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Luís Garcia: “O trabalho de ator é um pouco masoquista”

De sorriso tímido e sincero, o jovem ator da novela da SIC “Rainha das Flores” fala do seu percurso.

Andreia Cardinali
19 de novembro de 2016, 12:00

Luís Garcia nasceu em Mor­tágua, uma vila perto de Coimbra, onde viveu até aos 17 anos. Nessa altura foi selecionado para a série Morangos com Açúcar e mudou-se para Lisboa. Cinco anos depois mantém-se na capital e integra o elenco da novela da SIC Rainha das Flores, mas confessa que cada vez tem mais necessidade de voltar a casa. “Agora acabo por ir a casa com mais frequência. Percebi que as coisas têm a sua duração e devemos aproveitá-las enquanto é possível. A vida muda num instante e quero muito aproveitar o tempo que tenho com as pessoas de quem gosto. E eu gosto muito da minha família”, desabafa, sem complexos e com um sorriso tímido, enquanto admira o elevador de Santa Justa, em Lisboa. A partir daí a conversa fluiu naturalmente.
– Como surgiu o gosto pela representação?
Luís Garcia –
A minha família esteve sempre muito ligada ao teatro amador. Os meus pais e os meus tios sempre fizeram e fazem teatro amador, por isso, cresci perto desse mundo, embora a experiência nunca tenha existido. Nunca pensei que o meu caminho fosse por aí, mas quando surgiu a possibilidade de entrar nos Morangos com Açúcar, e porque acho que as coisas não acontecem por acaso, decidi aceitar.
– E o apoio da família foi imediato. Deram-lhe conselhos?
Conselhos para a vida, enquanto jovem que se estava a iniciar neste mundo, mas em termos de representação em si, não. Eles fazem o que fazem por amor e paixão, a técnica é inexistente.
– Entretanto, já se passaram cinco anos. Como têm sido?
Têm sido muito bons, tem corrido muito bem. Tenho tido algumas oportunidades para evoluir, sinto que estou a subir um degrau de cada vez e sinto que a escadaria é infinita...
– Este personagem tem trazido um reconhecimento maior?
As pessoas abordam-me na rua, mas já o faziam nos outros projetos... Acho que o público agora é diferente, embora a faixa etária continue a ser a mais jovem. Tem sido um feedback muito positivo.
– E lida bem com esse reconhecimento ou há dias em que preferia ser completamente anónimo?
É uma consequência do que se faz e lido bem. Não tenho tido grandes aborrecimentos com isso [risos].
– Pensa habitualmente na melhor forma para gerir a fama para que não sofra consequên­cias com a evolução da carreira? Ou ainda é prematuro?
Gosto de viver um dia de cada vez, sem pensar muito no que vai acontecer, pois acho isso bastante redutor e até castrador. Acho que é fundamental dar a importância que as coisas têm em cada momento. Não devemos deixar-nos deslumbrar, há que fazer o nosso caminho com o coração e aquilo que estamos a sentir em cada momento.
– Começou por fazer o Curso de Ciências da Linguagem na Universida­de Nova, mas não terminou. Porquê?
[Risos]. Acho que foi uma forma de perceber o que não queria. Só fiz dois semestres e percebi que não era por ali. Entretanto, comecei a trabalhar em cafés e lojas e no ano passado, ao entrar na ACT, comecei a apostar e a dedicar-me outra vez à representação.
– Quer isso dizer que depois dos Morangos com Açúcar ficou sem trabalho na representação? Como encarou isso?
Nunca perdi a esperança de que surgiriam novas oportunidades na área da representação e acho que foi bom, para agora dar mais valor ao que tenho e faço. E por outro lado já não fico assustado se deixar de ter trabalho novamente nesta área. Não tenho medo nem vergonha de trabalhar no que quer que seja. Não posso dizer que tenha sido uma fase fantástica da minha vida, mas foi bom ter trabalho, era pior se estivesse em casa sem fazer nada.
– Essa forma pragmática de encarar a vida tem a ver com a sua educação?
Sim, os meus pais sempre me ensinaram que o importante é fazermos aquilo que nos faça sentir bem, seja lá o que for. Acho que os meus pais me deram uma educação bem estruturada e com os princípios certos.
– Veio para Lisboa aos 17 anos. Para os seus pais não deve ter sido fácil...
Sim. Na altura custou-lhes mais a eles do que a mim, mas agora acho que é ao contrário. Digo muitas vezes à minha mãe que deviam vir morar para cá [risos]. Na altura foi bom, foi quase como se tivesse saído para ir para a universidade. O estranho foi ver a minha cara espalhada pela rua... Mas acho que fiz as coisas certas nos momentos certos.
– Percebe-se que é muito ligado à família.
Muito, mesmo. A minha relação com os meus pais está melhor do que nunca, sabem tudo sobre a minha vida, são as pessoas a quem ligo quando tenho algum problema e dou muito valor a isso.
– Passando um pouco para o lado profissional, como está a ser ‘vestir’ este personagem?
Está a ser muito bom, estou a aprender muito. O Bruno é um miúdo com um passado complicado que tenta todos os dias ter uma vida normal mas é constantemente atormentado por esse passado.
– É uma personagem com uma carga emocional forte. É fácil regressar à vida real?
Julgo que sim. Quando chego a casa estou junto das pessoas de quem gosto e com quem sempre me dei. Volto a ser eu no segundo em que saio do estúdio, embora por vezes me inspire nas minhas experiências para construir as personagens. O mais difícil é por vezes usar determinadas emoções quase de uma forma leviana. O trabalho de ator é um pouco masoquista. Muitas vezes uso emoções que não são da cena, digamos assim, mas que no fim vão funcionar da mesma maneira. Mas é bom, é louco, é divertido [risos].
– E namorada, há?
Não namoro, não sei se isso vai acontecer, não faço esses planos. Neste momento, quero viver as coisas que me dão prazer.

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