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António Félix da Costa, piloto, assume: “Se morrer a correr, vou morrer feliz”

O piloto de automóveis, de 24 anos, partilha esta casa com dois amigos e um dos seus cinco irmãos, Pedro, com quem tem um projeto de restauração: o Terrazza Cascais.

Sandra Cáceres Monteiro
8 de outubro de 2016, 14:00

A adrenalina faz parte do dia-a-dia de António Félix da Costa, cujo maior sonho é ser campeão do DTM, cam­peonato no qual representa as cores oficiais da BMW, ou então da Fórmula E. Acabado de chegar da Holanda, de uma prova na qual ficou em sexto lugar, o piloto de automóveis recebeu-nos na sua casa, em Cascais, onde nos falou da paixão e das dificuldades inerentes à profissão que escolheu. Ficámos ainda a saber que António Félix da Costa acabou de assinar um contrato com a equipa americana Andretti Autosport para a próxima época na Fórmula E.
– Como começou a sua aventura neste mundo das corridas?
António Félix da Costa –
Há 15 anos o meu pai e o meu avô eram os representantes da Castrol em Portugal e, por isso, sempre estiveram ligados às corridas. Do lado da minha mãe também tinha alguns tios aficionados por esta modalidade. Além disso, tinha dois irmãos que já cor­riam em karts: o João, do lado da minha mãe, e o Duarte, do lado do meu pai. Comecei aos oito anos também a correr em karts e as coisas foram evoluindo de forma positiva.
– A adrenalina pode ser viciante?
– Completamente! Quando estou de férias começo logo a ressacar a adrenalina das corridas. [risos]
– Mas esta acaba por ser uma profissão de alto risco...
– Sempre disse que se morrer a correr, vou morrer feliz! A minha mãe diz-me sempre para não dizer estas coisas... Mas ela sabe que é mesmo o que eu sinto! Sei que é uma profissão de risco, mas nunca senti medo. Quando isso acontecer, é altura de parar. De qualquer forma, não gosto de sair para uma corrida zangado com ninguém que me seja próximo.
– Qual foi o maior susto que apanhou até hoje?
– Diretamente, graças a Deus, nunca apanhei nenhum susto, mas já vi morrer colegas de equipa. Tive de voltar a pôr o capacete e seguir em frente...
– Ser piloto obriga a uma vida itinerante, que o afasta necessariamente da fa­mília, dos amigos, da namorada...
– É muito complicado! Aliás, posso dizer que é uma das coisas que mais me custam. No ano passado apanhei mais de 180 voos. Sinto muitas vezes necessidade de vir a casa, de estar com a família, com os amigos...
– E a sua namorada queixa-se muito dessas ausências?
– Estou com a Inês há praticamente dez anos... Acho que ela já se habituou a esta vida! [risos] Acima de tudo, somos muito amigos e isso é o mais importante!
– Imagino que quando chegar a altura de se casar e ter filhos não vá ser fácil conciliar tudo...
– Como costumo dizer, estou a construir agora a minha velhice. Tenho estado a dar o meu máximo, pois aos 40 anos vou ter de parar de correr. Nessa altura quero poder proporcionar à minha mulher e aos meus filhos uma vida boa. De qualquer forma, a minha carreira não vai acabar nesse momento. Gostava de ser dono de uma equipa, de trabalhar como manager, levar miúdos novos a correr na Fórmula 1.
– É precisa muita perseverança para se singrar neste mundo?
– Sem dúvida. É um mundo muito competitivo. O talento não é suficiente, a cabeça também tem de estar no sítio. Além da boa forma física e de um regime alimentar equilibrado. Todos os anos trabalho para ser campeão, essa é a minha maior recompensa.
– Qual diria que foi o momento mais marcante que viveu até hoje?
– Já tive alguns... Mas quando venci o Grande Prémio de Macau em Fórmula 3 em 2012 foi um momento muito espe­cial. Ganhei mais de 15 corridas nesse ano.
– No ano passado, num campeonato em Long Beach, Los Angeles, publicou nas redes sociais uma fotografia ao lado da Irina Shayk. Foi também um momento especial?
– [Risos]. Ela vinha a andar na grelha, viu a bandeira de Portugal e veio falar connosco. Conversámos ainda durante um bocado, mas confesso que nesse momento já estava focado na corrida.

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