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Realizador confessa que Maria Schneider desconhecia cena de violação no filme ‘O Último Tango em Paris’

Bernardo Bertolucci e Marlon Brando combinaram a cena à revelia da atriz francesa, que só soube do que ia realmente passar-se antes de gravarem.

CARAS
5 de dezembro de 2016, 16:45

As declarações de Bernardo Bertolucci são de 2013, em entrevista para a Cinemateca Francesa, em Paris, sobre a famosa e polémica cena do filme O Último Tango Em Paris (1972), mas só agora foram tornadas públicas. O cineasta italiano basicamente confirmou que na cena em questão – em que a personagem interpretada por Marlon Brando viola a interpretada por Maria Schneider usando manteiga como lubrificante – a atriz não foi informada do que ia passar-se, tal como ela própria já tinha dito em 2007. “A sequência da manteiga foi uma ideia que tive com o Marlon [Brando] na manhã antes da filmagem. Queria obter a reação dela enquanto rapariga, não enquanto atriz (…)Não queria que a Maria interpretasse a sua humilhação e raiva, queria que a Maria sentisse a raiva e a humilhação. E depois ela odiou-me para o resto da sua vida”, afirma Bertolucci, acrescentando que apesar de sentir “horrivelmente” por ter manipulado Maria Schneider, com 19 anos na altura, daquela forma, não se arrepende do que fez.
Recorde-se que quatro anos antes da sua morte, em 2011, a atriz explicou ao Daily Mail que a cena não estava no guião original, mas que a sua inexperiência a levou a não reagir: “Só me avisaram antes de filmarmos e eu fiquei tão zangada. Devia ter ligado ao meu agente ou ter chamado o meu advogado, porque não se pode forçar alguém a fazer algo que não está no guião mas, naquela altura, eu não sabia isso”. Maria Schneider lembrou que o seu parceiro de cena a tentou acalmar antes de gravarem: “Não te preocupes Maria, é só um filme, disse-me. Mas no final, após o ato simulado para as câmaras, senti-me humilhada e, para ser honesta, um pouco violada, tanto por Brando como por Bertolucci. Depois da cena, o Marlon não me consolou nem me pediu desculpa. Felizmente, foi só um take”, contou, sem esconder que nunca perdoou o realizador. “O Bertolucci era gordo, pegajoso, nojento e muito manipulador. O Marlon disse-me mais tarde que se sentiu manipulado, por isso imaginem como eu me senti”, disse, acrescentando que nunca conseguiu perdoar a forma como foi tratada pelo cineasta italiano.
Quanto ao colega, na altura com 48 anos, Schneider via nele “uma figura paternal”. “O melhor deste filme foi o meu encontro com Marlon Brando. Fomos amigos até ao fim, embora não tenhamos conseguido falar do filme durante algum tempo”, disse ainda, referindo-se ao colega que morreu em 2004, com 80 anos.

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