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Donald Trump: De jovem turbulento a conservador racista e misógino

“Acho que a única diferença entre mim e os outros candidatos é que eu sou mais honesto e as minhas mulheres mais bonitas.” (Trump, durante a campanha)

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6 de novembro de 2016, 12:00

Turbulento. É o próprio Donald Trump quem usa a palavra para descrever o seu comportamento na adolescência. Aquele que lhe valeu, aos 13 anos, a expulsão do liceu que frequentava no bairro nova-iorquino de Queens, onde nasceu, há 70 anos, levando o pai, Fred Trump, a inscrevê-lo na Academia Militar de Nova Iorque. Aqui, alega, teve “um treino mais duro do que muitos que seguiram a vida militar”. Ainda assim, não o suficiente para arriscar a pele no Vietname: considerado apto em 1966, consegue um adia­mento devido aos estudos; em 68, é dado novamente como apto, mas, pouco depois, um relatório médico atesta inaptidão devido a problemas nos tendões de Aquiles.
Donald herdou do pai o gosto pelo negócio imobiliário – filho de imigrantes alemães, Fred, um self made man que com apenas 15 anos criou uma empresa de construção, terá enriquecido graças à especulação imobiliária –, e já trabalhava na empresa familiar quando concluiu o bacharelato em Ciências Económicas na Universidade da Pensilvânia, em 1968.
As ligações que Fred Trump terá tido na juventude com o Ku Klux Klan – e que em 1927 o levaram à prisão, na sequência de conflitos numa manifestação –, tal como o facto de mais tarde se recusar a alugar a negros as casas que construía, poderão ajudar a explicar que ao longo dos anos o seu filho tenha enfrentado várias acusações de racismo e que na sua corrida à Casa Branca defenda fortes medidas anti-imigração. Às quais se juntam a sua oposição às leis do controlo de armas, do aborto, do casamento de homossexuais ou do plano de saúde de Obama.
Novo-rico megalómano, das casas aos carros e aviões, passando pelas mulheres com quem se casou – a ex-modelo checa Ivana Zelnícková (de 1977 a 1990), a atriz americana Marla Maples (de 1993 a 1997) e a ex-modelo eslovena Melania Knavs (desde 2005) –, tudo à volta de Donald Trump tem o brilho kitsch da ostentação. Adora dizer que é milionário (a Forbes estimou recentemente que estará na 156.ª posição na lista dos americanos mais ricos e em 496.ª a nível mundial), detesta que subestimem a sua fortuna e nem as recorrentes suspeitas de enriquecimento ilícito que pairam sobre ele o travam de exibir os sinais exteriores do dinheiro que tem. Dinheiro que, sabe-o bem, não compra só bens materiais. Compra influência, mulheres bonitas (muitas que não conseguiu comprar queixaram-se agora que as tentou forçar), silêncios, testemunhas, impunidade, fama. Em resumo: poder.
O narcisismo é, sem sombra de dúvida, o principal traço de carácter do candidato republicano (que também já foi democrata e reformista) às presidenciais de 8 de novembro: adora ver-se ao espelho e ser visto, pelo que não resistiu a fazer de si próprio em vários filmes, séries, anúncios e reality shows.
Símbolo máximo do poder e centro das atenções não só no seu país, mas no mundo, a Casa Bran­ca é mesmo o que falta na vida deste cowboy insolente dos nossos dias. A insolência com que se comporta com frequência poderá, no entanto, ser o seu calcanhar de Aquiles. O mesmo que livrou do Vietname este autodenominado nacionalista.

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