhor por ele. Se fizermos bem, mais tarde ou mais cedo há uma recompensa. Mas há que trabalhar para isso.
– Tem feito trabalhos internacionais. A sua prioridade continua a ser Portugal?
– Foi em Londres que começou a minha caminhada internacional. Primeiro fui à deriva, ver o que é que conseguia, e acabei por entrar num conservatório lá. Nessa altura queria ficar em Londres depois de concluir o conservatório. Mas ao fim de três meses percebi que esse não era o caminho. O caminho era voltar. Percebi o quanto Portugal cresce em nós quando estamos lá fora. O nosso país é de uma riqueza brutal e sempre foi minha intenção voltar. Aprendi que não preciso estar lá fora para ter uma carreira internacional. Ainda hoje de manhã estava a responder a coisas na Alemanha e eu nem sequer falo alemão. É uma sorte que se faz. Mas a minha base é em Portugal.
– Por força das circunstâncias, já viveu uma relação à distância quando era casado. Assusta-o que isso aconteça novamente?
– Não. Quando avançamos para uma relação, seríamos parvos se não aprendêssemos com os erros do passado. E com as coisas boas. E o que eu aprendi ao viver uma relação à distância é que é possível. Até certo ponto, é possível, sobretudo nos dias de hoje. Mas no meu relacionamento atual temos plena consciência das profissões um do outro, é uma relação em que vivemos muitos dos nossos dias à distância.
– O Marco já foi casado. Faz-lhe sentido voltar a dar esse passo?
– Logo se vê. Não é uma prioridade. O que se aprende do nosso passado é que a prioridade é ser feliz. Naquilo que se faz e com a pessoa que se tem ao lado. O resto é um papel.
– E tem vontade de ser pai novamente?
– [Pausa] Não sei, isso depende de vários fatores. Hoje em dia, as pessoas põem crianças neste planeta sem consciência, tal como fazem o contrário também sem consciência. E depois de ter sido pai compreendi que é preciso ter muita consciência do que se está a fazer. Trazer uma vida para este mundo é uma responsabilidade muito grande. Mas quanto mais se planeia, pior é. Às vezes o inesperado é uma coisa gira, porque obriga a um choque de responsabilidade. Mas tem que ser um passo muito bem pensado. A minha prioridade agora passa tanto por ser feliz que tudo o resto tem que surgir de forma natural.
– Tem sido difícil para si acompanhar o seu filho à distância?
– É sempre. Mas uso todas as aplicações que existem para colmatar as saudades. Fui lá há pouco tempo e o facto de a mãe e eu termos uma relação saudável só ajuda.
– Como é a vossa relação de pai e filho?
– Muito boa. Sou um pai que tento ao máximo estar presente. A partir do momento em que sei que o meu filho me reconhece como pai, mesmo à distância, é muito bom. Acredito que quando há este laço sanguíneo tão forte as coisas se desenvolvem naturalmente. Mesmo que não estejamos juntos tantas vezes quanto gostaríamos.
– Ele herdou muita coisa de si?
– Muita. Fisicamente é muito eu: moreno, de olhos escuros, alto. Parece um típico latino no meio dos finlandeses. Depois herdou uma série de características que acho que nem são minhas, são mesmo portuguesas. Nós, os portugueses, somos desenrascados. E ele é assim, um miúdo desenrascado com uma paixão pelo futebol. Vê-lo crescer tem sido maravilhoso.
– Fechando o círculo desta entrevista, voltamos ao primeiro tema: como tem sido fazer Rainha das Flores?
– Este projeto veio aliviar uma carga de um chamado type cast em que me tinham metido. De uma maneira ou de outra, eu era sempre o vilão. Tenho que agradecer à SIC e às pessoas que me escolheram por acreditarem que sou capaz de fazer outro tipo de personagem. Acho que tem corrido bem e, para mim, é uma lufada de ar fresco. Sabe-me bem fazer o vilão, porque é muito intenso, mas ter uma personagem destas é muito bom, também. E depois, trabalhar com um elenco fantástico, dentro de um núcleo fantástico, é do melhor.
Produção: João Pombeiro | Maquilhagem: Raquel Peres

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