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Robert A. Sherman e Kim Sawyer: A paixão por Portugal e a vontade de fazer a diferença

O embaixador dos EUA e a embaixatriz fazem questão de frisar a sorte que sentem por poder exercer as suas funções num país como Portugal e numa casa como esta. Com eles vive a “ambassadog” Zoe.

Vanessa Bento
22 de outubro de 2016, 10:00

Muito antes de Robert A. Sherman co­nhecer Portugal, já o nosso país fazia parte da sua vida. Nascido em Boston, cresceu numa zona do Estado americano do Massachusetts onde havia uma forte presença da comunidade portuguesa. Sendo também ele filho de imigrantes – os pais nasceram na Ucrânia – sentiu-se identificado com os fortes valores familiares e de tolerância que reconhecia nos portugueses com quem foi convivendo ao longo da sua infância. Por isso, não teve grandes dúvidas quando o presidente Barack Obama lhe perguntou qual seria a sua primeira escolha para se estrear como embaixador. “Este país é fantástico. Não só pelas paisagens maravilhosas, pelo bom tempo e pelas excelentes praias, mas sobretudo pelo povo português. Os portugueses têm um coração gigante. Desde que chegámos que nos acolheram nos seus corações. Portanto, há uma grande parte de Portugal que está impressa na nossa alma. Portugal faz parte de nós e é por isso que, mesmo depois de terminarmos o nosso trabalho como embaixador e embaixatriz, o mais provável é que nos continuem a ver por aqui”, assume, sorridente, o antigo advogado, que nos recebeu na sua residência oficial.
Robert, de 62 anos, conta com o apoio incondicional da mulher, Kim Sawyer, de 50. Casados há dez anos, encaram a vida e os seus desafios de mãos dadas e mantêm uma cumplicidade genuína que acaba por ser um espelho da postura que fazem questão de ter em qualquer ocasião. “É uma bênção ter uma mulher como a Kim ao meu lado. Somos verdadeiros companheiros. Não somos apenas marido e mulher, somos parceiros em tudo o que fazemos. Tenho muito orgulho nela e sei que ela tem muito orgulho em mim. Podemos fazer diferentes coisas, mas temos sempre o mesmo objetivo. Ela é uma mulher fantástica, admiro-a muito”, admitiu o embaixador.
Com uma carreira solidificada no mundo da advocacia e dos negócios, sendo pre­sidente e fundadora do The Locator Services Group, Kim faz questão de tirar o melhor partido da responsabilidade que ganhou com o cargo de embaixatriz, já que tanto ela como o marido querem deixar uma marca de mudança em Portugal e não poupam esforços nesse sentido. Um exemplo disso mesmo foi a angariação de fundos que a embaixatriz fez a favor da APAV, abrindo as portas da residência oficial para um jantar e leilão onde se colocou o dedo na ferida ao falar de violência doméstica. “Desde que estou em Portugal que o empoderamento feminino é um assunto muito importante para mim, e é também algo que me é francamente familiar, sendo eu uma empresária em Boston. Quando chegámos a Portugal, quis assegurar-me de que faríamos a diferença. E a maneira que eu tinha, e sabia, de fazer isso era dando oportunidades e partilhando algumas das coisas que aprendi nos Estados Unidos”, começou por explicar Kim, que é responsável pelo projeto Connect to Success, um programa que apoia mulheres empreendedoras e que é uma das suas principais iniciativas enquanto embaixatriz. “Estando aqui em Portugal, queria também trazer algo que não é assim tão comum por cá: as angariações de fundos. Trata-se de dar a conhecer e de falar de causas importantíssimas, como a violência doméstica, neste caso concreto. Este é um assunto tão atual, tanto nos Estados Unidos como cá, e afeta todos os estratos sociais. Penso que há a ideia errada de que não existe violência doméstica nos estratos mais altos da sociedade. Existe! E uma das maiores diferenças que sinto entre Portugal e os Estados Unidos neste assunto, e que é muito cultural, é que o que acontece dentro de uma família fica na família. Portanto, apesar de a violência doméstica ser um crime público, não é tratado dessa forma cá em Portugal. E sempre que regresso a este país, vejo a notícia da morte de mais uma mulher, vítima de maus tratos. Daí ser tão importante chamar a atenção para este assunto, bem como para as instituições, como a APAV, que ajudam todas as vítimas que acham que não têm saída possível”, reiterou Kim, que tem como principal objetivo “ajudar as mulheres a serem financeiramente independentes” e, deste modo, dar-lhes armas para que não se sintam ‘obrigadas’ a permanecer em relações abusivas só porque não têm como sustentar os filhos, por exemplo. “Gosto de pensar que estamos os dois a deixar a nossa marca em Portugal. Não viemos para cá passar férias, viemos para fazer a diferença, para trabalhar, mas deixo que sejam os portugueses a dizer se estamos a conseguir ou não”, remata Robert.

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