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Cobie Smulders: “Acho que todas as mulheres são fortes, não precisam é de andar aos murros”

Cobie, que ganhou visibilidade como protagonista da ‘sitcom’ americana “Foi Assim que Aconteceu”, entrou em filmes da Marvel como “Os Vingadores” e “Capitão América”, e agora surge num novo filme de ação ao lado de Tom Cruise: “Jack Reacher: Nunca Voltes Atrás”.

Ana Paula Homem
13 de novembro de 2016, 12:00

O telemóvel toca, pontualíssimo, à hora marcada: 18h40 de Lisboa, 10h40 de Los Angeles. Do outro lado, uma voz rouca e enérgica diz um caloroso “Olá” e pergunta como está o tempo deste lado. E adian­ta que imagina Portugal como um paraíso, que um dia gostaria de conhecer. Enquanto isso não acontece, Cobie Smulders sabe que o melhor mesmo é aproveitarmos os 20 minutos de conversa telefónica que os estúdios da Paramount concederam em exclusivo à CARAS para a tentarmos conhecer um pouco. E predispõe-se a uma conversa sempre em tom amável. Antes de a transcrevermos, no entanto, adiantemos alguns dados sobre esta atriz nascida há 34 anos, em Victoria, Canadá, casada desde 2009 com um colega de profissão, Taran Killam, e mãe de duas raparigas, uma de sete anos, outra de 21 meses.
Filha de um holandês e de uma inglesa, Cobie descobriu que gostava de representar ainda no liceu, mas a sua beleza não passou despercebida e, mesmo sem grande entusiasmo, trabalhou algum tempo como modelo – com considerável projeção internacional –, até que aos 20 anos decidiu mudar-se para Nova Iorque e tentar a sua sorte como atriz. Três anos depois, ‘nasceu’ a personagem que a tiraria em definitivo do anonimato: Robin Scherbatsky, a ex-cantora pop canadiana de Foi Assim que Aconteceu, sitcom que se revelou um tal sucesso que durou de 2005 a 2014 (e ainda está em exibição em Portugal, na Fox Comedy).
A atriz de pele branca, cabelos castanhos, olhos azuis rasgados e sorriso radioso também é um rosto familiar para os fãs dos épicos da Marvel, pois já vestiu a pele da agente da S.H.I.E.L.D. Maria Hill em títulos como Os Vingadores e Capitão América. E apesar de o registo da comédia negra ser o seu preferido – “gosto das personagens que mostram o lado bizarro do ser humano” –, é no registo de ação que Cobie Smulders volta à salas de cinema mundiais a 20 de outubro, como parceira de aventuras do veterano Tom Cruise em Jack Reacher: Nunca Voltes Atrás.
Nesta sequela do filme de 2012 centrado na figura do ex-major da polícia militar Jack Reacher, um solitário cavaleiro andante dos tempos modernos que vai até às últimas consequências na sua cruzada contra o Mal, Cobie assegura a não menos he­roica Susan Turner, major que combateu no Afeganistão e tem uma carreira militar brilhante. O que lhe exigiu, meses depois de ser mãe pela segunda vez (e de já ter lutado contra um cancro dos ovários, entre 2007 e 2009), um exigentíssimo treino físico, que a preparou para, taco a taco com Cruise/Reacher, desmontar a tiros, murros e pontapés uma terrível conspiração.
– Como foi filmar com Tom Cruise? Deu-se bem com ele?
Cobie Smulders – Sim, foi ótimo. O facto de ser um filme com cenas muito exigentes em termos físicos implicou que dois meses antes do início da rodagem tivéssemos começado a treinar juntos. E demo-nos muito bem. Foi muito divertido trabalhar com ele e com toda a sua equipa. O Tom [que também produziu o filme] rodeia-se dos melhores profissionais.
– Para quem tinha tido um bebé meses antes, está incrivelmente em forma no filme. Deve, de facto, ter sido um treino duro!
– Ah! Já viu o filme! Eu ainda não... É verdade. Já tinha feito vários filmes de ação, mas nenhum tão exigente como este! Diria que nunca na vida estive tão em forma como fiquei graças a esta personagem, que me exigiu várias horas diárias de treinos, sete dias por semana. Aliás, sendo mãe de duas crianças pequenas, não sei se poderei fazer muitos mais filmes tão exigentes a esse nível, não tenho tempo nem energia para isso!
