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De volta ao trabalho, João Lagos defende: “Não tenho de provar nada a ninguém”

O ex-empresário voltou a ‘pegar’ nas raquetes e aceitou ser o promotor do ‘XIII World Padel Championships 2016’, em Cascais.

Marta Mesquita
4 de dezembro de 2016, 10:00

Com a crise, e na sequência de alguns negócios fracassados, João Lagos foi à falência e terminou a sua carreira na área da gestão e organização desportiva. Apesar de os grandes eventos, como o Estoril Open ou a Volvo Ocean Race, fazerem agora parte do passado, aos 72 anos, o ex-empresário põe a reforma em stand by e volta a “arregaçar as mangas” para promover o XIII World Padel Championships 2016, a decorrer até dia 19, na Quinta da Marinha, em Cascais. Continuando a ter nestes novos desafios profissionais a sua grande motivação, também aprendeu, à custa dos seus próprios erros, a reconhecer a importância dos afetos, sendo hoje um homem mais dedicado aos dois filhos [que nasceram do seu casamento com Maude Queiroz Pereira, de quem se separou há quase uma década], ao enteado e às netas.
Numa conversa sincera, o atual promotor e consultor desportivo fez uma retrospetiva dos seus sucessos e fracassos e partilhou os sonhos por realizar, mostrando que ainda não chegou a hora de pôr as raquetes no saco.
– Depois do desfecho da sua vida empresarial, como vive este regresso à promoção dos eventos desportivos?
João Lagos – Nos últimos dois anos estive completamente afastado destas lides, mas perante este desafio, decidi arregaçar as mangas e cá estou. O bichinho voltou a acordar, mas sei que estou a partir do zero, porque já não tenho a magnífica estrutura que me acompanhou durante anos. Tive de reunir um conjunto de boas vontades e de pessoas disponíveis para montar tudo isto. O padel ainda é uma modalidade relativamente pequena, mas em grande desenvolvimento. E este evento já envolve uma grande logística.
– Sente que ainda tem de provar o seu valor?
– Todo o meu currículo foi construído passo a passo, num crescendo. Em tudo o que faço procuro a excelência, mas tem sido particularmente difícil reunir os recursos necessários para fazer bem, porque isso acarreta custos. Há sempre grande pressão para atingirmos os padrões que procuramos. Não tenho de provar nada a ninguém, contudo, sei que isto pode relançar a minha carreira.
– Por falar em pressão, foi também sujeito a uma intervenção cirúrgica ao coração...
– Sim, fiz uma intervenção no sistema coronário. Foi há cerca de dois anos. Foi uma intervenção preventiva, por isso não apanhei nenhum susto. Escolhi o momento para ser operado.
– E como tem sido a sua vida nestes dois anos?
– Tenho tido praticamente uma vida de reformado. Tenho projetos e hobbies que me mantêm ocupado.
– Sempre viveu para o trabalho e isso teve consequências na sua vida familiar. Sente que agora chegou a hora de ter mais tempo para si e para a família?
– Naturalmente que sim. A minha intervenção cirúrgica poderia ter sido feita há alguns anos, mas fui sempre adiando porque não podia parar. Antes, tinha tempo para tudo: para os projetos, para os amigos... Sempre tive muito mais disponibilidade para os outros do que para mim… Agora também posso acompanhar mais de perto o crescimento das minhas netas, posso estar mais com os meus filhos e com o meu enteado, que é como se fosse meu filho. Antes, vivia mais para o trabalho, comprometendo a vida pessoal e familiar. Foi uma consequência da minha má gestão. Poderia ter feito as coisas de outra maneira. Se pudesse voltar atrás, faria ajustes nessa balança de certeza absoluta.

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