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Tony Carreira: “A vida já me deu muito mais do que alguma vez sonhei”

Separado há dois anos de Fernanda Antunes, o cantor diz que este ainda é o tempo de curar as feridas.

André Barata
1 de outubro de 2016, 16:00

Aos 53 anos, e com 28 de carreira musical, o cantor Tony Carreira garante que se a vida acabasse agora já lhe teria dado muito mais do que alguma vez imaginou receber. A par da música, são os seus três filhos, Mickael, David e Sara, nascidos do seu casamento com Fernanda Antunes, terminado há quase dois anos, que considera os seus maiores grandes feitos. Numa conversa descontraída, o músico fez um balanço do seu percurso profissional, falou sobre a família e o amor.
– Ainda se sente nervoso antes de subir ao palco?
Tony Carreira – Não conheço nenhum artista, quer seja um principiante com talento ou um consagrado, que não os sinta. Quando somos principiantes, temos medo de que o público nos vire as costas, temos medo de falhar e de não voltar a ter uma oportunidade. Hoje, já toda a gente conhece o meu trabalho, a expectativa é maior, portanto, são nervos são diferentes, mas estão lá na mesma. Quando deixam de existir, o artista está morto!
– Que balanço faz destes 28 anos de música?
– O balanço é claramente fantástico. Tenho uma profissão que me proporciona uma vida engraçada e, ainda por cima, aplaudem-me! Eu tenho um problema, que é pensar que tudo pode acabar de um momento para o outro e, por isso, nestes anos todos fiz tanta coisa, gravei tantos discos, fiz tantos concertos, que acho que se tudo acabasse por aqui já teria conseguido muito mais do que aquilo que esperava.
– É um homem nostálgico?
– Sou uma pessoa com alguma nostalgia, mas, ao mesmo tempo, e isso é um contrassenso, não deixo que os maus momentos me marquem. No momento, sofro mais do que qualquer um, absor­vo de uma maneira horrível, mas quando passou, a vida segue.
– Esta carreira era um sonho de menino?
– A vida já me deu muito mais do que alguma vez sonhei, porque a vida tem-me dado prendas maravilhosas, tem sido muito generosa comigo.
– Com o enorme sucesso que tem, é fácil manter os pés assentes na terra?
– Isso não é para mim! Na verdade, acho que sou uma pessoa mais humilde hoje do que quando tinha 15 anos. Sou grato à vida, mas não tenho tempo para ‘pancadas’ artísticas, para achar que sou um ser superior. Sou uma pessoa de trabalha e respeito muito o meu patrão, que é o público.
– Qual é a sensação ao ver que, cada um a seu tempo, os seus três filhos foram seguido as suas pisadas na música?
– No início foi complicado, porque tive medo de que não conseguissem. Felizmente, conseguiram, estão com carreiras maravilhosas e eu até já lhes vou roubar produtores. Ao contrário do que muitas pessoas pensam, eles é que me apoiam! Gosto muito do que fazem. Vivemos desta maneira, muito felizes. Somos um clã, apoiamo-nos, inspiramo-nos, e isso é a coisa mais importante da minha vida.
– Quando olha para os seus filhos, revê-se neles?
– Somos muito diferentes. O feitio têm-no, mas no percurso de vida são diferentes, naturalmente.
– Sendo um intérprete de canções de amor, deve ser bastante assediado pelas fãs. Como lida com isso?
– O assédio existe, mas não o sinto da maneira que os outros o podem ver. Eu adoro distribuir charme e, da mesma maneira que o distribuo a uma senhora de 75 anos, também o faço com uma miúda de dez. Não tem a ver com engate e sim com sedução, que é uma coisa de que gosto. E, até passando isso para outro campo, para a relação de um casal, é a coisa mais bonita que existe entre duas pessoas: o entusiasmo, o charme, a atenção ao segurar uma porta, por exemplo. São coisas de que gosto e que acho importantes na vida. E tenho prazer nisso.
– Já reencontrou alguém com quem possa fazê-lo?
– Há tanta gente... [risos] Continuo solteiro e acho que vou morrer solteiro, isto é uma desgraça [risos]!
– Não gostaria de voltar a encontrar um grande amor?
– Há alturas na vida em que temos de curar as feridas. E eu ainda o estou a fazer.

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