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Hélio Bernardino: “Sou feliz a ajudar a realizar o sonho dos outros”

Com 25 anos de carreira, o diretor da Elite Lisbon fala do desafio que é gerir celebridades como Vanessa, Soraia ou Ruben.

Cláudia Alegria
19 de novembro de 2016, 16:00

Tinha 19 anos quando entrou no mundo da moda. Enquanto aguardava um ano para voltar a tentar entrar no curso de Arquitetura, Hélio Bernardino decidiu fazer um curso de modelo na escola de Ana Wilson. Ainda fez alguns desfiles, mas rapidamente percebeu que não era nada daquilo que queria. Ficou de olho nos bookers, cuja atividade lhe parecia mais interessante, e pouco depois já estava a dirigir a escola de modelos onde tinha estudado. “Sempre fui muito ambicioso, mas muito focado. Desde novo que um dos meus lemas é: se é para fazer, é para ser o melhor, caso contrário, não vale a pena. Tenho de me apaixonar pelas coisas e apaixonei-me pela área, não tanto da moda, mas do model management”, explica Hélio, que acabou por não se voltar a candidatar a arquitetura. “Naquela altura ganhava-se muito dinheiro na moda e fui adiando o curso até nunca o fazer.”
Hoje é diretor geral da agência de modelos Elite Lisbon, representa celebridades como Vanessa Oliveira, Soraia Chaves, Victoria Guerra e Ruben Rua, e ainda consegue ter tempo para se deixar apaixonar por outros projetos para­lelos, como desenhar coleções de mobiliário de luxo para a d’Artisans. “Não tenho uma história de vida em que diga que vim do nada e tudo o que tenho foi à custa de suor, não. Graças a Deus os meus pais sempre viveram bem e as coisas foram acontecendo”, conta o agente, que no ano em que completa 25 anos de carreira, recebeu o melhor presente: a confirmação de que a Elite Internacional tinha escolhido Lisboa para acolher a final mundial do Elite Model Look, que irá acontecer no próximo dia 23 de novembro, no Campo Pequeno.
– Um agente de celebridades tem que ter a capacidade de ser, simultaneamente, psiquiatra, gestor e moderador, de modo a conseguir lidar com algumas celebridades?
Hélio Bernardino – A minha carreira como agente de celebridades começou com a Soraia Chaves. Ela era modelo e eu booker quando ela teve um boom incrível no cinema. Um dia digo-lhe que está na altura de procurar um agente e, como era um mundo novo tanto para ela como para mim, a Soraia pediu-me que ficasse ao lado dela. Foi nessa altura que comecei a dedicar-me a tudo o que tinha a ver com televisão, cinema, teatro, a desbravar o caminho da Soraia. Se para ser booker de modelos já era preciso ter paciência e ser um bocadinho psicólogo, para as celebridades é multiplicar isso por dez, porque são, muitas vezes, pessoas inseguras, a autoestima muitas vezes não é o que parece e precisam de algum mimo extra. É necessário ter muita paciência, saber ouvir. E como a nível pes­soal tive uma vida muito livre para lhes dar tempo – não sou casado nem tenho filhos –, acabei por me dedicar exclusivamente a eles. Desenvolvi algumas capacidades de psicologia e, hoje em dia, já sei o que é que tenho que fazer para a pessoa me dizer que sim ou que não a determinado trabalho. Comecei com uma celebridade, hoje tenho 20. Claro que conto com a ajuda da minha equipa, caso contrário não seria possível. Mas nestes 25 anos de carreira, de tudo o que fiz nesta área o mais fascinante é, sem dúvida, gerir a carreira de celebridades. O lado mais bonito da minha profissão, aquilo que me faz mais feliz é ajudar a realizar o sonho dos outros.
– É uma profissão em que é difícil conseguir ‘desligar’?
– Hoje em dia já consigo fa­zê-lo. Por muito sucesso que uma celebridade tenha, depois de determinada hora já não atendo o telefone. Às 19 horas estou no ginásio e nada muda isso na minha vida.
– Não por uma preocupação física, mas porque o ajuda a libertar-se?
– Sim, porque a partir dos 40 achei que tinha que ter tempo para mim. Dediquei muitos anos da minha vida aos outros e agora, aos 44, acho que tenho que ter tempo para mim. Já me consigo desligar das coisas, deixei de ser o workaholic que optou pela carreira em vez de constituir família.
– Foi uma opção? Lamenta não o ter feito?
– Não lamento. Obviamente que, como toda a gente, tive as minhas paixões, mas houve coisas das quais não abri mão. A certa altura as pessoas precisam de mais qualquer coisa, eu não dei e as pessoas partiram. Hoje em dia lido com isso muito bem, mas a partir dos 40 anos passei a estar completamente focado em novos projetos e na minha vida pessoal. Quero dar mais atenção a quem gosto, dar mais de mim.

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