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Miguel Júdice garante: “Ambiciono fazer coisas, não tê-las”

Adepto de novos desafios e de projetos que lhe deem prazer, é com entusiasmo que preside ao conselho estratégico do LXi, espaço que fará parte da Intercasa.

Andreia Cardinali
17 de setembro de 2016, 18:00

Na adolescência, Miguel Júdice já demonstrava interesse pelo turismo e passava as férias de verão a fazer visitas guiadas à Quinta das Lágrimas, propriedade da sua avó materna. Mais de duas décadas depois, é proprietário de alguns dos espaços mais emblemáticos de Lisboa, como o restaurante Eleven ou o Hotel da Estrela.
Apaixonado por novos projetos e ideias inovadoras, foi com entusiasmo que o empresário aceitou o convite para presidir ao conselho estratégico do LXi – Lisboa Interiors Design, uma área integrada na feira Intercasa, onde 18 arquitetos e designers de interiores irão mostrar em conjunto as suas tendências dentro de três ambien­tes: Casa de Família, Casa de Férias e Casa de Solteiro. Este foi o pretexto para uma conversa descomprometida, na qual Miguel evitou falar da sua vida privada, já que acredita que há portas que não devem ser abertas.
– Como recorda os momentos em que se tornou guia turístico na quinta da sua avó?
Miguel Júdice –
Sempre passei lá as férias de verão e com cinco, seis anos já fazia algumas brincadeiras do género. Sempre gostei de interação e era uma forma de conhecer pessoas de outras culturas. No fundo, procurava alguma diversão mais adulta, já que sempre fui o primo mais velho e não tinha muito com quem brincar. Nessa fase, brincava sozinho e essa era a minha brincadeira.
– Nasceu aí esta sua paixão pelo empreendedorismo?
– Foi pelo menos uma forma de estar aberto a outras culturas e pessoas e em ter prazer em estar com os outros e bem recebê-los.
– Esta sua paixão por outras culturas é também demonstrada nas diversas viagens que faz...
– Sim, viajo por prazer, pois é uma pena estar neste mundo sem o conhecer. Hoje em dia pode-se viajar com pouco dinheiro e todo o dinheiro que ganho é para isso. Esse é o meu hobby. Cada vez que viajo aprendo muito e trago também ideias que aplico nos negócios.
– Essa abertura para o mundo é também uma forma de educar o seu filho? [Manuel, de 13 anos.]
– Claro, e ele também já tem este gosto. É um ‘eu’ pequenino.
– Não gosta de falar da sua vida pessoal. É uma forma de proteção?
– É a minha maneira de ser. Acho que exposição a mais não é boa para ninguém e por vezes as pessoas ficam fascinadas com os holofotes. É uma coisa muito egoísta e eu não sou assim.
– Mas nem sempre é fácil divulgar projetos sem dar a cara…
– Não troco exposição por divulgação. Não quero ser o homem mais rico do cemitério. [Risos.]
– Não é ambicioso?
– Ambiciono fazer coisas, não tê-las.
– E deslumbrado?
– Nem pensar. Sou a pessoa mais simples que há. Fui educado a respeitar os outros, a ser responsável e a não me deixar deslumbrar.
– Com as suas responsabilidades profis­sio­nais, como consegue ter disponibilidade para este novo desafio da LXi?
– Só faço estas coisas pro bono, e acho que cada um tem a responsabilidade de ajudar a sociedade conforme pode. Há mais 15 membros na comissão, como tal, não se torna muito difícil nem dispendioso em termos de tempo. Este é um projeto transversal... Não trabalho nesta área da arquitetura, mas sou cliente, pessoal e profissionalmente, como tal, acho que o conhecimento de alguém que está fora do métier pode ser uma mais-valia.

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