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José Fidalgo revela: “Os meus filhos ainda não se conhecem”

O protagonista da nova novela da SIC, ‘Amor Maior’, fala da relação com os filhos, Lourenço e Maria.

Andreia Cardinali
17 de setembro de 2016, 10:00

Disponível, educado, simpático e muito profissional. Foi assim que José Fidalgo, de 37 anos, se comportou durante uma tarde passada em Cascais e no Guincho. Sorridente, o ator que dá vida ao protagonis­ta da nova novela da SIC, Amor Maior, contou que vive este desafio com muita intensidade e que acredita que este projeto será líder de audiências. E sabe que o sucesso tem o seu reverso: o excesso de exposição pública. Por isso procura resguardar-se, evitando falar da sua vida pessoal, embora nesta entrevista tenha levantado um pouco do véu sobre a sua relação com os filhos, Lourenço, de seis anos, do seu casamento com Fernanda Marinho, que reside no Porto, e Maria, de dois, fruto de uma breve relação com Nádia Nóvoa, que mora no Algarve.
– Como tem sido dar corpo a este Manuel em Amor Maior?
José Fidalgo –
Tem sido muito bom. É um polícia, uma personagem que facilmente se transportaria para uma série ou para um filme, e está a dar-me imenso prazer. O desafio é equilibrar a vida desta personagem, a relação que ele tem com a polícia, com a Clara [Sara Matos], com a Francisca [Inês Castel-Branco] e com a sua família. Seriam plots a mais para um filme, mas são os ingredientes certos para uma novela.
– Ser um polícia exigiu uma preparação diferente?
Claro. Estive na escola da Polícia Ju­diciária em Loures, onde recebi formação, técnica e psicológica. Confesso que é o lado psicológico que mais me preocupa. O comportamento do Manel tem de ser muito bem apresentado para ter veracidade.
– É fácil demonstrar sentimentos que possa não ter experimentado?
Não é nada fácil, mas o objetivo é fazer as pessoas acreditarem na emoção que está a ser transmitida. Há uma controvérsia em relação aos métodos possíveis: há quem defenda que o ator tem de fingir, há quem diga que tem de se emocionar, viver aquela emoção para ser mais verosímil. Eu tento procurar um pouco das duas, acho que a emoção tem de vir de forma genuína. Mais fundamental do que isso, e esse é o método em que acredito, temos de nos relacionar com a dor da personagem.
– Ser protagonista traz responsabilidade acrescida?
Traz, claro. As atenções recaem mais naturalmente sobre um protagonista, mas sinto que este é um trabalho de equipa, a responsabilidade é muito partilhada.
– Está quase com 20 anos de profissão.
É verdade, fiz a minha primeira peça aos 18 anos e um anúncio aos 15. Esse trabalho fascinou-me imenso, percebi que tinha uma ligação forte às câmaras. Toda aquela preparação e vontade de admitir uma outra persona fascinou-me. Acho que foi aí que nasceu o bichinho. Para o ano são 20 anos. É tão engraçado...
– Qual é o balanço?
Eu espero sempre mais. O passado já foi. É bom, porque é à custa do passado que ganhamos experiência para enfrentar o futuro, mas não procuro olhar muito para trás. Para a frente é que é o caminho e ainda me falta conquistar muita coisa. Direi sempre que ainda há muito por conquistar.
– É insatisfeito por natureza?
Acho que uma das principais ca­racterísticas de um ator é uma certa insatisfação permanente, já que estamos constantemente sujeitos à opinião de terceiros. A exposição é constante e nem estou a falar do lado mais mediático de ser figura pública, estou mesmo a falar da pressão sobre o nosso desempenho. Nunca podemos estar sa­tisfeitos, porque o público é sempre diferente. Não acredito que haja um ator que se sinta completamente preenchido. É óbvio que há sonhos e objetivos, mas depois disso surgem novas fronteiras que queremos ultrapassar.
– Bom, para quem lide consigo a nível pessoal, não deve ser fácil conviver com essa insatisfação permanente...
Aí já depende das bases de um ator, da personalidade, das suas características,
educação e princípios. E acho que é fácil dissociar as coisas. Um ator pode ser uma pessoa perfeitamente normal, apenas insatisfeito dentro das suas personagens, do seu laboratório. Tem de se despir de si próprio para ser outra pessoa, daí a minha paixão pela representação. É um privilégio tentarmos despir-nos de todos os preconceitos, expe­riências e comportamentos para sermos outra pessoa. E isso é muito difícil.
– Consegue não levar as personagens para casa?
Acho que numa novela, dependendo da carga emocional da personagem, é preciso saber desligar a ficha e ter alguém que nos ajude a fazer isso, que nos abstraia da nossa profissão. A família, os amigos... Até agora tenho lidado com isso da melhor forma possível, mas é natural que de vez em quando leve alguma história para casa.
– Um protagonista traz uma carga horário maior. Com dois filhos, como organiza o seu tempo?
