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Marcantonio del Carlo: “Ter uma família mudou-me”

O ator e a mulher, a atriz Marta Nunes, passearam com a CARAS pela Ericeira e fizeram um balanço dos seus dez anos de união, seis dos quais já casados.

Marta Mesquita
3 de dezembro de 2016, 12:00

Há dez anos, a vida de Mar­cantonio del Carlo, agora com 50 anos, mudou radicalmente. Ao apaixonar-se por Marta Nunes, de 36, o ator passou a ter um novo universo emocional, que transformou não só as suas rotinas diárias como a sua forma de encarar o mundo. E quando entrou na vida do marido, a atriz e professora universitária não veio sozinha. Salomé, que tinha então quatro anos, acrescentou ao dia-a-dia de Marcantonio uma nova palavra: pai. E hoje é ao lado da mulher e da filha, que acaba de completar 15 anos, que se sente um homem plenamente realizado.
Contudo, não é apenas em casa que os dois atores são parceiros. Na tela e nos palcos, o casal tem partilhado desafios, como a longa-metragem Tábuas com História, um trabalho realizado por Marcantonio e protagonizado por Marta, que foi recentemente distinguido com o prémio para melhor filme internacional no Los Angeles Brazilian Film Festival.
Tendo como mote este projeto, os atores passearam com a CARAS pela Ericeira, terra a que chamam casa há aproximadamente sete anos, e partilharam como tem sido escrever a três o guião da sua história de amor.
– É bom viver aqui na Ericeira?
Marcantonio del Carlo – É maravilhoso! Vir para a Ericeira foi uma opção que tomámos para termos mais qualidade de vida. Saio de casa e estou ao pé do mar. E mesmo para a Salomé é bom. Aqui temos tudo o que uma cidade tem, mas não deixa de ser uma vila piscatória.
– Mas no ano passado ‘trocou’ a Ericeira pelo Douro para realizar o filme Tábuas com História...
– Sim. A ideia era fazermos um documentário, mas por portas travessas acabei por escrever um guião de ficção. Depois, a Câmara Municipal de Tabuaço e outros patrocinadores tornaram este filme financeiramente viável. As coisas acontecem-me sempre um bocadinho por acaso, não vou atrás delas. O que é bom, porque assim não fico ansioso nem tenho grandes expectativas. Aliás, não estava nada à espera de ganhar um prémio internacional e ganhei!
– Realizou, representou e escreveu o guião. O que o levou a envolver-se tão intensamente neste projeto?
– Peguei na história do Tea­traço, uma comunidade que luta para recuperar o seu teatro, e levei-a para a tela. Revejo-me muito naquelas personagens, porque também eu luto por esta ideia de que o nosso património cultural e artístico é fundamental. Isto não é só futebol, fado e Fátima. Temos muito para oferecer.
– A Marta e o Marcantonio voltaram a trabalhar juntos neste projeto. Serem marido e mulher tem influência na vossa cumplicidade profissional?
Marta Nunes – Fui convidada pelos produtores do filme para ser a protagonista do filme e não pelo Marcantonio. O bom de sermos um casal é que não abdicámos da família para fazer este projeto. Mas para mim não é fácil trabalhar com o meu marido. A equipa olha sempre para nós como um casal. Estamos todos a jantar e ninguém se senta ao meu lado, porque assumem logo que é o meu marido que fica nesse lugar. E esse afastamento não é bom. Quando estou a representar, nem sequer me lembro de que ele é o meu marido. O Marcantonio é o meu realizador e apenas isso. Mas depois há o outro lado, que é representar um personagem que pode não ser bonito ou charmoso e sabermos que o nosso marido vai ver-nos dessa forma... É muita coisa que se tem de gerir.
Marcantonio – A mulher e o marido ficam em casa. Ali, a Marta é uma atriz, não é a minha Marta. Depois das filmagens praticamente nem falávamos do filme. É um trabalho tão esgotante que quando chegávamos ao hotel queríamos ir passear e jantar. Já trabalhei muitas vezes com a Marta e nunca misturámos os papéis. Mesmo quando há um arrufo, é entre realizador e atriz, não entre marido e mulher.
– E por falar em marido e mu­lher, ter uma família mudou-o, Marcantonio?
– Sim, mudou-me. Sei que tenho sempre um sítio para onde voltar no final do dia. Como família, temos os nossos hábi­tos, mas todos os dias vivemos novos desafios, o que evita que as coisas se tornem monótonas. Não damos nada por garantido. Sou um bocadinho inquieto e gosto de me desafiar, daí fazer tanta coisa.
Marta – O Marcantonio é uma pessoa completamente diferen­te daquela que conheci há dez anos. Hoje, ele é uma pessoa muito melhor, mais feliz, livre e genuína. Ao fim destes anos, o Marcantonio continua a surpreender-me, seja pela positiva como pela negativa. Sim, porque a vida de um casal não é um conto de fadas. Há dias difíceis. Contudo, há outros fantásticos! Esta transformação deve-se ao facto de ele ter uma família. Eu trouxe-lhe uma criança de quatro anos e ele teve de se adaptar a isso. De repente, ele tem um lar, uma mulher e uma filha.
– E deve ser reconfortante sa­ber que tem ao seu lado alguém que cuida e gosta da sua filha...
– O Marcantonio trouxe-me uma ideia de futuro e deu-me segurança. Vivo um dia de cada vez, mas projeto o meu futuro ao lado dele. O meu marido é mesmo um pai para a Salomé. Tenho a certeza de que mesmo que o nosso casamento termine, e espero que isso não aconteça, a relação deles de pai e filha vai durar para sempre. Posso não conseguir mais nada na vida, mas isso eu já tenho.
– Para terminarmos, como é chegar aos 50?
Marcantonio – Esqueço-me da idade que tenho e não sinto nenhum constrangimento em relação a isso. Gosto muito da tranquilidade que os 50 me trouxeram. Antes, era muito mais ansioso, as coisas tinham de ser sempre para amanhã. E agora já não é assim. A vida já não são dois dias, são três ou quatro. Ganhei tempo.
Produção: Rita Vilhena |Maquilhagem: Sofie Queirós

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