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Agir: "Acho que consegui facilmente distanciar-me da imagem dos meus pais"

Filho de Helena Isabel e Paulo de Carvalho, o músico, vencedor de um Globo de Ouro em 2016, está num momento alto da sua carreira.

Cristiana Rodrigues
20 de novembro de 2016, 12:00

Entrou serenamente e foi direto ao piano. ‘Arranhou’ uns acordes e encheu a sala do bar O Bom, o Mau e o Vilão, no Cais do Sodré – onde marcámos encontro – com a sua música. Agir é filho da atriz Helena Isabel e do músico Paulo de Carvalho, mas nunca fez disso estandarte. Com 28 anos, tem mais de 30 tatuagens, mas o objetivo é “ligá-las e ficar com apenas uma”, diz com o humor que lhe é característico e que pautou esta conversa, na qual só foi tabu o seu passado com as drogas, que tornou público no programa Alta Definição, em março deste ano, quando disse a Daniel Oliveira: “Aos 12 anos comecei a fumar e a experimentar coisas. Por minha vontade. Por exemplo, experimentei uma cerveja, aquilo soube-me mal e até hoje não bebo cerveja. Nem bebo álcool, porque não gosto. Experimentei cigarros, aquilo soube-me mal. Experimentei outra coisa, gostei e continuei a fumar. Eu era super feliz, uma pessoa super divertida. Até que aos 20 anos, depois de um excesso de divertimento, apanhei um susto de saúde (...) Devido às parvoíces que fiz na altura e que não foram poucas. (...) Era erva e o que calhasse (...) Tive uma fase em que eram só leves, e outras em que eram leves e pesadas. O importante é saber dar a volta por cima.”
E Agir deu. Tem a prova nos dedos, numa tatuagem que diz ‘drug free’. Tatuagens à parte, o músico e compositor, que em 2016 recebeu o Globo de Ouro de Melhor Intérprete Individual, está a uma semana de subir ao palco do Coliseu do Porto, ao qual se seguem dois concertos no Coliseu dos Recreios. Para antecipar estas datas, o intérprete de Makeup, deu uma série de entrevistas.
– O que é que tem de bom, de mau e de vilão?
Agir – [risos] Bem, vamos lá ver... De bom, sem querer parecer presunçoso, a minha música. De mau, a teimosia. E, às vezes, para as pessoas com quem trabalho, como sei muito bem o que quero, posso ser vilão…
– Este ano não tem sido mau nem vilão…
– Está a ser um ano muito bom, sim. De muito trabalho, muitos concertos, músicas novas. Não tenho mesmo razões de queixa. E, por mim, enquanto me quiserem ouvir, vai continuar assim.
– Tem desfrutado deste momento alto?
– Sinceramente? Não. Parece que ainda estou anestesiado. Ainda não parei para desfrutar das coisas boas que me estão a acontecer.
– Pensava chegar aos 28 anos com este reconhecimento?
– Não impus qualquer data, mas claro que o meu objetivo era ser bem sucedido na música, ser reconhecido pelo meu trabalho.
– Foi também por isso que se quis descolar da imagem dos seus pais…
– E acho que consegui facilmente [risos].
– Sim, conseguiu, sem dúvida. E também quis distanciar-se dos nomes deles...
– Qualquer coisa que seja conseguida por mérito próprio é sempre melhor. Talvez por isso, preferi ser conhecido como Agir e não como Bernardo Carvalho. E, musicalmente falando, tenho um estilo completamente diferente do do meu pai. Há influências dele, como a maneira de estar e de tratar os outros, mas a música é muito diferente.
– Os seus pais devem ter orgulho em si…
– Gosto de acreditar que têm. Às vezes, só num olhar dá para perceber que têm.
– Ter a sua mãe nos seus concertos, na primeira fila, a aplaudir, a dançar, é bom?
– Não acredito que ela fosse a um concerto com este tipo de música se não fosse por ser eu... [risos] Por isso, fico muito contente por tê-la na primeira fila.
– Sempre tiveram uma boa relação?
– Sim. Nunca me dei mal com os meus pais. E tem graça, depois de ter saído de casa da minha mãe, há cerca de ano e meio, para ir viver com a minha namorada, estou mais vezes com ela do que quando morávamos juntos. Às vezes nem para jantar nos encontrávamos. Agora, fazemos questão de jantar uma ou duas vezes por semana.
– Os seus pais separaram-se quando tinha 12 anos. Foi complicado?
– Levei com naturalidade a separação dos meus pais. O meu pai saiu de casa, mas eu continuava a vê-lo todos os dias. Ele sempre esteve presente na minha vida. Nunca me senti lesado.
– A sua imagem pouco convencional fê-lo passar algum dissabor?
– Não. Há profissões em que ter tatuagens é indiferente, a minha é uma delas. Hoje em dia, já é quase natural ter-se tatuagens, há menos gente a ficar em choque…
– Com terá ficado a sua mãe quando o viu com uma tatuagem…
– [risos] Comecei a fazer aos 20 anos, já muito ciente do que queria. As primeiras foram no ombro e nos dedos. E achei que a minha mãe se habituaria, mas ela ficava desiludida a cada tatuagem nova. Até quando fazia umas mais discretas ela reparava e ficava triste. Hoje sim, já se habituou. Só não gosta mesmo dos alargadores e, se pudesse, pagava-me uma operação para eu me livrar disto [risos]!
– Com tanto trabalho e sucesso para gerir, onde fica a sua namorada?
– A Catarina é um grande apoio. Super companheira. Sempre que pode vai comigo aos concertos. É dentista, mas foi bailarina e está habituada ao mundo artístico. Faço questão de a ter ao meu lado em todos os momentos possíveis. Ela é o meu porto seguro e gosto de acreditar que também o sou para ela.

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