Como em qualquer profissão, e existem outras bem mais desgastantes. Há sempre tempo, é preciso é ter vontade e amor. Até agora não me tenho queixado de nada.
– O Lourenço tem noção do seu trabalho?
Começa a ter. Ele tem seis anos, só agora começa a compreender a forma como as pessoas me abordam na rua. Começa a saber o que é ver televisão, embora nem eu nem a Fernanda o deixemos ver a novela.
– Ele acha graça quando o abordam?
Tem reagido sempre da melhor maneira. Ele percebe, até porque convive com isso desde sempre. Não é nenhum choque para ele que me abordem, peçam uma fotografia ou um autógrafo, reage com normalidade.
– Ser pai de um menino e de uma meni­na é muito diferente?
A guerra dos sexos existe por alguma razão! [risos] É óbvio que os homens e as mulheres são diferentes, assim como não há duas crianças iguais, e o Lourenço e a Maria também são diferentes um do outro.
– Diz-se que as meninas têm mais proximidade com o pai.
A convivência que tenho com a Maria não é a mesma que tenho com o Lourenço, mas procuro colmatar como posso e consigo essa minha ausência. E acho que as meninas são sempre mais agarradas ao pai, sim, tenho essa experiência pela minha irmã. Acredito que a Maria queira muito estar com o pai, da mesma maneira que eu quero muito estar com ela, mas esta é a vida que eu tenho e as coisas aconteceram como aconteceram...
– Em contrapartida, o Lourenço é muito companheiro...
Sim, está numa idade muito gira. A partir dos cinco anos começou a interagir mais, a querer fazer mais parte da vida do pai e da mãe e faz isso muito bem.
– Revê-se nele?
Completamente. Parece-se muito comigo quando tinha a idade dele. De personalidade tem um bocadinho de mim e da Fernanda. Acho que tem a junção perfeita. [risos]
– O Lourenço e a Maria já se conhecem?
Ainda não se conhecem.
– Mas o Lourenço sabe que tem uma irmã?
Perfeitamente, e pergunta sempre por ela. O Lourenço diz que quer conhecer a irmã e isso irá acontecer.
– Tem pena de que ainda não tenha acontecido?
Não tenho pena, é a vida. Não lamento o que não existe. Preocupo-me com o que está a acontecer ou pode vir a acontecer. O que quero é que eles se conheçam e sejam irmãos dentro daquilo que a vida possibilitar.
– O Lourenço mora no Porto, a Maria no Algarve e o José em Lisboa. Deve viajar muito...
Conheço grande parte do país à custa disso. Acabo por dar graças a Deus, porque cada viagem que faço serve de história. Ir ter com o meu filho ou com a Maria para mim é sempre o início de uma aventura, chego lá sempre contente, com vontade de os ver e com notícias e histórias para lhes contar.
– Sempre tentou preservar a sua vida pessoal, mas há dois anos, quando se soube que tinha sido pai da Maria, proporcionou muitas notícias. Ficou incomodado?
Relaciono-me com essa exposição desde que sei o que é ser um ator e tenho de lidar com isso da melhor maneira. Pode, por vezes, condicionar as pessoas que estão à nossa volta, mas não há alternativa. O que aconteceu só diz respeito ao meu filho, à Fernanda, à Nádia, à Maria, à minha irmã e aos meus pais. Aquilo que sei e que sempre lutei para que acontecesse é que acreditassem em mim e não no que é publicado. Isso é que é uma mais-valia.
– Daí não ter necessidade de dar ex­plicações?
Não tenho de justificar a minha vida privada à opinião pública. Sei que as pessoas que estão à minha volta acreditam em mim e quando têm dúvidas é a mim que vão perguntar. E isso basta-me.
– Para terminar: como é que lida com o rótulo de sex symbol?
Em 2008 fiz um curso em Nova Iorque e um dos professores perguntou-me, logo na primeira aula, que tipo de ator é que eu era. Respondi que não sabia, mas que me catalogavam como um playboy ou menino bonito por causa da minha aparência. Acrescentei que nunca me considerei como um ator-tipo e ele começou a rir-se. Disse-me que isso era descabido, que todos somos um tipo e que eu era o tipo the guy next door (o vizinho do lado). Percebi o que ele queria dizer com isso e decidi que então tentaria ser o melhor the guy next door possível. E é um pouco por aí que me tenho guiado até hoje. A aparência física pode ajudar, mas depois tem de haver mais. Quando for a prova dos nove, terei realmente de mostrar que sou bom no que faço.
– Como encara o envelhecimento?
Já em pequeno achava que iria assumir bem o meu envelhecimento e assim tem sido. Aquilo que mais me preocupa é a perda de mobilidade. Para mim, tudo tem uma história e é isso que eu gosto. As rugas vêm com história, são o resultado de uma vivência e dou muito valor a isso.
– Mas tem cuidado com a imagem.
Claro, é necessário. Primeiro, porque sou ator, depois, porque gosto muito de mim e de estar de acordo com o meu estilo. Gosto de ser agradável aos outros, todos gostamos de ouvir um piropo, é sinal de que não passámos despercebidos. Procuro é que a isso esteja associado algum conteúdo, alguma história.

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