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Ana Marques confessa-se: “Queria tanto ter umas filhas ‘bonsai’!”

A apresentadora abriu o seu livro de afetos, falou das suas inseguranças e de como lida com o passar dos anos.

Cristiana Rodrigues
26 de novembro de 2016, 14:00

Ana Marques chega ao Torel Palace Hotel, em Lisboa, à hora marcada. Deixa-se maquilhar, pentear e troca várias vezes de roupa para a sessão de fotos. Quando termina são três da tarde e resta-nos apenas uma hora para conversar, porque quando baterem as quatro, a apresentadora “vira abóbora”. Ou melhor, mãe. Aos 45 anos, deixa perceber que está numa boa fase a nível profissional. Apresenta o Posso Entrar, uma aliança da SIC CARAS com a revista CARAS Decoração, que lhe enche as medidas. É, também, no mesmo canal, uma das comentadoras do Passadeira Vermelha, onde se diverte bastante e, na SIC generalista, com a rubrica Correio, do programa Queridas Manhãs, tenta levar ânimo a casa de famílias desfavorecidas, de onde por vezes sai com as emoções à flor da pele.
O seu mundo de afetos parece também bem resolvido. Há nove anos, encontrou no economista Joaquim Barata Correia, dez anos mais velho, o amor que a faz feliz e com quem fez sentido ser mãe. Com Joaquim e as gémeas Laura e Francisca, de sete anos, Ana tem a família que sempre idealizou.
– Faz questão de ir sempre buscar as suas filhas à escola?
Ana Marques – Sim, buscar e levar. Ainda é uma distância grande entre casa e a escola e, numa Lisboa em obras, com trânsito levamos cerca de 45 minutos. Mas são minutos muito bem aproveitados.
– Aproveitam para pôr a con­versa e o mimo em dia?
– Conversamos, rimos, cantamos... E é engraçado, toda a paisagem da cidade suscita sempre perguntas e respostas. Tudo pode suscitar aprendizagem.
– É bom sentir que elas estão a crescer?
– Eu queria tanto ter umas filhas bonsai! Como diz uma amiga minha: queríamos muito que eles fossem bonsai, que crescem, mas que vamos aparando ao nosso gosto... Mas não são. Os filhos não são para nós. Estamos a criá-los para eles próprios, para o mundo, para se desprenderem de nós. E isso custa-me…
– Parece que não tem aproveitado bem todas as etapas…
– Acho sempre que não, mas tenho aproveitado, sim, sendo que a memória é lixada e não consigo reconstruir alguns momentos, algumas gracinhas... Ainda bem que temos os telemóveis do nosso lado, para fotografar, filmar e até gravar alguns instantes. Isso é um património extraordinário que a tecnologia nos oferece.
– Concorda que à medida que o tempo passa o amor pelos filhos cresce, os laços afetivos aumentam?
– Sim, nem sempre se ama naquele primeiro segundo como se pensou amar. Há um turbilhão de emoções, uma viragem na vida, uma violência de amor tão estranha que é difícil de absorver nos primeiros momentos. Na minha história, o amor cresce e prolonga-se dia após dia, o que só prova que os filhos não é só pari-los, é criá-los. Criar todos os dias mais um bocadinho de amor. E é este amor infindável que é desafiante.
– Como mãe, assusta-a o que está lá à frente?
– Assusta-me, porque não somos eu e o pai que fazemos o caminho delas. Há muitas variáveis, como o que elas já trazem de carga genética. E não há pais perfeitos. Há vidas. O que podemos fazer é dar-lhes a cana e ensiná-las a pescar no melhor sítio.
– Toma as decisões que têm que ver com as suas filhas sozi­nha ou conta com o Joaquim?
– O Joaquim confia imenso em mim e nas decisões que eu eventualmente tivesse de tomar sozinha, porque estou mais presente na vida delas, mas até agora as decisões têm sido sempre tomadas em conjunto, até as mais básicas.
– Em entrevistas à CARAS, há alguns anos dizia que gostaria de encontrar o amor com que sempre sonhou. O Joaquim é esse amor?
– Hoje dou graças a Deus por outras relações que tive não terem dado certo. Porque é aqui que me sinto bem. Vale a pena acreditar que a pessoa certa para nós muitas vezes não está disponível quando queremos.
– É feliz nesta união?
– Eu sou! E acho que o Joa­quim também [risos]. É uma relação em construção, de conforto, entendimento. O Joaquim tem mais dez anos do que eu e, apesar da diferença de idades, encontramo-nos. Encontramo-nos nas nossas diferenças e estamos sempre a tentar apurar-nos, melhorar, construir, a estar, a viver, a ter raízes. E isso é bom.
– Têm sido nove anos fáceis? Com filhos, trabalho…
– Não é nada fácil e nem sei o que vai acontecer daqui a dez anos. Não há relações perfeitas, mas as relações constroem-se. Não somos as pessoas que éramos há nove anos. Fomo-nos moldando, fazendo cedên­cias, sem nos anularmos a nós próprios. Aos 30 anos, somos repentinos, desistimos e muitas vezes deitamos fora o que tem arranjo, sem percebermos que esses desafios fazem parte do nosso crescimento, que podemos construir-nos melhor para construir uma relação. Deveríamos olhar para dentro para perceber o que realmente queremos e se vale a pena deixar tudo…
– Mas isso é um sinal de maturidade. É o que os 40 nos trazem?
– Sem dúvida. Os 40 ‘despentearam-me’ um bocadinho – hoje em dia faço o que me apetece, perdi a vergonha, e é muito mais divertido assim –, mas também me trouxeram um maior sentido de responsabilidade, tranquilidade e ponderação.
– É uma mulher segura?
– Não. Talvez mais do que era há uns anos, mas ainda há muita coisa que me provoca inseguranças. Como a educação das minhas filhas. E sou insegura também em relação ao meu corpo. Sei que já não vou ter o corpo que tinha aos 20 anos e já me estou nas tintas para a celulite, mas incomoda-me. [risos]
– Mas cuida-se?
– Já me cuidei mais... Hoje em dia faço Autêntico Pilates para tratar das costas – lá está um sintoma da idade –, e vou a uma clínica fazer tratamentos de radiofrequência para acabar com as células adiposas. Tento fazer uma alimentação saudável, mas gosto tanto de comer que às vezes faço umas asneiras.
– Ainda assim, tem 45 anos e 49 quilos…
– [risos] Graças a Deus en­gordei cinco quilos! Foi um médico de medicina chinesa que me mudou a alimentação.
– Tantas mulheres a quererem emagrecer e consigo a dieta é para engordar...
– Sempre tive uma luta enorme para engordar. Havia quem achasse que eu era anorética e que comia meia folha de alface, o que não é verdade. É uma questão genética. Continuo abaixo dos 50 quilos, mas sinto-me ótima.
– E quase não tem rugas...
– Tenho algumas rugas, sim. A pele está mais flácida e agora até já abuso dos filtros do Instagram por exemplo [risos]! Mas também não tenho preconceitos quanto a fazer alguma coisa para atenuar as rugas, desde que não me transformem o rosto. Só vou manter as rugas dos olhos.
– A medicina estética existe para nos fazer sentir melhor...
– A única cirurgia que teria sido capaz de fazer era pôr implantes mamários, ponderei essa hipótese, mas gosto do peito pequeno, acho mais elegante. E aos 45 anos, tendo saúde, não me vou sujeitar a uma cirurgia por razões estéticas. Agora umas injeções na cara para atenuar, tratar e prevenir rugas... isso não me aborrece nada [risos].

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