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Paula Lobo Antunes: “Dizia aos meus pais, que quero que eles tenham tanto orgulho em mim como eu tenho neles"

Aos 40 anos, a atriz sente que encontrou um patamar de serenidade ao lado do marido, o também ator Jorge Corrula, e da filha, Beatriz, de quase quatro anos.

Vanessa Bento
27 de outubro de 2016, 16:17

Quando Paula Lobo Antunes entrou para o curso de teatro do Conservatório (e com o curso de Biologia Médica terminado), perguntaram-lhe se queria ser atriz para ser famosa. Não podiam estar mais longe da verdade. Tímida, nunca ambicionou a fama, embora hoje seja uma das caras mais conhecidas do público português. “Quando sou eu, não crio a minha personagem, sou mesmo eu, por isso é que fico retraída e com dificuldade em me exprimir”, admite. Ainda assim, foi capaz de nos mostrar a sua verdade durante esta sessão fotográfica e na conversa que se seguiu. Com um sorriso que irradia luz, Paula Lobo Antunes, de 40 anos, filha do neurocirurgião João Lobo Antunes e da médica Ana Maria Couvreur de Oliveira, é hoje uma mulher mais segura. Muito por causa da filha, Beatriz, de quase quatro anos, mas também da paz que foi cultivando ao longo do tempo e que agora está a colher. Um estado de espírito potenciado também por Jorge Corrula, seu companheiro de vida e de profissão, com quem caminha de mãos dadas há dez anos.
– Disse numa entrevista que o seu grande objetivo era ser feliz e trazer felicidade àqueles que a rodeiam. Tem sido fácil concretizar esse objetivo?
Paula Lobo Antunes – Acho que sim. É uma coisa que demora tempo. Passa por selecionar as nossas opções, o nosso estilo de vida, as pessoas que nos rodeiam e ir fazendo uma triagem do que nos afeta de forma mais negativa. Obviamente, é um bocadinho lírico, mas acho que é possível e importante. Foi algo que aprendi depois de ter sido mãe e também vem com a idade. Aprendi a dizer não mais facilmente e a dizer sim ao que realmente importa. Isso faz-me sentir mais feliz, mais tranquila e permitiu-me criar laços mais fortes.
– O Jorge e a Beatriz têm ajudado nesse processo?
– O processo é meu, é pessoal, mas ter apoio bom, incondicional... Criar o que se chama uma família não é fácil, vai-se fazendo e construindo, é diário.
– Contrariando os conselhos da sua mãe, o seu coração acabou por palpitar por um ator.
– Pois, mas essas coisas não se escolhem. É o que é.
– Estão juntos há vários anos. Como tem sido a vida em comum?
– É uma vida que se foi criando, naturalmente. Escolhermos estar com alguém que nos completa é muito bom. No nosso caso, as coisas não são difíceis, tudo flui e quando assim é, torna-se mais duradouro. Hoje em dia as pessoas desistem facilmente umas das outras e optam pelo que acham ser o caminho mais fácil. Estar com alguém pode cansar, mas é preferível batalhar e fazer as coisas funcionarem. Os anos vão passando e nós não damos por isso. Vai-se criando, vai-se fazendo, vamos crescendo juntos, formando mais raízes e fortalecendo a união. E isso, ao longo dos anos, fica mais difícil de quebrar. Já existe tanta história, tantos sentimentos, que se vai alimentado e vai crescendo.
– O facto de serem ambos atores facilita o entendimento?
– Acho que isso também tem a ver com cada um. Se calhar há pessoas à minha volta que não compreendem sobretudo os horários e a falta de disponibilidade. Se calhar os atores compreendem mais, porque também passam por isso, mas conheço vários casais de atores que entram em conflito. O importante é termos pessoas à nossa volta que nos compreendem.
– Há quase quatro anos, a Paula e o Jorge decidiram alargar os parâmetros do vosso amor, e nasceu a Beatriz.
– Foi uma coisa natural e planeada. Queríamos muito e hoje temos uma filha muito feliz que concretiza todos aqueles imaginários do que é ser mãe: tanto as dores como os amores. Por isso, sim, foi um acréscimo e um prolongar. Vejo até como um prolongar meu, que é uma coisa importante. Assim que fui mãe, senti que gostava de ser avó.
– A Beatriz tem sido uma luz nas vossas vidas?
– O próprio nome dela indica, é quem traz felicidade, e é o que faz. Com muitos desafios lá pelo meio, com preocupações, mas não muitas, é uma fonte de energia e de inspiração.
– É a mãe que sempre quis ser?
– Tento sê-lo todos os dias. Obviamente que o guião não está escrito, é um exercício diário às vezes complexo. Mas continuo a ter os meus ideais como mãe, na forma como a quero educar, de maneira justa, aberta, pragmática, sempre com um incentivo positivo e tentar seguir o gentle parenting. Mas isso, lá está, tem muito a ver com o facto de ter sido mãe mais velha, de ter mais paciência e de sentir que já consegui atingir vários objetivos, profissionais e pessoais, e acho que é por isso que tenho esta postura. Às vezes é difícil, mas faz parte deste tipo de vida que quero dar e transmitir.
– Já assumiram a vontade de ter mais filhos. Pode estar para breve?
– Para já, não há planos nesse sentido, nem tempo. Mas queremos muito, sim.
– A maternidade tornou-a mais cons­ciente de si própria?
– Não. Sinto-me mais solta, menos preo­cupada, mais condescendente, paciente, e não quero as coisas muito depressa. Há certas coisas que não importam mesmo e acho que aprendi isso não só com a idade, mas ao ser mãe. Acho, também, que me aceito mais agora.
– Que marca quer deixar na Beatriz?
– Quero que ela se orgulhe da mãe e que faça por eu ter orgulho nela. É um bocado o que eu dizia aos meus pais, que quero que eles tenham tanto orgulho em mim como eu tenho neles. Acho que isso é importante, fazermos os nossos pais felizes, bem como os nossos filhos. Isto depois é uma bola de neve, é cíclico e é esse o meu objetivo. Gosto imenso de ter orgulho nas pessoas e faço questão de o dizer.
– A Paula cresceu com o exemplo da sua mãe, que nunca deixou de trabalhar e de se destacar, mesmo com quatro filhas. Isso mostrou-lhe que as mulheres não cabem apenas numa dimensão?
– As mulheres não têm limites. As pessoas não podem nascer com limites, têm sempre de ir à procura dos seus sonhos e do que as faz felizes. Obviamente, a minha mãe, sendo a mulher de força que é, é para mim um exemplo direto.

Todos temos uma luz dentro de nós e não podemos deixar que as outras pessoas a apaguem.
– Foi essa postura que a fez largar tudo e seguir a representação?
– Sem dúvida, até porque foi uma coisa que fiz sozinha, uma coisa pessoal, um sentimento que tinha desde pequenina e morria de medo do que poderia acontecer. Mas aventurei-me, arrisquei e foi difícil no início, mas compensou.

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