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António Guterres, o português que vai moderar a diplomacia mundial

Guterres agradeceu com “humildade e gratidão” a escolha da ONU. Uma escolha que reconheceu o seu trabalho enquanto Alto Comissário para os Refugiados, cargo em que teve o apoio regular de Angelina Jolie.

Ana Paula Homem
15 de outubro de 2016, 17:27

Foi em Lisboa, numa sala do Ministério dos Negócios Estrangeiros repleta de jornalistas de várias nacionalidades, que ao início da tarde da passada quinta-feira, dia 6, António Guterres proferiu, “com humildade e gratidão”, o seu primeiro discurso depois de se saber que o Conselho de Segurança da ONU o escolhera, por unanimidade, para Secretário-Geral da instituição. Aquele que foi primeiro-ministro de Portugal entre 1995 e 2002 sucederá, em janeiro de 2017, a Ban Ki-moon no cargo de mais alto funcionário da diplomacia mundial.
De ascendência beirã, António Manuel de Oliveira Guterres nasce em Lisboa, a 30 de abril de 1949. Terminado o Liceu Camões com média de 18, entra para o curso de Engenharia Eletrotécnica no Instituto Superior Técnico, que termina com média de 19, sendo até hoje considerado um dos alunos mais brilhantes que por ali passou. A fé católica – integra o mesmo grupo de jovens cristãos que Marcelo Rebelo de Sousa e o padre Vítor Melícias, ainda hoje seus amigos –, que desde cedo o leva à prática de voluntariado e ao contacto direto com a pobreza e as injustiças sociais, conduzem-no à vida política. Em 74, filia-se no PS, torna-se deputado, depois líder do partido e chefe do Governo. Enquanto primeiro-ministro, o seu contributo para a resolução da questão de Timor-Leste destacou-o internacio­nalmente como diplomata determinado.
Casado desde 1972 com a pedopsiquiatra Luísa Amélia Guimarães e Melo, mãe dos seus dois filhos, Pedro, hoje com 39 anos, e Mariana, com 30, é primeiro-ministro quando, em janeiro de 1998, enfrenta a morte da mulher, na sequência da rejeição de um transplante de fígado. Três anos depois, casa-se de novo, com Catarina Vaz Pinto, atual verea­dora da Câmara Municipal de Lisboa. Nesse mesmo ano, depois de o PS sofrer uma amarga derrota nas autárquicas, demite-se para evitar “o pântano político”. Abandona a política, mas três anos depois é eleito Alto Comissário das Nações Unidas para os Refugiados. O trabalho que desenvol­veu nesse cargo conduziu-o ao papel de grande moderador da diplomacia mundial que desempenhará nos próximos cinco anos.

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