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Maria João Bastos: “Uma pessoa perfeita torna-se muito chata”

Aos 41 anos, a atriz prepara-se para regressar ao Rio de Janeiro, onde durante alguns meses irá gravar para a próxima novela de época da Globo, ‘Novo Mundo’, na qual contracena com Ricardo Pereira. Um projeto que, admite, a tem deixado muito entusiasmada.

Cláudia Alegria
1 de dezembro de 2016, 14:00

Depois de ter passado algumas semanas em Paris, onde aproveitou para investir em formações na área da representação, e de ter regressado a Portugal para lançar a sua própria linha de maquilhagem, Make Up Factory by Maria João Bastos, a atriz, de 41 anos, prepara-se para voltar a fazer as malas e partir para outra temporada no Brasil, onde integrará o elenco de Novo Mundo, uma novela de época da Globo na qual contracena com Ricardo Pereira. Antes disso, porém, a CARAS marcou encontro com Maria João Bastos e, com a ajuda de algumas perguntas de autoconhecimento inspiradas no Questionário de Proust, ficámos a conhecê-la um pouco melhor.
– Sente-se bonita?
Maria João Bastos –
Sinto-me bem comigo própria e, curiosamente, acho-me mais bonita quando acordo. Mas tenho dias em que não me acho tão bonita, claro. De uma forma geral acho que lido muito bem comigo, tenho uma relação ótima com o meu corpo.
– Sempre foi muito feminina ou é algo que foi adquirindo?
– Quando era miúda até era bastante maria-rapaz. Tinha o cabelo muito curtinho, andava sempre vestida um bocadinho à rapaz, de ténis... Depois a minha feminilidade foi crescendo. Ter entrado no mundo da moda também me ajudou a trabalhar esse lado, fui evoluindo e desenvolvendo esse lado mais feminino.
– Qual é a sua maior qualidade?
– Eu diria que, apesar de às vezes me trazer alguns dissabores, me mantenho fiel a essa minha característica que considero uma qualidade, que é ser direta. Não ando muito com rodeios e sou muito frontal e direta nas relações com as pessoas e comigo própria.
– E transparente?
– Sou muito transparente, di­zem as pessoas que se relacionam comigo, no sentido que facilmente se percebe se estou bem ou se estou chateada. Acho que tem a ver com o facto de ser frontal e muito direta com os outros e comigo própria, não ando ali com rodeios a fingir uma coisa que não sou. Mas, no círculo de pessoas próximas, isso fica mais claro porque as minhas defesas também baixam.
– O facto de ser reservada dificulta a aproximação de pessoas ou é uma pessoa de fácil acesso?
Dificulta. Não acho que seja uma pessoa de fácil acesso. Talvez por defesa, ou porque simplesmente é a minha maneira de ser, não sou uma pessoa que me dê logo no início às pessoas. Sou bastante reservada, até um pouco tímida. Fico constrangida em certas situações, ambientes,
meios e pessoas que não conheço. É uma coisa que aceito. Percebo que pode, às vezes, passar para fora outras interpretações, mas é a minha maneira de ser. Sou uma pessoa que precisa de conhecer bem o terreno que está a pisar, mas depois sou muito genuína. É uma característica de que gosto muito nas pessoas com quem me relaciono, portanto, fico muito contente de, com milhares de defeitos que tenho, ter essa maneira genuína e verdadeira com as pessoas que estão na minha vida.
– No meio desses defeitos, qual acha ser o maior?
– Ainda bem que tenho defeitos, porque uma pessoa perfeita torna-se muito chata! Com a idade vais aprimorando aquilo que consideras as tuas qualidades e aquilo que gostas de ser, e vais tentando trabalhar os teus defeitos. E eu, ao falar das minhas qualidades, já falei dos meus defeitos. Há um que tento aceitar, mas que também tento, de alguma forma, suavizar, que é o facto de ser muito fechada, de não me dar.
– Qual é a característica mais importante num homem para si?
