Nas Bancas

A viver em Luanda, Olga Diegues sublinha: “O mais importante é estarmos em família”

Na companhia das filhas, Maria e Matilde, a ex-apresentadora fez um balanço da sua vida.

Joana Brandão
8 de outubro de 2016, 10:00

A história de amor de Olga Diegues e João Ramalho começou na adolescência. Juntos há 17 anos, casaram-se há seis numa cerimónia emotiva e repleta de significado, que partilhámos com os nossos leitores. Um ano depois, em 2011, a notícia da gravidez da primeira filha coincidiu com a mudança para Luanda e uma nova fase na vida do casal. Maria nasceu em Portugal, mas é na capital angolana que tem crescido. Matilde, a segunda filha da ex-apresentadora de televisão e do gestor, nasceu há dois anos, e pudemos conhecê-la agora.
Realizada como mulher, mãe e profissional, Olga vive em pleno os seus 35 anos. Como coordenadora de programas do canal angolano ZAP Viva, está empenhada em ajudar a desenvolver a televisão daquele país. Formada em Comunicação Social e com experiência como jornalista e apresentadora em Portugal, coordena uma equipa de jovens profissionais angolanos e mostra-se muito orgulhosa do trabalho que tem vindo a desenvolver.
A distância geográfica e as saudades da família são o mais difícil de gerir, mas graças às novas tecnologias tem sido possível aos avós e tios acompanharem o crescimento de Maria e Matilde.
Numa visita ao Porto e dias antes de regressar a Luanda, Olga conversou com a CARAS sobre o dia-a-dia ao lado do marido, por quem continua a sentir-se apaixonada como no primeiro dia, das filhas e do desafio que é ser emigrante.
– Quando vêm a Portugal haverá tanta gente para rever e coisas a pôr em dia que prova­velmente acabam por não gozar umas férias típicas. Como passam os vossos dias cá?
Olga Diegues – Vimos sempre em julho e agosto, matar saudades da família e dos amigos. Estando cá, aproveitamos para tratar de assuntos logísticos como ir ao médico com as miúdas, aos bancos, coisas do dia-a-dia. Realmente, não são férias a cem por cento, sobra pouco tempo para relaxar. Sabe sempre a pouco, sobretudo para os avós e para os tios. Mas as tecnologias ajudam a matar saudades, apesar de não ser a mesma coisa.
– E como têm sido estes cinco anos de vida em Luanda?
– O tempo tem voado e damos conta de que ele passa quando olhamos para as nossas filhas e as vemos a crescer. A Maria foi para Luanda na minha barriga e já vai para a pré-primária...
– Têm a vida organizada em Luanda e tudo tem corrido bem. É lá que se imaginam nos próximos tempos?
– Não estamos em Angola a prazo, não fazemos essas contas. Claro que o que é hoje pode não ser amanhã, mas o importante é estarmos juntos, em família. Nesta fase das nossas vidas, Angola é o país que nos acolheu, é a nossa casa.
– A Maria e a Matilde não conhecem outra realidade porque, apesar de terem nascido em Portugal, viveram sempre em Luanda.
– Sim, elas estão super adaptadas. Os amiguinhos estão todos lá, relacionam-se com miúdos de todas as nacionalidade – israelitas, franceses, brasileiros, angolanos... –, mas também com muitos portugueses. Além das novas amizades que fizemos, temos lá muitos amigos de há anos que também se mudaram para Luanda. Somos todos muito unidos. Quando se está fora e não há aquele apoio presencial da família, são os amigos que ocupam esse lugar. As pessoas quando estão fora unem-se mais e o ser português ganha outra dimensão.
– Em apenas cinco anos muita coisa mudou na vossa vida. A vossa união saiu reforçada?
– Estávamos juntos há 12 anos quando decidimos alargar a família e tudo tem acontecido de forma natural. Tivemos sempre uma postura tranquila, mas sempre quisemos uma família juntos. O João é a pessoa que continuo a querer do meu lado e estamos muito felizes com as nossas duas filhas. Como qualquer casal, temos os nossos momentos, e o facto de estarmos longe e mais dependentes um do outro obriga-nos a viver as coisas mais intensamente, porque só nos temos um ao outro. Mas estamos bem. Vivemos um dia de cada vez, atentos ao crescimento das miúdas e a cada conquista...
– E faz parte dos vossos planos ter mais filhos?
– A Matilde só tem dois anos e mesmo a Maria, com cinco, ainda exige muita atenção. No entanto, esse não é um assunto encerrado. Digamos que é uma questão que está em aberto. Quando tiver de ser, será, e se não tiver de ser, não é um drama.
– As notícias que chegam cá de Angola dão a ideia de ser um país instável e nem sempre seguro. Como se sentem lá?
– Estou muito grata por quão bem Angola e as empresas onde eu e o João trabalhamos nos receberam. Claro que é um país com algumas particularidades, não nos podemos esquecer de que saiu da guerra há pouco tempo e foi muito massacrado. Lá, tudo acontece de forma evolutiva. É um processo e não podemos esperar que seja de um dia para o outro. No entanto, é um país onde se luta para fazer mais e melhor e sinto-o todos os dias. Apesar das condicionantes, adaptamo-nos facilmente. Há que lembrar que eu cresci em Luanda, a minha infância foi vivida lá. Estou a reviver a minha história com as minhas filhas, vou aos mesmos locais onde ia com os meus pais há 30 anos. Por isso só tenho gratidão pela forma como tudo tem acontecido e pela forma como fomos recebidos.
– Continua a trabalhar em televisão, mas é uma experiên­cia diferente.
– Sim, desta vez estou atrás das câmaras. Coordeno os programas de conteúdos nacionais no ZAP Viva e estou a gostar muito. A minha formação é Comunicação Social, na área de jornalismo e audiovisual, e desde os 19 anos que trabalho nesta área. Agora que estou atrás das câmaras, sirvo-me da minha experiência como apresentadora para ajudar a minha equipa. É mais fácil compreendê-los porque já estive naquele lugar. A televisão tem muito poder e juntos podemos ajudar a construir uma Angola diferente. Sinto-me muito realizada.
– Voltar para a Portugal está nos vossos horizontes?
– Há de chegar essa altura, mas para já estamos bem, realizados profissionalmente, com um grupo de amigos presente, com o apoio da família apesar da distância, e focados nas nossas filhas. Tudo isto nos dá estabilidade para continuarmos em Angola. Se um dia deixar de ser assim, logo vemos o que fazer. Voltamos para Portugal ou vamos para outro país. Somos cidadãos do mundo.

Comentários

ATENÇÃO: ESTE É UM ESPAÇO PÚBLICO E MODERADO. Não forneça os seus dados pessoais (como telefone ou morada) nem utilize linguagem imprópria.

Nas Bancas

Newsletters

Receba grátis no seu email as notícias, as últimas caras!

Caras Nas Redes

Mais na Caras