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José Mata: “Gosto de ter o meu espaço e o meu tempo, de não me sentir pressionado”

Há muito que pedia o papel de um vilão a sério. Conseguiu-o agora, na novela da SIC 'Amor Maior'

Andreia Cardinali
23 de outubro de 2016, 12:00

Assertivo nas palavras e nos atos, José Mata, de 30 anos, vive sem receios nem planos, mas com sensibilidade. Com 12 anos de carreira, já deu provas do seu talento e a estreia no cinema, em Amor Impossível, rendeu-lhe um Globo de Ouro e o prémio da Sociedade Portuguesa de Autores. Atualmente, vive um dos maiores desafios da sua carreira com o vilão Lobo, um dos protagonistas da próxima novela da SIC, Amor Maior.
– Tem sido confortável vestir a pele do Lobo?
José Mata –
Tem sido maravilhoso, estou muito feliz. Este personagem é um presente que a SIC e a SP me deram. É um personagem incrível, um vilão com ‘V’ grande. É um traficante de arte sacra, um homem com dinheiro e bom gosto que é chefe de um gangue. É muito inteligente, meticuloso e sem escrúpulos. Estou a adorar.
– Como é que se preparou?
Vi muitos filmes, tenho recorrido a tudo para tentar perceber como é que uma pessoa assim pensa, fala, anda, reage. O desafio é esse, perceber como vou fazer determinada personagem. É aí que se começa a definir tudo, porque quando gravamos o primeiro dia já não há como voltar atrás. Já lhe demos corpo e voz, há que dar seguimento. Sinto que estou a arriscar, mas também a fazer um bom trabalho. Tenho um personagem de grande responsabilidade, mas acho mesmo que estamos a fazer a melhor novela do mundo. Estou a gostar muito.
– Faz parte da chamada nova geração de atores. Sente alguma responsabilidade?
A responsabilidade de manter o legado e o nível de qualidade deixado por grandes atores.
– Tem apostado na formação...
Sim e acho que isso é fundamental. Não basta tirar um curso de três anos para se ser ator. É preciso estudar constantemente. Fiz vários workshops além do Conservatório e acho que a formação é fundamental ao longo da vida, um ator está sempre a aprender.
– Uma carreira internacional faz parte dos planos?
Está tudo em aberto. Tenho essa vontade, mas não é uma prio­ridade. Quero muito construir o meu cantinho aqui. Gosto muito de Portugal, tenho tudo aqui e não trocaria este país por nada. Felizmente tenho tido muito trabalho e sinto-me um privilegiado.
– Já ganhou dois prémios como ator de cinema. Sente que a partir daí tem de fazer mais e melhor?
O meu sentido de respon­sabilidade está sempre no máximo, independentemente de ser uma participação ou um protagonista. Sinto-me muito orgulhoso pelos prémios que recebi, mas foram em relação àquele filme. Agora que estou a fazer a novela não penso nisso.
– É fácil chegar a casa e despir a personagem?
Não, acho até complicado. Acho que todos os atores têm esse dilema. Levamos muita coisa para casa, muitas emoções... Acho que esta é uma profissão especial. Qualquer coisa que esteja a acontecer na nossa vida serve de experiência para depois aplicarmos no trabalho, é como se tudo fosse objeto de estudo.
– E deixa que isso o afete?
Não [risos]. Para sermos sau­dáveis é importante distinguir o trabalho da vida pessoal.
– Como lida com o lado mediático da profissão?
Com naturalidade. Claro que com picos, mediante o trabalho que estou a fazer. Mas se eu visse o Johnny Depp a passar também lhe ia pedir uma fotografia ou um autógrafo. Há que ser simpático para as pessoas que nos abordam e perceber que faz parte do trabalho.
– Perdeu o seu pai muito cedo e é filho único. Isso definiu-o enquanto homem?
Claro, to­das as experiên­cias, boas ou más, que vivemos na nossa infância ou adolescência nos marcam e definem como adultos.
– Imagino que se tenha também tornado muito próximo da sua mãe...
Muito mesmo e continuo a ser. Ela é a minha melhor amiga, é muito mais do que minha mãe.
– Os 30 anos e o seu namoro com Rita Duarte trazem perspe­tivas familiares ou ainda é tudo muito prematuro?
Ainda é muito cedo para pensar nisso. Estou bem, feliz. Tenho uma na­morada, uma casa, um cão, uma família. Sinto-me um jovem e ninguém me dá 30 anos. Não sinto pressão nenhuma e acho que nunca vou sentir. Tenho vontade de ser pai, não sei se algum dia me casarei ou não. Tenho uma relação recente e gosto de viver o dia-a-dia, sem planos. Gosto que respeitem isso. Gosto de ter o meu espaço e o meu tempo, não gosto de me sentir pressionado. Felizmente até agora tem corrido tudo muito bem.
– Mas é importante ter alguém ao seu lado que entenda a profissão...
Claro e acredito que nem sempre seja fácil. A Rita lida muito bem com isso. A minha carreira já tem 12 anos e a minha relação apenas oito meses. A minha carreira é muito importante e está acima de tudo.
– Qual é o balanço destes 12 anos?
É muito positivo. Felizmente tenho tido sempre trabalho e tenho conseguido fazer as escolhas certas. Soube recusar quando era necessário, aceitar quando deveria fazê-lo e sempre acreditei que um dia pudesse ver o meu trabalho reconhecido e ter mais volume de trabalho. Este é um mundo complicado. Tenho imensos amigos colegas tão bons ou melhores do que eu que não têm tanto trabalho. Felizmente, corre-me tudo muito bem e de há uns dois anos para cá não tenho parado.
– E prepara-se para as alturas em que há menos trabalho?
Confesso que não sou muito bom a poupar [risos]. Gosto de viajar, de jantar fora, de aproveitar a vida. Ultimamente tenho percebido que o deveria fazer, na eventualidade de estar algum tempo sem trabalho, até para nessa eventualidade não ter de estar preocupado.

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