– É latente em todo o filme uma enorme atração entre Jack e Susan e, no final, não há sequer um beijo. Não lhe parece um bocadinho frustrante?
– Pois, já várias pessoas me disseram o mesmo. Na verdade, nós gravámos uma cena em que eles se envolviam, mas o realizador deve ter achado preferível manter esse clima de tensão sem que nada se concretizasse. Pois... essa tensão sexual entre eles é muito explorada no filme, por isso, eu diria que a decisão de não haver um desenlace é uma forma de salientar que, mais do que um homem e uma mulher, eles são dois militares e, como tal, honram acima de tudo o es­pírito de camaradagem. Afinal, se fossem dois homens, não se esperavam beijos [risos]!
– Jack é uma espécie de cowb­oy solitário, mas neste filme é levado a pensar que tem uma filha adolescente, Samantha. E quando a conhece e sente necessidade de a proteger, torna-se muito mais humano. O facto de Samantha não ser mesmo filha dele acaba por ser, também, uma certa desilusão, não lhe parece?
– Sim, é verdade, Reacher é um homem muito solitário, e neste filme tem a experiência do que é ter uma família e sente necessidade de a proteger. Mas o autor [Lee Child, que escreveu vários romances protagonizados por Reacher] criou esta personagem para ser isso mesmo: um solitário.
– A Cobie foi sempre muito bonita, mas diria que aos 34 anos está ainda mais do que quando começou em Foi Assim que Aconteceu. Isso acontece sobretudo às mulheres positivas, que sabem amadurecer...
– Obrigada por esse elogio tão simpático! Enfim, se isso for verdade, talvez seja por hoje ter mais confiança em mim própria. Acho que à medida que os anos passam tenho vindo a perceber que mentalmente sempre tive 30 anos, talvez porque sempre me dei com pessoas mais velhas, por isso, se calhar agora é que estou na idade certa. E, de facto, estou a gostar muito mais dos trintas do que dos vintes.
– Acha que o facto de ter tido um cancro aos 25 anos contribuiu para esse amadure­cimento precoce? E depois de vencer a doença, passou a apreciar melhor a vida?
– Claro que sim! Felizmente, o meu cancro não era dos piores, mas foi um grande abanão. O facto de ter enfrentado um cancro ensinou-me a dar mais valor à vida, a estar ainda mais grata pelas coisas que tenho – e eu sempre fui muito grata –, a querer aproveitar cada minuto intensamente e a relativizar muita coisa.
– Ter conseguido ser mãe [depois da operação, Cobie ficou apenas com um terço de um ovário e os médicos duvidavam que conseguisse engravidar naturalmente] foi a sua maior vitória contra o cancro?
– Sim, adoro ser mãe! E as minhas filhas são incríveis. As minhas filhas são “as” mais incríveis [risos]! A felicidade que elas me dão é enorme, por isso, sim, sinto-me abençoada por ter podido ser mãe.
– É certo que de modos diferentes, mas as personagens de Robin Sherbatsky, Maria Hill ou Susan Turner são todas mulheres fortes, no comando, quase um pouco masculinas, não acha? Apesar de o seu sorriso ser revelador de uma personalidade feminina, tem isso em comum com elas?
– Acho que todas as mulheres são fortes, especialmente as que são mães, porque trazer crianças a este mundo, educá-las, trabalhar, conseguir pôr refeições na mesa, esses são os mais duros dos desafios. As mulheres mostram é a sua força de muitas formas diferentes, não necessariamente a comportar-se como um dos rapazes, a andar por aí aos murros.
– Não tem medo de que as suas filhas, ao vê-la o tempo todo num filme aos tiros e en­volvida em lutas corpo a corpo, possam achar que essa é a forma que a mãe tem de resolver os conflitos?
– Acho que não vou mostrar este filme – nem os da Marvel – às minhas filhas tão cedo [risos]! Teria de lhes explicar muitas coisas difíceis para justificar esse recurso à violência! Não posso dizer-lhes que não devem bater nos outros meninos, mesmo que eles lhes batam, e depois verem-me a bater e a dar tiros numa data de gente!

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