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Sara Salgado: “Faço todos os esforços para estar perto da perfeição”

A atriz prepara-se para se estrear em teatro, com a peça ‘“A Mãe Biológica de Marilyn Monroe”.

Vanessa Bento
22 de outubro de 2016, 14:00

A formação em dança clássica moldou-lhe o corpo e a alma, numa coreografia permanente que Sara Salgado faz questão de manter com a vida. Aos 26 anos, conta já com dez de carreira e um percurso que não foge muito daquilo que é enquanto pessoa: ponderado, sensato e firme. Com a certeza de que é a representação que a preenche por inteiro, a atriz agarra as oportunidades e vai concretizando sonhos e vontades. Um desses sonhos ganha vida já no próximo mês, quando se estrear no palco do teatro Armando Cortez, com a peça A Mãe Biológica de Marilyn Monroe.
– Neste momento, podemos vê-la no pequeno ecrã a interpretar Renata, em Rainha das Flores. Em que é que ela se assemelha a si?
Sara Salgado –
Ela é muito diferente de mim. Não pensa antes de agir, é muito impulsiva e eu sou o oposto, sou muito ponderada. Mas depois também é uma miúda com objetivos, que sempre trabalhou bastante, responsável e é apaixonada, não só pelo namorado, mas pelo que faz. A maneira como lida com as pessoas à volta dela é apaixonada e intensa e nestes aspetos acho que somos parecidas.
– Na novela acaba por viver uma relação um bocadinho disfuncional. Imagina algo assim na sua vida?
Ninguém é igual a ninguém. Neste caso, há uma altura em que a Renata é demasiado obcecada pelo namorado. O facto de deixar o trabalho para investir na empresa dele é coisa que nunca faria. Viver juntos e trabalhar no mesmo sítio corre sempre mal. É bom que cada um tenha os seus próprios objetivos profissionais e é bom sentir uma certa saudade. Claro que dou muito de mim a uma relação, mas não sou obsessiva como a Renata.
– Respeitar o espaço pessoal é fundamental?
É muito importante para uma relação ser saudável. Claro que também tem que haver confiança, todas as relações têm que ser construídas com base na confiança. Se isso não acontecer, é meio caminho para a desgraça.
– Está solteira?
Estou.
– O que é que um homem tem que ter para a conquistar?
Tem que ser inteligente, ter objetivos e sentido de humor, que é uma das coisas mais importantes. E, principalmente, ser confiante e respeitar a pessoa com quem está como ela é e respeitar o trabalho dela. É difícil para quem está de fora perceber o trabalho dos atores. Nós somos um bocadinho bichos do mato e difíceis de compreender, por isso quem está numa relação com um ator tem que ter muita paciência.
– Esse tem sido o maior desafio nas suas relações?
Por acaso, não. Nunca tive esse problema, mas sei que muitas vezes as relações acabam por essa falta de compreensão.
– Temo-la visto crescer desde Morangos com Açúcar. O que é que mudou desde então?
Ui, já lá vão dez anos e a mim parece-me que comecei ontem. Sinto que ainda tenho tanta coisa para aprender. Mas por outro lado têm sido dez anos ótimos, sinto-me uma privilegiada, porque tenho tido trabalho constante – com algumas pausas, mas nada de aflitivo. É um balanço muito bom. Já estive no Brasil e nos Estados Unidos a estudar... E agora, com dez anos de carreira, vou finalmente fazer a minha primeira peça de teatro e estou muito contente.
– Como é que têm corrido os ensaios?
Muito bem. Já começámos com os ensaios de palco e já dá para sentir a energia do palco, que é completamente diferente da energia que se sente na televisão. Ali, se alguma coisa corre mal, não dá para cortar. O único contacto que tive com o público em palco foi através da dança. É diferente, mas acabamos por sentir o que o público sente. E é muito gratificante quando as pessoas gostam do nosso trabalho.
– A Sara cresceu com a vontade de ser bailarina clássica. Por onde se perdeu essa vontade?
Fiz dança dos seis aos 14 anos e andei no Conservatório de Dança seis anos, queria mesmo ser bailarina. Mas interessava-me a dança contemporânea e a Companhia da Gulbenkian tinha fechado, e como não queria sair do país, na altura decidi seguir outra área. Mas gostava muito de voltar a dançar. A dança faz bem a tudo.
– O que é que a dança lhe ensinou?
Muita coisa. Ensinou-me, principalmente, a ser pontual. Quando comecei no Conser­vatório, aos nove anos, os horários eram das oito às oito. Tinha que acordar muito cedo. Parte da educação que se recebe lá vem da escola russa, por isso é muito rígida. Desde muito cedo que aprendi a ter método de trabalho, o que foi ótimo. E em relação ao de­senvolvimento do corpo, que apanhou a altura da minha puberdade, foi fantástico. Ganhei outra postura e hábitos alimentares.
– Essa experiência tornou-a mais perfeccionista?
Também, sim. Há um espírito competitivo no Conservatório que, de forma comedida, é bom. Atingir a perfeição é um dos principais objetivos, sobretudo do ballet clássico. E ainda hoje faço todos os esforços possíveis para estar perto da perfeição.
– Por isso tem apostado tanto na formação?
Sim. Fui estudar para o Brasil com 19 anos e foi das maiores loucuras que já fiz. Nessa altura fui contra o que a minha família queria, mas correu tudo bem, aprendi imenso e cresci enquanto pessoa. Ajudou-me muito a crescer, porque nunca tinha vivido sozinha e a experiência obrigou-me a sair da minha zona de conforto.
– Foi difícil contrariar a vontade dos seus pais?
Custou-me um bocadinho, mas era realmente aquilo que queria fazer. Sou filha única e foi duro para a minha mãe. Mas hoje, olhando para trás, foi das melhores coisas que fiz.
– Tem uma relação muito próxima com a sua mãe?
Muito. Sou muito ligada à minha família desde sempre. Principalmente à minha mãe e à minha avó. Acompanharam-me desde pequenina e sempre me direcionaram, dando-me uma educação muito parecida com a delas e fazendo sempre o melhor que conseguiam. Orgulho-me muito delas. A minha mãe é das melhores pessoas que conheço e sempre me apoiou bastante.
– São os seus grandes exemplos de vida?
São. Elas são fantásticas e eu quero muito deixá-las orgulhosas. Algumas escolhas que faço têm na base a minha preocupação com a opinião delas. Peço-lhes muitos conselhos... Tenho muito orgulho nelas, por isso também quero que tenham orgulho em mim.
– O que é que herdou delas?
A educação, principalmente, que é das coisas mais importantes. Esta busca pela perfeição. Da minha mãe e do meu pai também, que sempre foi muito metódico e sempre me disse que tinha que ser a melhor naquilo que fazia. E ele próprio também era assim. Mas da mesma forma que sou muito parecida com a minha mãe e com a minha avó, também sou muito diferente. A minha avó é uma pessoa super sincera e eu também, às vezes até demais. Custa-me mentir, é uma coisa que não consigo fazer. Sou totalmente transparente. Somos as três muito leais e muito transparentes.

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