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Fernanda Serrano: “É impossível pensar em ter mais crianças”

Mãe de quatro filhos, a atriz, de 42 anos, admite que só há bem pouco tempo é que se mentalizou de que não deverá voltar a ser mãe.

Cláudia Alegria
12 de novembro de 2016, 12:00

Os seus olhos continuam a brilhar cada vez que se fala de bebés ou vê uma mulher grávida. A mãe de Fernanda Serrano ficava preocupada sempre que se apercebia destes sinais, pois sabia que poderia, a qualquer momento, ser informada de uma nova gravidez da filha. Mãe de Santiago, de 11 anos, Laura, de oito, Luísa, de sete, e Caetana, de um ano, a atriz, de 42 anos, garante, no entanto, já se ter mentalizado de que, para que possa dar a atenção que quer a todos os filhos, não deverá voltar a viver a experiência da maternidade. Foi o que deixou claro na entrevista que deu à CARAS durante o making of da nova campanha da Majorica, marca de joalharia de pérolas orgânicas artesanais da qual é embaixadora.
– Lembra-se qual foi a primeira joia que recebeu ou que guardou por ser especial?
Fernanda Serrano –
Não tenho ideia... Lembro-me de brincar com um colar de pérolas da minha mãe, que deve ter sido herdado da minha avó materna, e que ainda uso de vez em quando. Agora irei deixar este legado [joias da marca] às minhas filhas e netas.
Já fala em netas?
– É verdade [risos]. A minha mãe ficou muito feliz quando me ouviu falar em netos, pois significa que já parámos com os filhos!
– E pararam? Sempre quis ter muitos...
– Mas já tenho muitos e reconheço que me falta tempo de qualidade para estar com todos eles. E porque gosto de ser uma mãe presente, gosto de fazer tudo aquilo que me propus fazer aos meus filhos e ter uma interveniência forte na vida deles, não quero agora defraudar as minhas expectativas, muito menos as deles. Percebo que, perante o meu horário de trabalho, que chega a ser selvático, e a quantidade de frentes de trabalho que tenho, é impossível pensar em ter mais filhos. Além disso, preciso de tempo para estar com eles de forma individual e não estarem a ser sempre geridos os quatro ao mesmo tempo. É muito importante para eles e para mim também.
– Sentiu remorsos por aceitar o papel de A Impostora quando a Caetana tinha quatro meses, mas agora pode compensá-la...
– É isso que tento que os meus filhos entendam. Não tenho os horários de uma mãe ‘normal’ durante o decurso dos projetos, mas depois tenho muito mais tempo de férias. Obviamente que eles se queixam: a mãe não nos consegue levar à escola, não nos vai buscar, não consegue almoçar connosco, lanchar e, muitas vezes, jantar. Por vezes as crianças são muito duras, mas tento gerir isto da melhor forma, porque sei que é inerente à capitalização que faço do meu trabalho e é importante que eles também percebam que faço isto de forma consciente e propositada. Eu gosto do que faço, é bom que eles sintam que é uma coisa desejada por mim, faz-me sentir bem, realizada. Eles depois gostam do resultado, gostam de me ver no trabalho, gostam de me ver feliz, portanto, este é o reverso da medalha: estão menos tempo comigo no decorrer dos projetos, mas depois os intervalos são muito maiores do que os das outras mães.
– Daí ter ficado tão feliz por ter conseguido acompanhá-los no primeiro dia de aulas?
– Acho que estava até mais emocionada do que eles! Vivo esses dias com os meus filhos de forma intensa. Gosto de os ir buscar mais cedo ao colégio para estar mais tempo com eles e, às vezes, percebo que nem todas as mães o fariam, ainda que conseguissem, porque o entendem como tarefas e não como um prazer. Tudo aquilo que faço pelos meus filhos, toda a entrega, é responsabilidade minha. Fui eu que decidi ter esta atitude perante a vida: roubar do meu tempo e entregá-lo aos meus filhos. E jamais esperarei retorno. Nunca. Se foi uma decisão minha, eles não têm que nos compensar do que quer que seja. Apenas têm que ser nossos filhos, e serem crianças e adultos felizes.

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