Eu diria que o sentido de humor. Significa muita coisa que admiro: inteligência, saber viver, estar de bem com a vida e segurança. Um homem que saiba estar, que seja elegante e que tenha sentido de humor, tem muitas outras qualidades que são fundamentais.
– E numa mulher?
Gosto muito da elegância, do saber estar, da forma certa no lugar certo e da inteligência.
– O que mais gosta nos seus amigos?
Os meus amigos são uma parte muito importante da minha vida, mesmo. Aprecio a relação que temos, que é tão bonita, aprecio a amizade e o carinho que eles me têm. Contam-se pelos dedos das mãos os meus amigos, aquelas pessoas que estão sempre lá e para tudo, uma amizade de coração, corpo e alma, como irmãos mesmo, onde incluo as minhas irmãs, que são duas.
– A sua atividade favorita é...
Proporcionar – o que faço muitas vezes – jantares em minha casa para este grupo de amigos, em que ficamos a saborear a nossa amizade durante horas e horas sem nos cansarmos. Temos sempre algo para viver, falar, sentir.... Adoro organizar momentos especiais para as pessoas, é onde me sinto feliz.
– Organiza e saboreia esses jantares, mas pede ajuda a alguém para cozinhar...
Claro! Quem cozinha é um desses amigos. Somos fãs de um prato que ele faz muito bem, jardineira de choco, portanto, 80 por cento das vezes é ele que cozinha [risos].
– Qual é a sua ideia de feli­cidade?
Tenho vários momentos onde me sinto realmente feliz. A trabalhar, sem dúvida, com os meus amigos nestes momentos, com a minha família, assim como sozinha, a descobrir uma cidade, por exemplo.
– Gosta de viajar de mochila às costas?
Gosto de viajar de qualquer maneira, gosto de descobrir o mundo, de descobrir cidades, de viver em culturas diferentes, de absorver o mundo não como turista, mas como uma pessoa que temporariamente vive naquela realidade. Isso é uma coisa que me faz muito feliz.
– Quem gostaria de ser se não fosse a Maria João?
Sei lá, nunca pensei nisso. Não queria ser ninguém, queria ser eu! Sinto-me
muito realizada com o meu caminho, com o que tenho construído, com as pessoas que tenho na minha vida. Não almejava ser mais ninguém. Todos nós somos únicos e é isso que nos torna especiais.
– O que seria a maior das tragédias?
– Perder as pessoas que gosto.
– Qual a sua cor preferida?
Duas, branco e preto, embora não veja a vida a branco e preto.
– E a flor favorita?
Tulipas e girassóis.
– Quais os seus autores preferidos?
Ui... Isso agora é muito difícil. Adoro o Truman Capote. O meu livro preferido é Noites Brancas, de Dostoiévski. Tenho vários autores de que gosto, mas escolheria este livro e este autor.
– A sua palavra preferida, qual é?
Sim!
– O que mais detesta?
Falta de genuinidade nas pessoas. Prefiro que sejam verdadeiras, com todas as qualidades e defeitos que tenham, mas que sejam verdadeiras.
– Que dons naturais gostaria de ter?
Adoraria pintar bem. Já fiz um trabalho de pesquisa para uma personagem em que passei muito tempo enfiada num armazém a pintar milhares de quadros. Achei que era o máximo, mas tenho que aceitar que não é um talento que tenha.
– Como gostaria de morrer?
– Velhinha, de uma forma tranquila e a sorrir, porque a vida me tinha sido feliz.
– Qual o seu atual estado de espírito?
Realizada.
– Que defeito é mais fácil perdoar?
A insegurança das pessoas.
– Qual o seu lema de vida?
Tentar, sorrir sempre, e aceitar as coisas menos boas pensando que elas existem para nos fazer evoluir e crescer.
– E o anel na mão esquerda, o que significa?
– Significa que sou orgu­lhosamente imagem da Piaget [risos], há três anos, e este é um dos anéis de que mais gosto e uso-o constantemente. Não significa mais nada.
– Está, então, solteira?
– Solteira e boa rapariga.
Produção: Patrícia Pinto| Styling: Xana Guerra | Maquilhagem: Cristina Gomes | Cabelos: Griffe

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