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Irene Ravache e Edison Paes de Melo passam dias felizes em Lisboa

A atriz está em Portugal com a peça ‘Meu Deus!’, que depois de Lisboa seguiu para Famalicão e Póvoa de Varzim.

Marta Mesquita
29 de outubro de 2016, 10:00

Irene Ravache exibe poucos sinais dos seus 72 anos. Jovial e alegre, a atriz brasileira continua a ser curiosa, não deixando que o sucesso lhe dê a sensação de dever cumprido. Graciosa nos modos, Irene é a imagem perfeita de uma senhora que, sem tiques de vedetismo, gosta de manter algum distanciamento, reservando-se para os que lhe são mais próximos. Contudo, foi com uma genuinidade desar­mante que nos falou dos seus afetos e do envelhecimento, sem medo de se expor ou de parecer ‘politicamente incorreta’. Uma conversa testemunhada pelo marido da atriz, Edison Paes de Melo, durante um passeio pela zona ribeirinha de Lisboa.
– É bom regressar a Portugal?
Irene Ravache
– Sempre! Em Portugal sinto-me confortável. Além disso, gosto muito da comida e dos vinhos portugueses. Aqui como um peixe delicioso e verduras que não provo em mais lado nenhum! São pequenos e grandes prazeres que não temos no nosso dia-a-dia.
– Desta vez, foi o trabalho que a trouxe, pois está em cena com a peça Meu Deus!, na qual interpreta uma psicóloga que é procurada por Deus, que está deprimido. O que a interessou neste trabalho?
– Quando comecei a ler este texto fiquei muito curiosa por saber onde é que esse encontro iria dar. A autora conseguiu conjugar de forma inteligente e leve assuntos que nos levam a refletir. Independentemente de termos ou não uma religião, há um momento em que o ser humano se questiona se há alguma força a tomar conta disto tudo.
– Descobriu algo sobre si?
– A matéria-prima do meu trabalho sou eu. Por isso, há sempre um confronto entre a pessoa que sou e a personagem. O que aprendi concretamente com esta peça é que todos temos um véu que esconde algo. Contudo, quando temos a oportunidade de nos entregarmos, parece que nos sai um fardo das costas. Muitas vezes temos de escamotear a nossa dor, a nossa mágoa... Hoje somos muito politicamente corretos. E há momentos em que precisamos de extravasar o que está cá dentro. E ver este deus pedir ajuda permite perceber como os poderosos também são frágeis.
– A Irene e o seu marido estão juntos há mais de 40 anos. No vosso caso, o amor sempre bastou? Ou há mais a unir-vos?
– O principal é o amor. Ama­mo-nos muito, mas também discutimos! Temos uma educação parecida e valores semelhantes. O meu marido é um homem muito educado e isso já é meio caminho andado, porque é bom conviver com pessoas assim. Também somos os melhores amigos um do outro. Há pessoas que nos perguntam se aos 72 anos ainda há uma vida sexual. E eu digo: “Se fosse como quando nos conhecemos, já estava a levar soro e à beira da morte! Nem sei o que seria!” Há um tempo para tudo.
– Com um casamento tão longo, e depois de batalhas como a que travou para ajudar o seu filho mais velho a deixar as drogas, sente que a família harmoniosa que tem hoje é a sua maior conquista?
– Sim. E o que me dá mais felicidade é estarmos todos juntos. Temos uma casa a 40 quilómetros de São Paulo e quando estamos reunidos é uma delícia. Hoje o meu
filho está ótimo e temos uma relação muito próxima. E adoro ser avó! Preparei-me para ser aquela avó que faz doces, mas os meus netos não gostam [risos]! Contudo, também é bom estarmos só os dois. O meu marido adora.

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